Governador e Arcebispo superam divergências

Em 17/04/2009

Tempo de leitura: 5 minutos


João Pessoa(PB) – O Governador do Estado da Paraíba José Maranhão(PMDB) concedeu audiência no Palácio da Redenção, na manhã desta quinta-feira(16Abr2009), ao Arcebispo do Estado da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, estabelecendo o primeiro encontro dos dois líderes, após a posse do governador no cargo.

O encontro, segundo informações prestadas pelo portal oficial do governo, serviu para o Governo do Estado e a Igreja Católica pudessem discutir a continuidade das parcerias mantidas com a Arquidiocese da Paraíba e um trabalho conjunto visando a implantação de políticas e de segurança públicas, além discutirem as formas de parceria entre o Governo do Estado e a Arquidiocese em prol das famílias que ficaram desabrigadas com as enchentes ocorridas na cidade de Patos e em outros municípios, no início da semana.

Na audiência o Arcebispo Dom Aldo Pagotto revelou que a Igreja Católica pretende colaborar com o Governo do Estado, ajudando aos desabrigados pelas chuvas na cidade de Patos e de outras regiões, bem como a continuidade das parcerias mantidas com a Arquidiocese da Paraíba e a realização de um trabalho conjunto buscando à implantação no Estado de políticas de segurança pública.

Acompanhado do vigário geral da Arquidiocese, Padre Carlos Alberto da Costa e Silva, do Monsenhor Nereudo Freire Henriques, Ecônomo da Cúria Metropolitana, do Monsenhor Edvaldo Araújo e do secretário executivo do Desenvolvimento Humano, Padre Nilson Nunes, Dom Aldo Pagotto disse que levou ao governador José Maranhão(Foto) uma mensagem de paz próprio do período da Páscoa e que este era um gesto que deveria já ter acontecido deste que este assumiu o Governo do Estado no dia 19 de fevereiro último.

A campanha de solidariedade às vitimas das chuvas em Patos será coordenada pelo próprio Dom Aldo Pagotto, devendo contar com a participação da Província Eclesiástica da Paraíba, com a participação de Padre Nilson Nunes, com a mobilização de todas as igrejas. Ficou acertado que o arcebispo fará uma visita às famílias atingidas pelas enchentes.

“Tratamos de políticas estruturais para a nossa Paraíba, como as obras das Várzeas de Sousa, a questão da segurança. Tivemos uma visão cordial do que também podemos viabilizar para o progresso de nossa terra porque se trata de duas instituições que devem trabalhar pelo desenvolvimento integral de nossa terra”, afirmou Dom Aldo(Foto).

Ele informou que também falou com o governador sobre as obras de transposição das águas do São Francisco, destacando os trabalhos realizados pelo Comitê Gestor. Segundo ele, o comitê atua na perspectiva de mobilização, porque a parte de execução está a cargo do governo. Acredita que hoje a obra não conta com tantas resistências como acontecia anteriormente.

Outro assunto discutido entre o governador e o representante da Igreja Católica foi com relação a segurança pública, cuja Campanha da Fraternidade deste ano realizada em todo o país, por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB), abordou este tema, Dom Aldo disse que José Maranhão planeja levar maior número de policiais nas ruas como medida urgente. No entanto, avaliaram a necessidade de se ter ações duradouras como um programa de prevenção ao uso das drogas e a questão do abuso sexual, que deve começar pela conscientização e envolvimento dos pais para educação dos filhos.

Bandeira branca
Além de tratar do problema das enchentes nos municípios paraibanos, a audiência foi vista como um encontro que serviu para selar a paz entre o governador e o arcebispo, que estavam distanciados em virtude do episódio da cassação do ex-governador Cássio Cunha Lima(PSDB), oportunidade em que o arcebispo Dom Aldo, manifestou-se solidário – no momento da cassação – em favor do ex-governador Cássio Cunha Lima, considerando o episódio como que Maranhão estaria usurpando o poder, visto que o mandato era de fato e de direito de Cássio.

Antes de Maranhão assumir o Governo do Estado, Pagotto foi um dos defensores da manutenção do mandato do ex-governador Cássio Cunha Lima(Foto) e chegou a sugerir um levante público pacifico, em protesto contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que cassou o ex-governador.

Após a audiência Dom Aldo revelou que continua com o mesmo pensamento sobre a cassação, no entanto compreende que o momento é de “superar as chagas do passado”, ratificando ainda que Igreja Católica não possui posição partidária, razão pela qual considera importante a manutenção das relações institucionais com as autoridades constituídas. “Vamos esquecer o passado e ajuda no que for preciso para buscar o desenvolvimento da Paraíba”, declarou.

Já o Governador do Estado José Maranhão adotou uma postura lacônica com relação ao que foi dito por Dom Aldo. “Não costumo olhar para trás, pelo retrovisor, o que passou, passou”, definiu.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *