Em 24/09/2009
Rio Branco(Acre) – O Tribunal do Júri do Acre condenou nesta quarta-feira(23Setembro2009) a 18 anos de prisão o ex-coronel da Polícia Militar do Estado e deputado federal do antigo PFL, cassado, Hildebrando Pascoal, pelo crime da motosserra, impetrado contra o mecânico
Agilson Firmino dos Santos, o Baiano, morto com golpes de motosserra em 1996, no Acre.
O Conselho de sentença acatou em parte a denúncia do Ministério Publico Estadual que havia pedido a condenação máxima, no entanto Hildebrando foi condenado por um crime atribuído ao grupo de extermínio conhecido como esquadrão da morte, liderado pelo ex-parlamentar. O crime ganhou repercussão nacional constituíndo-se como um dos mais bárbaros assassinatos da década de 90.
Para a maioria dos sete jurados acreanos que formaram o conselho de sentença, Hildebrando Pascoal(Foto), segundo a denuncia, é o responsável pela morte do mecânico com tiros na cabeça após sessão de tortura em que a vítima teve os olhos perfurados, pernas, braços e pênis amputados com um motosserra, além de ter um prego cravado na cabeça. Para consumar o assassinato, Hildebrando atirou contra a cabeça de Agilson. O filho da vítima, de apenas 13 anos, também foi assassinado na ocasião .

Cerca de 15 testemunhas foram ouvidas pelo juiz Leandro Gross, entre elas a mulher de Agilson e dois filhos que no dia em que ele foi assassinado chegaram a ser ameaçados e levados para o quartel da PM pelos policiais.
Hildebrando aos 57 anos, encontra-se preso desde 1999 e já foi condenado a mais de 80 anos de prisão por outros dois crimes de homicídios, crimes eleitorais e financeiros, além de
tráfico de drogas.
O ex-coronel da PM foi eleito deputado estadual pelo Acre nos anos de 1995 e 1999 e em 1998, foi eleito deputado federal, ficando menos de um ano no cargo, em função das denúncias apuradas pela CPI do Narcotráfico.

O Ministério Público havia pedido condenação máxima a Hildebrando Pascoal, de 30 anos, por homicídio triplamente qualificado. Os promotores também pediram que o ex-deputado pagasse à família da vítima indenização de R$ 500 mil, o que foi negado pelo juiz.
O juiz Leandro Leri Gros, em sua justificativa disse que "as circunstâncias da morte da vítima revelam insensibilidade do acusado".
Caso o ex-deputado seja preso, não passará nem três anos na penitenciária. Um primo de Hildebrando e um ex-policial do Acre, também acusados do crime, foram absolvidos pelo júri popular. Foram julgados
o sargento da PM Alex Fernandes Barros e o funcionário publico Adão Liborio.
Esta foi a oitava condenação imposta a Hildebrando. O Promotor
Álvaro Pereira
defendera a pena máxima: 30 anos.
Na terça-feira(22Setembro2009), Hildebrando se declarou preso político e no tempo de interrogatório que teve para promover a autodefesa atacou antigos adversários. O ex-ceputado federal acusou de perseguição política o desembargador Gercino José da Silva, ex-presidente do Tribunal de Justiça e atual Ouvidor Agrário Nacional. No depoimento, citou ainda outros que considera como desafetos, como o ex-governador Jorge Viana e o ex-procurador-geral da República no Acre, Luiz Francisco Fernandes de Souza.
O réu Pedro Pascoal Duarte Pinheiro Neto, irmão de Hildebrando, também seria julgado por suposta participação no crime, mas apresentou um atestado médico revelando que não se encontrava em condições, ficando o julgamento adiado para a próxima segunda-feira(28Setembro2009) .
O advogado de Hildebrando, o criminalista Sanderson Moura, adiantou que irá recorrer. Seu cliente retornou ao cárcere que o hospeda desde 1999, em Rio Branco.
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