Manejo e Pastagem: Estratégias para encurtar o ciclo de produção

Em 14/11/2023

Tempo de leitura: 4 minutos

Intensificar a cria e a recria é uma estratégia para antecipar os resultados na engorda do boi.

 

O manejo em rebanhos de bovinos de corte compreende a períodos bem definidos para a estação de monta, parição e desmame. A meta em uma criação de fêmeas de corte é desmamar um bezerro/matriz/ano.

A taxa de desmama e o kg do bezerro desmamado influenciam diretamente na eficiência do processo de criação. Para acelerar a reposição de bovinos, a intensificação da produção é uma forma de aumentar a produtividade, otimizando os custos operacionais.

Do nascimento até a desmama, concentra-se a fase da vida do bezerro na qual se expressa a melhor taxa de ganho de peso, atingindo, em cerca de sete meses, aproximadamente 30% do peso ao abate.

Pesquisas indicam que o desmame precoce de bezerros, associado à suplementação nutricional, tem o potencial de reduzir o intervalo entre partos e elevar a taxa de prenhez do rebanho.

A desmama tradicional, que normalmente ocorre entre o sétimo e o oitavo mês de vida, é uma das principais causas do baixo desempenho reprodutivo das vacas, que retomam tardiamente seu escore de condição corporal.

Uma estratégia para complementar a dieta da cria é o sistema de creep feeding, no qual é fornecido em comedouros exclusivos, aos quais as matrizes não têm acesso, uma dieta balanceada, à base de concentrado, estrita à fase de amamentação.

Essa técnica é vantajosa por permitir que o bezerro expresse todo o seu potencial genético, podendo gerar bezerros 15% mais pesados ao desmame, além de valorizar seu preço no mercado, quando vendidos em R$/kg.

Trata-se de uma prática que estimula o desenvolvimento pós-natal do rúmen e reduz o estresse causado pela desmama convencional, sem distanciar a cria da mãe.

Além da adaptação ao cocho, o sistema reduz a dependência do bezerro na matriz, potencializando seu desempenho na fase de terminação, resultando em um rebanho mais pesado, uniforme e resistente.

De acordo com a Coordenação de Assistência Técnica e Gerencial do Senar Alagoas, para a confecção de um creep feeding adequado, é necessária uma área de cercado com aproximadamente 1,5 m² por bezerro(a), com espaço mínimo de 2 metros entre o cocho e a cerca para não prejudicar o deslocamento dos bovinos.

O acesso de entrada ao creep deve ser exclusivo dos bezerros, por isso, o espaçamento deve ser de pelo menos 40 centímetros de largura por 1,20 m de altura.

Apesar disso, sua utilização pode não ser lucrativa na conta final. As crias suplementadas podem apresentar baixo desempenho se desmamadas e recriadas no pasto, por não estarem adaptadas a uma dieta baseada apenas no volumoso.

Assim, intensificar a recria permite que mais bovinos fiquem aptos a entrar na fase de engorda em menor tempo, além de manter os lotes homogêneos, potencializando os ganhos obtidos na cria em sistema de creep.

O propósito da recria intensiva a pasto (RIP) pode ser a redução do período dedicado à fase, sendo uma das mais longas do ciclo, além de aumentar a rentabilidade do sistema, reduzindo o custo de permanência do bovino na propriedade.

Trata-se de um método de suplementação, que compreende o período pós-desmame até sua entrada na fase de terminação.

A proposta do sistema é fornecer ração concentrada aos bovinos, na proporção de 0,5% a 1% de seu peso vivo (PV), desde a desmama até o início da engorda, buscando ganhos de até 1 kg/cabeça/dia, sob elevada taxa de lotação (3 a 5 UA/ha).

Estudos indicam que há uma boa relação custo-benefício na RIP que, se comparada à suplementação com proteinado no pasto, possui ganho de peso individual maior, além de possibilitar maior produção de arroba por hectare.

A proposta dos pesquisadores da APTA-Colina testada em 2019, em Minas Gerais, em parceria com instituições privadas, proporcionou 27,2 @/ha ao final de 9 meses, contrapondo 15,2 @/ha da recria convencional, com duração de quase 13 meses.

Resultado que demonstra compensação quanto ao maior custo por arroba produzida para a RIP, de R$ 85,40 frente à R$ 77,90 do proteinado.

Além do fato de garantir maior produtividade, a RIP viabiliza a produção do “boi China”, por possibilitar a terminação de bovinos antes dos 30 meses. Além de diluir os custos fixos da produção e anular o ágio de reposição.

Além disso, o aumento do mercado de carne premium no país elevou a demanda por bovinos jovens, com acabamento de carcaça de alta qualidade, incentivando a adoção da prática.

Pecuaristas que já realizam a terminação intensiva a pasto (TIP) estão investindo na RIP, uma vez que a associação das práticas garante um ganho de peso contínuo e o encurtamento do ciclo produtivo.

Essas técnicas bem difundidas entre os produtores que executam o ciclo completo de produção, aliadas à prática do creep feeding, liquidam o principal gargalo da pecuária de corte brasileira, encurtando o ciclo pecuário, aumentando a taxa de lotação, em consequência, à lucratividade do produtor.

 

 

 

 


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