Balanço do governo entre demissões e admissões indica alta do desemprego

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Em 26/05/2020

Tempo de leitura: 4 minutos

Fontes do Ministério da Economia afirmam que equipe detectou leve aumento nas demissões, mas uma queda acentuada das contratações após início da pandemia. 

A equipe econômica do governo já nota os efeitos da pandemia do coronavírus no mercado de trabalho formal. Há aumento do desemprego já a partir de abril. Com a desaceleração da economia, as contratações com carteira assinada diminuíram, o que traz queda no ritmo de recolocações e aumenta a desocupação dos brasileiros.

Segundo fontes do Ministério da Economia, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados(Caged) deve voltar a ser divulgado, depois de quase cinco meses, até o fim desta semana.

As informações não são animadoras. O ritmo de demissões aumentou e as admissões arrefeceram. Na lógica de um mercado de trabalho dinâmico, no qual desligamentos e contratações acontecem aos milhares diariamente, é exatamente este movimento que anuncia um ciclo de alta do desemprego.

A volta da publicação do Caged também acenda uma luz que foi apagada desde o fim do ano passado. Tradicionalmente divulgado todos os meses, o indicador havia sumido das publicações do governo desde dezembro. E, no fim do ano passado, o último dado disponível do Caged, o Brasil tinha um estoque de 39 milhões empregos com carteira assinada.

Este volume, o maior da série histórica, foi resultado de uma estabilidade da curva de demissões durante todo 2019 e da aceleração da de admissões. Enquanto que a média de desligamentos permaneceu próxima de cerca de 1,3 milhão de pessoas por mês, a de contratações oscilou mais, mas chegou a alcançar 1,5 milhão de novos empregos com carteira por mês. Isso mudou em 2020 após o início da crise, causada pela pandemia do novo coronavírus(Covid-19).
A queda nas contratações em 2020, resulta em fechamento de postos de trabalho e, consequentemente, no aumento da fila do desemprego. A tendência é que a prevista depressão econômica – estimada em um tombo de 5,9% do PIB de acordo com o Boletim Focus desta segunda-feira(25Maio2020) – deteriore ainda mais o mercado de trabalho formal.

A preocupação maior está no fato de que é uma característica do emprego no Brasil ser um dos últimos fatores a serem afetados por crises econômicas. A explicação está na burocracia e custo para demitir – muito mais alto do que em outros países. O problema é que a dificuldade para demitir se transforma na postergação da decisão de contratar quando a economia retoma, deixando mais lento o processo de geração de empregos.

Mesmo sem os dados oficiais do desemprego – que não são divulgados desde janeiro pela área econômica – o Ministério tem medido as demissões pelos pedidos de seguro-desemprego. Segundo o último balanço de pedidos de seguro-desemprego, houve um aumento de 9,6% nas solicitações entre janeiro e a primeira quinzena de maio, entre o mesmo período do ano passado. Isso significa cerca de 250 mil pedidos a mais de seguro-desemprego.

Na avaliação da equipe econômica, apesar de o salto no número de pedidos não ser tão grande – como acontece em outros países, como os Estados Unidos – será o volume de admissões que definirá o ritmo de aumento do desemprego. Será exatamente isto o que o Caged mostrará nos próximos dias.

Na avaliação da equipe econômica, a trajetória só não será pior porque as medidas engendradas para combater a perda de postos formais têm se mostrado eficazes. O programa de redução de jornada ou suspensão de contratos, chamado de Bem, já foi pactuado para 8,1 milhões de trabalhadores até esta segunda-feira(25Maio2020).

Esses funcionários da iniciativa privada, além de manterem os postos de trabalho durante a vigência das medidas – que variam de dois a três meses -, conquistam estabilidade e impedem que a curva mostra uma ascensão rápida do desemprego.


Tags: Economia

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