Pesquisadores da UFPB alertam sobre branqueamento de corais

Em 19/05/2020

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Caso a situação continue por mais dois meses, existe uma séria ameaça à biodiversidade do ecossistema, diz o estudo.

Um estudo de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba(UFPB) constatou que os recifes de corais marinhos no estado estão passando por um gravíssimo processo de branqueamento. De acordo com os pesquisadores, caso a situação continue por mais dois meses, existe uma séria ameaça à biodiversidade do ecossistema. Os corais mais afetados no litoral paraibano estão na praia do Seixas, em João Pessoa. Das 1,1 mil colônias monitoradas, 93% estão totalmente branqueadas, diz o estudo.

Segundo o estudo dos pesquisadores do Laboratório de Ambientes Recifais e Biotecnologia com Microalgas da UFPB, os corais mais afetados no litoral paraibano estão na Praia do Seixas. Já no Bessa, também na capital, em monitoramento feito entre março e maio, os pesquisadores observaram que 90% dos corais estavam branqueados.

Até janeiro, das 3,6 mil colônias monitoradas, 48% estavam saudáveis, 38% branqueadas e 13% doentes. Ou seja, há aumento vertiginoso do processo de branqueamento, segundo os pesquisadores.

Segundo a Coordenadora do Laboratório e professora do Departamento de Sistemática e Ecologia, Cristiane Francisca Costa Sassi, o branqueamento dos corais não significa que eles estão mortos, mas que estão debilitados e vulneráveis. “Os corais daqui do nosso estado da Paraíba correm risco de morrer, caso o estresse que provocou o massivo branqueamento perdure por mais de três meses”, disse a professora.

Segundo a professora Cristiane Sassi, esse evento de branqueamento ocorre ciclicamente, mas agora está se tornando mais frequente, assim como as anomalias térmicas estão ocorrendo com maior intensidade. Como o branqueamento já perdura por cerca de três meses nos recifes paraibanos, os pesquisadores temem que isso dificulte a recuperação dos corais.

Os corais são animais marinhos que fazem associação com as zooxantelas, microalgas que vivem em seus tecidos. Essas microalgas são responsáveis por 70% da alimentação dos corais. Além disso, são a fonte do oxigênio que eles necessitam para sobreviver e são responsáveis por sua coloração, pois o tecido do coral é translúcido.

O branqueamento ocorre quando os corais perdem ou expulsam suas zooxantelas. Com isso, eles perdem sua fonte de alimento e de oxigênio que necessitam para sobreviver, assim como sua coloração.

Conforme a professora Cristiane Sassi, a exploração descontrolada do turismo natural está entre as razões da degradação dos corais e várias causas são apontadas por provocar o branqueamento: as de origem local, como poluição marinha, alta taxa de sedimentação, pisoteio e outras ações negativas do homem; e as de origem global, principalmente o estresse térmico, com elevação da temperatura dos oceanos.

A equipe do projeto é formada por alunos dos cursos de Ciências Biológicas, Engenharia Ambiental, Mídia Digital e Psicopedagogia da UFPB. Além da coordenadora, outros dois professores estão envolvidos: Roberto Sassi e Viviany Pessoa.

A ideia é entregar aos órgãos públicos ambientais os dados levantados e fazer sugestões para a gestão desses recifes. Uma das propostas é a ordenação do turismo com a implantação de um programa permanente de ações educativas para orientar os visitantes quanto à prática de condutas conscientes ao visitarem as piscinas naturais. As atividades podem ser acompanhadas pelo perfil do projeto no Instagram.

VÍDEO
Clique aqui e confira o vídeo "O Pesadelo Branco" (The White Nightmare), um alerta sobre o branqueamento em massa de corais nos recifes do Nordeste brasileiro produzido em abril de 2020.