Em 06/05/2009
João Pessoa(PB) – O jornalista paraibano Humberto Mesquita lança, nesta quinta-feira(07Maio2009), às 19h00m, na Livraria Esquina das Letras, no Zarinha Centro de Cultura, localizado na Avenida Nego, 140, Tambaú, o romance “Santa Brígida”. Antes da sessão de autógrafos, o autor profere palestra no auditório do ZCC sobre a gênese de sua obra e sua trajetória de escritor e homem de imprensa.
Ao visitar Santa Brígida, a cidade onde nasceu e viveu Maria Bonita, companheira de Virgulino Ferreira, o Lampião, Humberto conheceu o personagem do seu novo livro, “Santa Brígida”. “O livro é uma mescla de ficção e realidade e sua ação transcorre na infância e juventude de Paulo Calixto, que viveu na mesma cidade onde eu morei, no Engenho Gavião, na cidade de Alagoa Grande, na Paraíba”, explica Humberto.
O personagem, segundo o autor, torna-se depois caixeiro viajante e, em uma briga, assassina um devedor. “Jorge Calixto foge e perambula pelas matas do Nordeste, se penitenciando do crime, chegando a Santa Brígida, onde é acolhido como um santo. É aí que a história se desenrola de forma envolvente e contagiante”, ressalta o escritor.
Humberto, que há mais de vinte anos atua em várias emissoras de rádio e televisão de São Paulo, está se dedicando a escrever livros e já começa a criar uma nova obra que terá como título “Coisas que eu vi”.
“Santa Brígida”, na opinião do escritor, traz o panorama do cenário nordestino cheio de contradições. Descreve o cangaço, um movimento que resistiu às forças policiais durante mais de vinte anos e que teve em Lampião sua grande figura.
A obra retrata o universo cultural da região nordestina, descrevendo o funcionamento de um engenho de cana de açúcar, onde seu personagem viveu a infância e a juventude, as feiras e a incipiente agricultura da região.
O personagem central de sua história foi um vendedor de roupas, conhecido popularmente no Brasil como mascate. Após cometer um assassinato, durante uma discussão com um credor, passa a viver como andarilho perambulando pelos lugares mais simples dos sertões nordestinos. Em sua mente está claro que deve pagar por seu erro e acaba por assumir a postura de um líder messiânico.
Sua fama começou a se espalhar e quando chegou a Santa Brígida, com cabelos e barbas longos, o povo o acolheu como se fosse um enviado de Deus. Resolveu então transformar a fisionomia do lugar imprimindo conceitos morais extremamente rígidos, proibindo o fumo, bebidas alcoólicas e os bailes que para ele eram responsáveis pela má conduta da população.
Sobre o autor

Humberto Navarro de Mesquita nasceu em Campina Grande(PB), e deu seus primeiros passos escolares no Liceu Paraibano, em João Pessoa, capital da Paraíba. Aos 16 anos de idade já era repórter esportivo da Rádio Arapuan, e, um ano depois, exercia o cargo de redator na Sport Press e na Rádio Tupi, no Rio de Janeiro(RJ).
Dirigiu a Sucursal da Sport Press, em São Paulo(SP), tornando-se, posteriormente, redator da Rádio Bandeirantes, também da capital paulista. Na TV Excelsior(Canal 9), foi chefe de Reportagem do telejornalismo e produtor do programa “Advogado do Diabo”, apresentado por Osvaldo Sargentelli.
Na “Revista Realidade” escreveu vários artigos e reportagens principalmente sobre o cangaço, onde promoveu encontro de ex-cangaceiros com as figuras da volante que combateu o movimento bandoleiro dos sertões nordestinos.
Nos Diários e Emissoras Associados foi diretor de Redação das rádios Tupi e Difusora, e, nos “Diários Associados”, dirigiu o rádio jornalismo, apresentando, na TV, juntamente com Almir Guimarães, o programa “Pinga Fogo”.
Participou da antológica “O Cruzeiro”, revista nacionalmente conhecida e dirigida por Arlindo Silva. Na TV Bandeirantes foi chefe de Reportagem dos “Titulares da Notícia” e apresentador do programa de debates “Xeque Mate”, além de editor chefe do SBT – Sistema Brasileiro de Televisão, onde apresentou igualmente o programa “Isto é Brasil”.
Foi o primeiro jornalista a mostrar para o Brasil uma praia com vocação para o naturismo,Tambaba, no litoral sul de João Pessoa, que, em função da repercussão do programa, transformou-se na primeira praia nordestina onde se pratica o naturismo. Foi o autor da famosa pergunta ao presidente João Batista Figueiredo que ensejou a resposta: “Abro e quem não quiser que eu abra, eu prendo e arrebento”. Outro grande feito jornalístico foi a entrevista que fez, em Cuba, em 1987, com Fidel Castro.
Realizou ainda muitas pesquisas em todo o Brasil, principalmente nos sertões do Nordeste, onde percorreu os caminhos por onde havia andado Lampião, o “Rei do Cangaço”.
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