Em 07/12/2008
João Pessoa(PB) – Cem pares entrelaçados, bocas coladas foi o que se viu no comecinho da tarde em frente a Reitoria da UFPB, em João Pessoa. Tratava-se do beijaço gay realizado em sinal de protesto contra a dita homofobia, tudo porque uma professora se escandalizou ao ver dois rapazes em pleno idilio público, se beijando como se fossem enamorados e pediu compostura, sugerindo que fossem fazer aquilo num motel ou na mata virgem.
O coordenador do primeiro "Beijaço Gay", Alcemir Freire, informou que está sofrendo retaliação, mas que isso não o intimidou a cancelar a realização do protesto que ocorreu por volta das 14h00m desta quinta-feira(04Dez2008).
O "Beijaço Gay" foi promovido pelos estudantes que defendem a liberdade de expressão na UFPB e teve a participação de estudantes de outras universidades, coincidindo com a realização do quinto seminário de educação e de movimentos sociais.
Freire disse que a UFPB já foi notificada pelo Procurador da República, Duciran Farena, para abrir procedimento administrativo contra a funcionária do CCSA, Terezinha Polari – irmã do reitor da UFPB -, por crime de injúria. Ela é acusada de ter tentado coibir a presença de Alcemir e de seu "namorado" em um evento que ocorreu no CCSA na tarde do último dia 12, chegando, segundo afirma Alcemir, a agredi-los moralmente.
"Eu estava abraçado com o meu companheiro quando fui interrompido por Terezinha, que começou a proferir palavras de baixo calão contra nós e outros jovens querendo expulsá-los do local", contou Alcemir.
Como medida preventiva, conforme falam, a farmácia da UFPB permaneceu aberta com seu estoque de bicarbonato, para curar possíveis "sapinhos" paridos pelos chupaços arretados dos autores do protesto.
Convocação
Estudante gay da UFPB está convocando seus coleguinhas a protestarem contra o que ele chamou de preconceito, por ter sido impedido de "namorar" o seu amado numa pracinha ali existente. Segundo nota divulgada pelo rapaz, estava ele com o namorado no bem bom quando apareceu a diretora e mandou parar com a pouca vergonha, com a anormalidade. Em sinal de protesto, está divulgando a nota abaixo, na qual convoca a turma lilás a fazer um beijaço debaixo das fuças da diretora. Leia a nota, com todos os erros e acertos:
"Homofobia e preconceito dentro da UFPB !
Carta de repúdio e convite
Amigos estudantes, sempre idealizei a universidade como um ambiente propício ao debate, ao respeito ideológico e à diversidade. Certamente, o modelo universitário que temos atualmente não corresponde a essa idealização, mas, dentre todos os espaços públicos brasileiros, nenhum local oferece tanto conforto à livre expressão quanto uma universidade. Veja-se, por exemplo, a repressão que essas instituições sofreram durante o regime militar.
Apesar disso , ainda há nestes espaço e agora falo de modo bem específico na UFPB, pessoas que em desacordo com realidade e com os princípios da ética e do respeito a à pessoa humana, pessoas que defendem suas idéias preconceituosas como verdade e sobretudo como direito de humilhar e constranger outras pessoas sem contudo demonstrar qualquer intenção de desculpar-se ou mudar de postura buscando ser mais humana e menos preconceituosa.
Minha convicção sobre a universidade ficou seriamente abalada após um episódio ocorrido comigo e meu namorado na praça do CCSA dia 12 de Novembro de 2008 quando um casal homossexual(eu e ele) estava na praça daquele Centro, abraçados, como compete a qualquer par de namorados, homo ou hétero, que se gosta; quando fomos interrompidos pela truculência homofóbica de uma servidora daquele centro que segundo soubemos depois chama-se Teresa Polari, funcionária da Pós-Graduação em Economia.
A dita servidora aos gritos de “anormais e safados” e com afirmações de que “lugar de veado é na mata”, nos ameaçou dizendo que, “se aquela safadeza continuasse”, ela chamaria o segurança, para nos expulsar daquele local.
Causando estranheza e constrangimento não somente ao casal mas também às outras pessoas que lá se encontravam. Quando foi depois procurada para esclarecer e desculpar-se com os mesmos ela disse que aquilo era sua opinião que não mudaria que nós fôssemos arrumar o que fazer , além disso quando perguntada sobre por que ela só expulsaria a nós dois visto que ali também havia um casal hétero ela disse que eles poderia permanecer ali porque “eles são normais e vocês não!” como pode um servidora da universidade tratar com tanto desprezo alguém, só por causa de sua orientação sexual? Diante da situação resolvi então procurar o professor Guilherme diretor do centro onde a mesma trabalha porém por três vezes não o encontrei.
Fui ainda à ouvidoria da universidade onde mais uma vez também não encontrei ninguém e fiquei como ainda continuo, sem ter a quem recorrer dentro da universidade. Porém este fato me fez perceber que antes de mais nada a universidade não está nem ai para os seus estudantes, sei que o “magnífico” pode até alegar que ’não soube, não viu , nem ouviu, nada sobre o caso’, mas isso é só para livrar-se de assumir que há muitas falhas na UFPB e que dessa forma melhor é se fingir de morto. Para também não ter que penalizar alguém de sobrenome tão ímpar.
Diante disso e da necessidade de mostrar que há ainda outros bravos e destemidos jovens que independente de sua orientação sexual estão dispostos se unir para mostrar que hoje estamos vivendo uma mudança de valores, de paradigmas , de olhares sobre as coisas mas que não abrimos mão do respeito pelo outro, pela pessoa humana, que como é eu também ama e deseja , ensina e sobretudo aprende, batalha e sofre a dor e delicia de ser o que é ,de ser o que quer, e por isso faz a diferença.
Assim estou convidando cada pessoa, independente de sua orientação sexual, para se unir a nós no próximo dia 04 de Dezembro de 2008 as 14h00m no prédio da reitoria, para realizarmos um beijaço de meia hora em protesto contra a homofobia e pela livre expressão sexual dentro UFPB. Pois quero e exijo como estudante universitário e cidadão brasileiro, estudar em um ambiente que proporcione, não só a mim, mas a toda comunidade em geral, a liberdade de ser quem realmente somos, livre de preconceito de qualquer natureza, não importando se somos gays, héteros, negros, brancos, universitários, secundaristas, pós-doutores, analfabetos, cristãos, ateus, umbandistas…".
* Com http://blogtiaolucena.blogspot.com
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