Em 01/05/2009
João Pessoa(PB) – O governador José Maranhão anunciou o lançamento do Prêmio Linduarte Noronha de Curta Metragem, na noite desta sexta-feira(01Maio2009), na Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, durante a solenidade de abertura da 4ª versão do Cineport – Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa.
"Neste momento, tenho a alegria de anunciar o lançamento do Prêmio Linduarte Noronha de Curta Metragem, de cujo edital serão disponibilizados R$ 200 mil para filmes documentários ou de ficção que abordem a cultura paraibana". Foi com estas palavras que o governador concluiu seu discurso, sendo bastante aplaudido pelo público presente a uma das salas de exibição da Usina Cultural Energisa, sede do Cineport, em João Pessoa.
O governador acrescentou tratar-se da primeira iniciativa deste governo em prol da cultura cinematográfica e que se seguirão outras, entre as quais a restauração e adequação técnica do acervo do cineasta e fotógrafo Machado Bitancourt. Linduarte Noronha, um dos homenageados da noite, agraciado com o "Troféu Humberto Mauro", um dos pioneiros do cinema nacional, disse estar surpreso com a criação do prêmio e feliz por mais um estímulo para o cinema paraibano.

O documento que institui o prêmio foi assinado pelo governador José Maranhão, o secretário de Estado da Educação e Cultura, Francisco Sales Gaudêncio, o subsecretário da Cultura, Flávio Tavares, o presidente da Academia Paraibana de Cinema, Willis Leal, e o presidente da Associação Brasileira de Documentaristas, Seção Paraíba, Carlos Dau.
O prêmio instituído pelo Governo do Estado, através da Subsecretaria de Cultura, busca incentivar e fomentar a cultura cinematográfica na Paraíba. Será disponibilizada dotação orçamentária específica para a produção de filmes e película de vídeo digital de curta metragem, documentais ou ficcionais, e para alcançar estes objetivos o estado destinará a quantia de R$ 200 mil para financiamento de projetos que se submeterão a este concurso, a partir do lançamento oficial de edital para este fim. Serão parceiros desse projeto a Associação Brasileira de Documentaristas, Seção Paraíba, e a Academia Paraibana de Cinema.
O evento foi aberto oficialmente por volta das 21h00m, com a participação do governador José Maranhão, do presidente da Energisa Paraíba, Marcelo Rocha e da presidente da Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, Mônica Peres Botelho, e do prefeito da Capital, Ricardo Coutinho.

Os presentes também puderam assistir a exibição de trechos do histórico filme "Sob o céu Nordestino", de Walfredo Rodriguez, considerado o marco zero da produção cinematográfica do cinema paraibano, além de exposições fotográficas e da apresentação da Orquestra de Câmara de João Pessoa que executou ao vivo uma trilha sonora – no momento da exibição do filme – composta pelo maestro Carlos Anísio, feita especialmente para este filme da década de 20. Um público de aproximadamente três mil pessoas prestigiou o show do bandolinista Hamilton de Hollanda, considerado um dos melhores músicos instrumentais do País.
Em seu pronunciamento, o governador parabenizou, na pessoa da presidente e mentora do Cineport, Mônica Peres Botelho, a Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, entidade promotora do evento e mantida pelo Grupo Energisa. Segundo Maranhão, o Cineport, além de promover a Paraíba internacionalmente, é responsável pelo congraçamento do público e do privado para estimular e difundir o cinema de língua portuguesa.
Já o Prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho(PSB) falou sobre a importância do Cineport, que foi trazido pela “andorinha”(símbolo do Festival) até a Capital Paraibana. Falou em fusão de esforço e fusão cinematográfica, sustentabilidade e paz. Agora, segundo ele, a andorinha se aninha em casa – se referindo a João Pessoa – e promove um bom debate sobre cinema. Ricardo lembrou que este é o segundo ano que o Cineport é realizado na cidade, mas não o último e já sente que o Festival faz parte de João Pessoa. “Estamos compartilhando esse momento do Cineport com a Fundação Ormeo Junqueira Botelho e não será a última vez. Sentimos como se esse Festival já fosse nosso”, relatou.
CINEPORT
Instituído pela Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho criou em 2004, o Cineport – Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, que tem como objetivo integrar e desenvolver o mercado audiovisual, promovendo os filmes realizados em português e dialetos falados nas nações que compõem a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
Nesta edição serão homenageados, os diretores Helena Ignez, Linduarte Noronha, Aloísio Teixeira, as portuguesas Isabel Noronha e Teresa Villaverde, os atores Ruy Polanah e Emiliano Queiroz, bem como o coletivo de produção audiovisual parabaiano Las Luzineides.
O DISCURSO GOVERNADOR
"O Governo do Estado sente-se muito honrado em participar deste 4º Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa – CINEPORT, iniciativa que está transformando a Paraíba em referência nacional e internacional da cultura cinematográfica.
Nada é mais justo que a decisão da Fundação Ormeo Junqueira Botelho de trazer para nosso estado a sede deste evento. Tal decisão sem dúvida vem ao encontro da vocação paraibana para o cinema, que remonta ao pioneirismo de Walfredo Rodrigues − um verdadeiro “iluminado”, que, já no começo do século passado, abria caminhos para sucessivas gerações de cineastas.
Se a Paraíba tem seu lugar ao sol na literatura, nas artes plásticas, na música e na dramaturgia, naturalmente o pendor paraibano pelo cinema não poderia estar excluído. Não, o cinema comercial, mas o da inteligência e da criatividade, nascido da juventude freqüentadora dos cineclubes, das associações de críticos e aficionados. Um cinema que, embora produzido com recursos parcos e a partir de um aparato técnico quase artesanal, demonstra até hoje grande força de expressão, notadamente ao registrar a paisagem telúrica e a realidade social de nosso povo, com suas riquezas e limitações, tal como aparecem na literatura de José Américo de Almeida e José Lins do Rego.
O cinema paraibano tem o mérito de ter resgatado as sagas dos descendentes de escravos, em Aruanda; a triste realidade dos Homens do caranguejo; a beleza da paisagem barroca e religiosa dos Romeiros da Guia; a exuberância dos Cajueiros nordestinos; a poética popular de São Saruê e,
Se, no passado, as limitações técnicas e econômicas restringiram a realização de grandes e custosas produções, a criatividade e a capacidade de improvisação por outro lado forjaram a “invenção” de um cinema novo, verdadeiro e poético, de que Aruanda, de nosso Linduarte Noronha − filme internacionalmente reconhecido como um marco do cinema antropológico − é a mais autêntica expressão.
A Paraíba não estaria assim distante de outros centros pioneiros da cinematografia brasileira, a exemplo do ciclo mineiro de Cataguases, cujas raízes históricas se encontam com as nossas neste festival, E é, exatamente, a partir da associação de esforços de instituições públicas e privadas que nosso cinema encontra novos caminhos.
Nos últimos anos, a Paraíba tem se afirmado no panorama cinematográfico, seja pela produção de seus cineastas e a presença de seus atores e técnicos em inúmeros filmes nacionais, seja emprestando sua paisagem luminosa a produções que povoam as telas de cinema e televisão no Brasil e no mundo.
O Governo da Paraíba tem contribuído para a consolidação do cinema local e nacional, colaborando com recursos financeiros e estratégicos, uma tradição que se mantém desde o Governo de José Américo de Almeida, que implantou, pelas mãos generosas de João Córdula − mentor e instrutor de jovens cineastas −, o cinema educativo, que circulou pela Paraíba durante 40 anos.
Mas o grande mérito da cinematografia paraibana é fruto do esforço e da garra de seus cineastas, autores, técnicos, atores e críticos, e também a Universidade Federal da Paraíba, há décadas fiéis a essa difícil arte, que demanda, além de inúmeros talentos, aparatos e recursos muitas vezes inacessíveis.
É por esta razão que, neste momento, tenho a alegria de anunciar o lançamento do Prêmio Linduarte Noronha de curta-metragem, por meio de cujo edital serão disponibilizados R$ 200.000,00(duzentos mil reais) para a produção de filmes documentários ou de ficção, que abordem a cultura paraibana. Trata-se da primeira iniciativa deste Governo em prol da cultura cinematográfica, a que se seguirão outras, dentre as quais a restauração e adequação técnica do acervo do cineasta e fotógrafo Machado Bittencourt.
Quero − na pessoa da presidente e mentora do Festival CINEPORT, Mônica Botelho − parabenizar a Fundação Ormeo Junqueira Botelho, a empresa ENERGISA e sua Usina Cultural, pela realização, na Paraíba, deste evento internacional, que promove o congraçamento do público e do privado, para estimular e difundir o cinema de língua portuguesa.
Quero, ainda, dar as boas vindas e também parabenizar todos os presentes, que, nos próximos dez dias, aqui estarão irmanados em um só propósito: ver e apreciar o cinema em toda a sua dimensão, para assim concretizar o objetivo maior deste grande festival − um presente que a Paraíba agradece e dele espera continuar a usufruir nos anos que virão.
Muito obrigado".
PROGRAMAÇÃO
O Cineport segue até o dia 10 e serão exibidos 160 filmes de longas e curta-metragem em duas salas de exibição. O Festival, que está sendo realizado pela segunda vez na Capital paraibana, apresentou na noite de sexta-feira(01Maio2009) vários filmes como “Brincantes Visionários”, de Elinaldo Rodrigues; “1500 Circular”, de Chico Sales; “Na Luta”, de Afonso Manoel da Silva Barbosa e Enver José Lopes Cabral; “Amanda e Monick”, de André da Costa Pinto; “Uma História de Pescador”, de Lílian Tandaya e “Lúcio Lins de Corpo e Barco”, de André Morais e Jorge Bweres.
Estavam presentes à solenidade de abertura, além do prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho, o governador da Paraíba José Maranhão, artistas e cineastas paraibanos, os atores Emiliano Queiroz – que também será um dos homenageados do Cineport – Silvia Pfifer e Max Fercondine.
Deixe um comentário