Em 26/10/2012
João Pessoa(PB) – João da Costa, Marcelo Marcos da Silva e Gilvanete Vidal de Negreiros Asfora, acusados da morte do advogado e ex-vice-governador do Estado Raimundo Yasbeck Asfora, devem ir a novo júri popular ainda este ano. De acordo com o juiz Alberto Quaresma, do 2º Tribunal do Júri de Campina Grande, existe a possibilidade de o processo ser incluído na pauta do mês de dezembro.
O magistrado explicou que o Tribunal de Justiça da Paraíba anulou o primeiro julgamento, determinando que os acusados fossem novamente a júri popular. O Conselho de Sentença havia absolvido os réus, com base na tese de suicídio, enquanto que nos autos há perícia técnica apontando para homicídio, sendo a decisão contrária à prova dos autos, no entendimento do TJ.

“Esse crime ocorreu em 1987, e só agora está chegando às minhas mãos, para que eu possa verificar a possibilidade de colocar em uma nova pauta, para um novo julgamento”, disse Alberto Quaresma.
Segundo consta no processo, que possui 14 volumes, Raimundo Asfora foi encontrado morto no dia 6 de março de 1987, dentro de sua residência, na granja Uirapurú, no bairro do Bodocongó, em Campina Grande. À época, o Ministério Público denunciou os acusados, que foram incursos nos artigos 121, parágrafo 2º, incisos I, IV e V(homicídio qualificado) e 29(concurso de pessoas) do Código Penal.

O juiz Alberto Quaresma disse ainda que o processo havia sido devolvido, há pouco tempo, pelo promotor de Justiça Oswaldo Barbosa, que solicitou a intimação dos peritos criminais Domingos Techetto, especialista em balística, e Genival Veloso de França, professor de Medicina Legal, pelo fato deles terem apresentado laudos periciais se contrapondo aos já existentes no processo.
* Com Lila Santos – TJPB/Gecom.
"Ele era como um pai para mim", diz réu
Na edição do Jornal O Norte do domingo(22Maio2011), o fotógrafo Marcelo Marques, réu no caso, disse que está vivendo, desde a época do fato, amargura e angústia, não somente pela morte do tribuno, do qual foi sempre admirador, mas pela condição de suspeito num suposto assassinato de um homem, a quem o amava como um pai. Ele disse que começou a andar com Asfora quando tinha 12 anos de idade; a partir de 1958, na campanha do então prefeito cassado pela ditadura militar, Newton Rique.
De acordo com Marcelo, muitas são as lembranças de Asfora, dentre elas a coluna que ele escrevia no jornal Diário da Borborema, intitulada "Malhando em Ferro Frio". Ele disse que a sua convivência com o poeta era de família. "Eu lembro em sua casa, num dia de aniversário da sua filha, quando ele me puxou pelo braço e disse: ‘Marcelo é o irmão que eu nunca tive e o filho que gostaria de ter. Quando eu me lembro disso fico emocionado. Eu só fui gente com Asfora. Ele era como pai para mim. Ninguém mata um coração pelo qual sempre sobreviveu!", disse o fotógrafo.

É costume de Marcelo, todos os domingos, visitar o túmulo de Raymundo Asfora, no cemitério do Monte Santo. Em média, o fotógrafo disse passar cerca de meia hora diante do túmulo rezando e lembrando a sua história. Apesar ter sido como filho para o ex-vice governador e ter andado e morado com ele, o acusado não estava presente no dia do fato. "Eu não matei Asfora, mas gostaria de morrer por ele", finalizou Marques.
1987 – Suicídio ou homicídio?
O caso Asfora ganhou repercussão nacional e gerou desdobramento com a suspeita de homicídio. Em 1999 a viúva do ex-líder político, Gilvanete Vidal de Negreiros Asfora, o fotógrafo Marcelo Marcos da Silva e o caseiro João da Costa, apontados como suspeitos, foram a júri e inocentados, mas uma decisão tomada pela ministra Maria Thereza de Assis Moura, do STJ, determinou um novo julgamento, negando assim provimento ao recurso especial impetrado pelo advogado Henriquimar Dutra, que atua na defesa dos acusados.
O ponto mais contundente é a suposição do médico legista e advogado Genival Veloso. Considerando o ponto de impacto da arma contra a vítima, ele entende que o poeta possa ter sido assassinado. Segundo Veloso, caso contrário, o impacto do disparo teria jogado o corpo de Asfora para uma outra posição diferente da registrada pela imprensa, na qual o tribuno se encontra debruçado.
Por este motivo, levantou-se a suspeita de que ele teria sido morto à queima roupa. Félix Araújo, bem como o e advogado Eilson Ramos, que acompanharam o fato de perto, discordam da condição de homicídio. Eles disseram que Asfora, na época, já tinha tentado suicídio outras vezes. "Eu mesmo cheguei a tirar um revólver da sua cabeça. Estava com problema sentimental, dizia que estava sendo traído e por isso deu cabo à sua vida", disse Félix.
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