Em 23/08/2023
O líder do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Viktorovich Prigozhin, morreu numa queda de avião nesta quarta-feira (23Agosto2023), segundo informações da agência russa Tass.
Um jato executivo da Embraer caiu na região russa de Tver, matando todos a bordo, segundo o Ministério de Emergências informou à agência.
“O avião da Embraer estava na rota entre Sheremetyevo e São Petersburgo. Havia três pilotos e sete passageiros a bordo. Todos morreram”, informou a fonte.
A Agência Federal de Transporte Aéreo da Rússia (Rosaviatsiya), que iniciou uma investigação sobre a queda do avião, informou que o nome de Prigozhin estava na lista de passageiros.
Prigozhin, de 62 anos, nasceu em Leningrado (hoje São Petersburgo) e em 1981, quando tinha apenas 20 anos, foi condenado à prisão por roubo, fraude e envolvimento numa rede de prostituição de menores.
Ele recebeu sua primeira condenação criminal em 1979, com apenas 18 anos, e teve uma pena suspensa de dois anos e meio por roubo. Dois anos depois, ele foi condenado a 13 anos de prisão por roubo e furto, nove dos quais cumpriu atrás das grades.
Após ser solto, Prigozhin montou, com o padrasto, uma rede de barracas que vendiam cachorro-quente em São Petersburgo. Ele se deu bem nos negócios e em poucos anos – ao longo da década de 1990, de transição das leis na Rússia – Prigozhin conseguiu abrir restaurantes caros na cidade, uma rede de mercados, cassinos e um serviço de catering.
O líder do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Prigozhin, ao lado do presidente russo, Vladimir Putin, em imagem de 2010.
Foi lá que ele começou a ter contato com as pessoas mais poderosas de São Petersburgo e, depois, da Rússia no início dos anos 2000. Um de seus restaurantes, o New Island, era um barco que navegava pelo rio Neva. Vladimir Putin gostava tanto do restaurante que – depois de se tornar presidente – começou a levar seus convidados estrangeiros para comer lá.
Em seu restaurante flutuante, o líder russo passou a receber chefes de Estado como o então presidente francês Jacques Chirac e o americano George W. Bush.
“Vladimir Putin… percebeu que eu não tinha nenhum problema em servir pessoalmente a chefes de Estado“, disse Prigozhin em uma entrevista. “Nós nos conhecemos quando ele veio com o primeiro-ministro japonês, Yoshiro Mori“. Mori visitou São Petersburgo em abril de 2000, no início do governo de Vladimir Putin.
Em 2003, Putin já confiava em Prigozhin o suficiente para comemorar seu aniversário no New Island. Anos depois, a empresa de catering de Prigozhin, a Concord, foi contratada para fornecer comida ao Kremlin, o que lhe valeu o apelido de “chef de Putin“. As empresas ligadas à Prigozhin também ganharam contratos estatais para fornecer comida a escolas militares e estatais.
Prigozhin obteve contratos para fornecer alimentação para escolas, repartições públicas e as forças armadas russas. Entretanto, suas relações com a gestão Putin foram muito além desses serviços.
O Grupo Wagner auxiliou os separatistas pró-Rússia do leste ucraniano a partir de 2014 e as forças do Kremlin na anexação da Crimeia, naquele ano, e fez o mesmo no conflito iniciado na Ucrânia no começo de 2022.
Entretanto, Prigozhin travou uma disputa pública com o comando militar russo, a quem acusou de incompetência e falta de apoio.
Em 24 de junho deste ano, os combatentes do Wagner entraram em território russo depois que o líder do grupo acusou a Rússia de ter atacado um acampamento da milícia.
Entretanto, quando a marcha estava a cerca de 200 km de Moscou, o motim foi interrompido por meio de um acordo intermediado pelo ditador Alexander Lukashenko (Foto acima) e Prigozhin aceitou se exilar em Belarus.
O Grupo Wagner também tem histórico de atuação em outros países, como Síria, Venezuela e Sudão, e nesta semana Prigozhin havia aparecido em um vídeo, sugerindo estar na África.
Prigozhin também estaria por trás da chamada Fábrica de Trolls de São Petersburgo, que promoveu invasões e ações de desestabilização na internet em todo o mundo.
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