Vereador acusa Prefeito de perseguir ex-Prefeito

Em 14/05/2009

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Sousa(PB) – A notícia da demissão de familiares e de aliados políticos ligados aos vereadores da oposição da cidade de Sousa, pelo Prefeito Fábio Tyrone Braga de Oliveira(PTB), provocou reação por parte do vereador Adilmar de Sá Gadelha(Cacá Gadelha/PMDB), filho do médico e ex-Prefeito de Sousa Nicodemus de Paiva Gadelha, um dos citados no pacote de demissões em curso pelo edil sousense.

No início da tarde desta quinta-feira(14Maio2009), o vereador Cacá Gadelha utilizando espaço na Rádio Líder FM de Sousa, durante a programação do noticioso Radar Líder, acusou o Prefeito de estar perseguindo pessoas de renome e tradição da cidade, especialmente na Secretaria Municipal de Saúde, onde estaria para acontecer um maior número de demissões.

Reagindo e prometendo, o vereador(Foto) declarou que irá nos próximos dias fazer uso da palavra no plenário da casa legislativa de “Otacílio Gomes de Sá”, para de forma oficiosa revelar uma série de denuncias relacionadas a administração municipal. Ao vivo, Cacá Gadelha afirmou, que está aguardando tão somente a exposição pública por parte do Tribunal de Contas, da prestação de contas(Balancetes) referente aos meses de Janeiro e Fevereiro do corrente ano, cujo prazo final para apresentação acaba nesta sexta-feira(15Maio2009), para então dar conhecimento a população de Sousa sobre as acusações descritas, a exemplo, segundo afirmou, da existência de empresas laranjas atuando na cidade.

Interrompendo a fala em duas ocasiões, por emoção, o vereador Cacá Gadelha afirmou que doravante pretende estar presente acompanhando a abertura dos processos de licitação e que vai convocar outros colegas com assento no legislativo sousense para acompanhá-lo.

Apartado por ouvintes que prestavam solidariedade ao próprio e ao pai demitido, o parlamentar atribuiu as demissões ao fato de que o Prefeito estaria tentando aprovar, sem êxito”, na Casa de “Otacílio Gomes de Sá”, três projetos nos quais previa a reestruturação administrativa do Daesa(Departamento de Água, Esgotos e saneamento Ambiental), reestruturação do organograma do quadro de pessoal da Secretaria de Saúde e a fixação da remuneração dos cargos comissionados do poder executivo, no que necessitaria de apoio em plenário, de votos de vereadores da oposição para aprovação. Com o projeto praticamente “encalhado”, sem acordo e fora da pauta de votação em sucessivas sessões, sob a justificativa do pedido das bancadas, que vinham tentando um entendimento, o Prefeito solicitou a retirada da pauta de votação do projeto.

Os vereadores da situação chegaram a adotar um posicionamento favorável ao projeto, no entanto de forma condicionada, pleiteando como contra-partida a decisão administrativa do Prefeito Fábio Tyrone de efetuar o pagamento dos salários atrasados, herdados da gestão anterior. Após uma série de reuniões e negociações na câmara envolvendo o vereador líder da situação Aldeone Abrantes junto com os vereadores da oposição e representantes dos Sindicatos dos Servidores, mais uma vez a matéria deixou de ser votada, motivando o pedido de retirada de pauta por parte do Prefeito.

Para o vereador Cacá Gadelha, a demissão do seu pai, o médico e ex-prefeito Cozinho Gadelha e de outros citados, parentes de colegas da bancada da situação, especialmente na Secretaria de Saúde, é atribuída ao fato da matéria não haver contado com o apoio da bancada da situação.

Informações extra-oficiais dão conta que na lista dos que serão demitidos pelo Prefeito Fábio Tyrone, além do médico e ex-Prefeito Cozinho Gadelha, pai do vereador Cacá Gadelha(PMDB) constariam os nomes de parentes dos outros quatro vereadores, Ananias Vieira, Daniel Pinto, Júnior de Nedimar e Denis Formiga, todos do PMDB, integrantes da bancada oposicionista.

Sincronia administrativa
Cumprindo agenda administrativa na capital do Estado, o Prefeito Fábio Tyrone ciente das declarações prestadas pelo vereador Cacá Gadelha, ao programa Radar Líder, confirmou a demissão do ex-Prefeito, pré-anunciada pelo vereador, entendendo como fato administrativo rotineiro, posto que avalia que as demissões são em decorrência do falta de sincronia com o novo modelo administrativo implantado desde a sua posse em Janeiro de 2009.

Sobre os reais motivos das propagadas demissões, Tyrone desconversou lembrou ser uma das atribuições legais imputadas ao cargo de Prefeito, os atos de nomeação e de exoneração, os quais no seu entendimento devem ser feitas de acordo com o interesse da coisa pública.

Falta de diálogo
Para o vereador(Foto) Aldeone Abrantes(PTB), líder do governo, o Prefeito Fábio Tyrone tentou estabelecer uma convivência pacifica mas o vereadores da bancada da oposição os quais, segundo ele, não aceitaram o diálogo. “Como não estamos conseguindo formar um governo de coalisão, vamos fazer o governo dentro da nossa proposta única e a oposição vai exercer a política deles, visto que eles não querem uma convivência política pacífica. O governo acenou para um atendimento, mas eles que não quiseram, mas nos continuamos aberto para o entendimento, desde que eles queiram participar do projeto” assegurou Aldeone acrescentando ainda que “pela primeira vez na história política de Sousa o Prefeito enviou uma proposta de negociação do débito, por escrito, e os vereadores continuaram irredutíveis”.

Ainda segundo o vereador Aldeone Abrantes, o vereador líder da oposição, Daniel Pinto chegou a assinar uma emenda, que possibilitaria a aprovação dos Projetos, no entanto posteriormente os demais radicalizaram, posicionando-se contrários ao firmado.

“A oposição não aceitou diálogo para nenhum dos projetos enviados pelo executivo, o que levou o Prefeito a pedir de volta, sob pena de maiores prejuízos administrativos” desabafou Aldeone disparando contra as declarações do vereador Cacá Gadelha sobre as quais julgou: “as declarações foram feitas de forma emocional, fruto de um político imaturo, porque coincidiu as declarações com a demissão do pai do vereador”, disparou acrescentando “só agora que ele viu falcatrua na Prefeitura. Para mim a denuncia perde consistência. Por que ele só viu na hora que o pai perdeu o emprego e não viu antes”.


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