Palocci pede demissão e senadora Gleisi Hoffmann assume Casa Civil

Em 07/06/2011

Tempo de leitura: 6 minutos


Anúncio foi feito no fim da tarde desta terça-feira(07Junho2011), após governo avaliar que permanência do ministro tornou-se insustentável.

Brasília(DF) – Chefe da Casa Civil até esta terça-feira(07Junho2011), Antonio Palocci está fora do governo. Mesmo após a Procuradoria-Geral da República ter decidido arquivar os pedidos de investigação sobre a evolução patrimonial do ministro, a avaliação do governo foi a de que a escalada da crise tornou sua permanência no cargo insustentável. No fim do dia, foi comunicado à direção do PT que o nome para a vaga é o da senadora Gleisi Hoffmann(PT-PR).


Senadora Helena Hoffmann coma Presidente Dilma Vana Rousseff e o Ministro das Comunicações Paulo Bernardo Silva, esposa da nova Ministra Chefe da Casa Civil.

A presidenta Dilma Rousseff convocou uma reunião com seu núcleo mais próximo no governo para definir como seria o rearranjo na Esplanada dos Ministérios. Em tese, a presidenta deve manter a atual configuração do governo.

Casada com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a senadora de 45 anos tomou a iniciativa de comunicar o PT que recebeu o convite e disse que confirmou a decisão de aceitar a nova função. Gleisi foi o último nome a entrar nas negociações para a vaga. Antes dela, foram sondadas opções como a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e até mesmo seu marido, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Conhecida nos corredores do Congresso pela beleza, Gleisi(Foto acima) rejeitou o rótulo de musa em uma entrevista concedida ao iG em abril deste ano. "Não sou musa do Senado. Sou uma mulher que se cuida", disse. Gleisi exerce atualmente seu primeiro mandato de senadora.

Saída
A saída de Palocci foi confirmada em nota divulgada no fim do dia pela Casa Civil. O documento diz que o ex-ministro "considera que a robusta manifestação do Procurador-Geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais".

Embora a versão oficial seja a de que Palocci(Foto acima) pediu demissão, o ministro segurou-se até o último minuto no cargo. Só saiu depois que a presidenta avaliou que não havia mais condições políticas de mantê-lo no ministério.

A saída ficou evidente quando senadores da base aliada começaram a assinar nesta tarde o pedido de criação de uma CPI para investigar a evolução patrimonial do ministro. A percepção geral no Planalto foi a de que uma investigação congressual contaminaria todo o governo e poderia provocar um estrago ainda maior.

Outro ponto que jogou contra a Palocci foi a resistência da bancada petista no Senado em fazer uma manifestação formal de apoio ao ministro, a exemplo do que fez a executiva nacional do PT na semana passada. A avaliação de setores do PT é a de que Dilma deve registrar uma queda de aproximadamente 15 pontos nas pesquisas de popularidade do governo, em decorrência da crise aberta por Palocci.

Leia a íntegra da nota da Casa Civil:

A Casa Civil confirmou em nota a saída do ministro, no fim da tarde. Leia abaixo a íntegra do documento.

O ministro Antonio Palocci entregou, nesta tarde, carta à presidenta Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do governo.

O ministro considera que a robusta manifestação do Procurador Geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta.

Considera, entretanto, que a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento.

Biografia

De família de origem alemã e catarinense, Gleisi Helena Hoffmann é formada em Direito na Faculdade de Direito de Curitiba, com especialização em Gestão de Organizações Públicas e Administração Financeira. Esposa do político Paulo Bernardo, tem dois filhos. Seu primeiro matrimônio foi com o jornalista Neilor Toscan.

Carreira política
Gleisi Helena Hoffmann teve o PC do B como o primeiro partido político, herança do seu período no movimento estudantil.

Durante o período de graduação, passou a atuar como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná. Em seguida, integrou a assessoria do então vereador Jorge Samek, de Curitiba, o mesmo que a levou para a Itaipu Binacional e, mais tarde, ao PT.

Integrante do PT desde 1989, foi secretária de Estado no Mato Grosso do Sul na gestão de Zeca do PT e secretária de Gestão Pública da prefeitura de Londrina. Compôs, em 2002, a equipe de transição de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, onde seria nomeada a diretora financeira da Itaipu Binacional. Ali permaneceu até início de 2006, ano em que disputaria seu primeiro cargo eletivo. Na disputa por uma vaga ao Senado Federal não obteve êxito apesar de expressiva votação.

Tornou-se presidente do PT no Paraná e, em 2008, candidatou-se à prefeitura de sua cidade natal, Curitiba, mas obteve o segundo lugar com 18,17% do votos, derrotada por Beto Richa.

Em 2010, disputou novamente o cargo de senadora, elegendo-se desta vez como a mais votada, juntamente com Roberto Requião.

Casa Civil
Com o pedido de demissão de Antonio Palocci em 7 de junho de 2011, Gleisi Hoffmann foi no mesmo dia indicada Ministra da Casa Civil.

A indicação de Gleisi Hoffmann para a Casa Civil significa o início de uma mudança no perfil do governo, que passa a ser mais técnico com a saída de Palocci e a entrada da ex-diretora da Itaipu Binacional. Segundo os observadores políticos, Gleisi deverá ser “a Dilma da Dilma”, ou seja, a executiva do governo, papel que a atual presidente exerceu no governo de Lula. A posse da nova ministra está marcada para às 16h00m desta quarta-feira(08Junho2011).

No Senado Federal, Gleisi vinha se destacando como uma espécie de “líder informal do governo”, já que fazia intervenções e apartes a favor do governo federal a todo o momento, sem deixar nenhum ataque da oposição sem resposta. Chegou inclusive a trocar “farpas” por mais de uma vez com o líder do PSDB, senador Alvaro Dias.

A Casa Civil é órgão diretamente ligado ao Chefe do Poder Executivo de uma federação ou unidade da federação. Por fazer parte da estrutura do Poder Executivo, pode possuir status de ministério ou secretaria de governo, conforme se refira ao poder executivo federal ou estadual.

Devido à ligação direta com o Chefe do Poder Executivo nos regimes presidencialistas, o Chefe da Casa Civil geralmente é considerado o ministro mais importante, podendo ser comparado à figura do primeiro-ministro nos regimes parlamentaristas, embora as funções de primeiro-ministro sejam efetivamente exercidas pelo Presidente da República num regime presidencialista, em que o presidente é ao mesmo tempo Chefe de Governo e Chefe de Estado.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *