Em 04/06/2009
Campina Grande(PB) – Grupos de pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba(UEPB) estão fazendo o monitoramento dos 20 maiores açudes paraibanos, para verificar o estágio de contaminação desses mananciais, em decorrência do processo de eutrofização, que é a proliferação de microorganismos nocivos à saúde, decorrentes do excesso de nutrientes em suas águas.
Entre os açudes monitorados estão o Presidente Epitácio Pessoa, no município de Boqueirão, principal manancial de abastecimento d’água de Campina Grande, e outras cidades da região.
Estão envolvidos, também, na pesquisa os açudes Poções, em Monteiro, Camalaú, Congo e Acauã, este último o terceiro maior da Paraíba em volume de água. Acauã é considerado como reserva estratégica para o abastecimento, em caso de colapso no sistema de Boqueirão.
O professor José Etham de Lucena Barbosa, do Departamento de Biologia da UEPB e um dos responsáveis pelo monitoramento, explica que o estudo feito nas águas dos 20 maiores reservatórios revela um dado preocupante: 16 açudes acumulam organismos tóxicos e 20% do pescado cultivado em suas águas, como é o caso da tilápia, apresentam toxinas que são prejudiciais à saúde humana.
No caso específico de Boqueirão, Etham lembra que o Açude tem mais de 50 anos e enfrenta progressivo assoreamento de sua bacia em decorrência da derrubada da vegetação ciliar. Outro problema é o uso de agrotóxicos em plantio de verduras nas cercanias do Açude. “Esses produtos são levados para o interior do reservatório pelo efeito da erosão e têm efeito cumulativo”, salienta.
Etham informa que, de acordo com a Lei do Meio Ambiente, o projeto de monitoramento da qualidade das águas dos açudes, tanto para o consumo humano quanto para o cultivo de pescado, está sendo executado em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande. “É um trabalho parecido com o que foi feito no Lago Paranoá, em Brasília”, explica o pesquisador da UEPB.
Ele participa, em conjunto com a pesquisadora Beatriz Ceballos, da UFCG, do projeto que há cerca de 10 anos vem estudando a microbiologia, hidráulica e biodiversidade dos reservatórios da Paraíba. Trata-se da Ecotoxicologia, vertente da pesquisa voltada ao estudo e à contenção da proliferação de microorganismos que possam, em médio ou curto espaço de tempo, comprometer, em definitivo, a qualidade das águas de açudes de grande e médio porte.
Vegetação ciliar
O professor Etham ressalta que, além do monitoramento dos reservatórios, o projeto prevê o acompanhamento sistemático da sustentabilidade de todo o Rio Paraíba, desde o município de Monteiro, na área onde o rio nasce, até a barragem de Acauã, no chamado Médio Paraíba. Todas as informações levantadas pelos pesquisadores estão compondo um banco de dados destinado a subsidiar o Governo Federal, no projeto de transposição de águas do Rio São Francisco para o semi-árido da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
“O estudo objetiva revelar a qualidade da junção das águas dos reservatórios que receberão futuramente o fluxo resultante de parte das águas do São Francisco, como prevê o projeto já em andamento”, acrescenta o pesquisador. Os mesmos dados coletados nos reservatórios são informados à Agência Estadual de Gestão de Águas da Paraíba e aos prefeitos dos municípios onde eles estão localizados.
Esse levantamento de dados subsidiará as ações destinadas à proteção dos mananciais. Entre as ações sugeridas figuram a recuperação de toda a vegetação ciliar que existia às margens dos açudes; o tratamento dos esgotos das cidades localizadas às margens dos rios Paraíba e Taperoá, tributários do Açude de Boqueirão; proibição do despejo de lixo nas margens desses cursos d’água; e do uso de agrotóxicos no plantio de hortaliças em áreas vizinhas aos açudes.
* Com Ascom UEPB.
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