Pesquisa indica preferência por destinos nacionais no pós-pandemia

Em 27/05/2020

Tempo de leitura: 3 minutos

Estudo da Braztoa em parceria com a Universidade de Brasília aponta a preferência de 60% dos consultados por viagens domésticas. Dados revelam, ainda, que operadoras de turismo pretendem comercializar viagens dentro do país ainda em 2020.

A procura por destinos nacionais deve marcar a retomada do mercado de viagens no Brasil após o fim da pandemia do novo coronavírus. É o que revelam pesquisas divulgadas nesta terça-feira(26Maio2020) durante um seminário online(webinar) promovido pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo(Braztoa) que contou com a participação de especialistas da Universidade de Brasília(UnB).

Segundo um dos estudos, realizado em parceria com o Laboratório de Estudos em Sustentabilidade e Turismo da UnB(LETS) e a consultoria Amplia Mundo, locais no próprio país representam 60% das preferências dos brasileiros ainda para 2020. Conforme a consulta, que ouviu 1.136 pessoas de todos os estados, com grande experiência na área, o Nordeste é alvo de 21,8% das escolhas, seguido do Sudeste(19,8%), do Sul(9,6%), do Centro-Oeste(5,7%) e do Norte(3,4%).

Já dados da Braztoa mostram que 70% das operadoras pretendem aumentar a oferta de destinos nacionais. Conforme a pesquisa da entidade, 17% planejam iniciar vendas focadas no Brasil e 58% preveem a comercialização de viagens nacionais no segundo semestre. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, avalia que os resultados indicam a necessidade de atenção ao mercado doméstico, uma das metas do governo federal.

Estamos desenvolvendo uma campanha para estimular o brasileiro a visitar destinos no próprio país, de forma a ajudar na retomada e permitir que o turismo continue tendo um forte papel no desenvolvimento econômico e na geração de emprego e renda. Os nossos esforços também incluem ações como o incentivo ao turismo rodoviário, utilizando rotas do programa Investe Turismo para permitir a conectividade com outros modais de transporte e facilitar a busca por roteiros integrados”, adianta o ministro.

De acordo com números divulgados na conversa, 70% dos entrevistados mantêm a intenção de viajar ainda este ano e 56% dos consultados optam por apenas adiar planos. Os dados reforçam a campanha digital “Não cancele, remarque!, desenvolvida pelo Ministério do Turismo. A ação busca proporcionar a manutenção de pacotes e serviços contratados, permitindo a preservação de milhares de postos de trabalho no segmento. (Acesse aqui).

SEGURANÇA

A necessidade de se garantir segurança e informações claras ao turista quanto a protocolos de higiene e limpeza foi um dos assuntos abordados durante o bate-papo online. Helena Costa, mestra em Turismo e líder do LETS, destacou a importância de iniciativas como o selo “Turista Protegido”, primeira etapa de um programa do MTur que criará diretrizes sanitárias para as diferentes atividades do setor.

É isso que outros destinos estão fazendo, como Portugal. Você vê a quantidade de planos de viagem, as pessoas ainda estão preferindo adiar a cancelar. Então, faz sentido aumentar essa sensação de segurança, com bons protocolos e que sejam claramente comunicados”, frisou Helena, que destacou a colaboração de representantes da Rede de Inteligência de Mercado no Turismo(RIMT), coordenada pelo MTur, no debate sobre novas tendências do setor.

A transmissão desta terça-feira(26Maio2020) também contou com a participação de Marina Figueiredo, vice-presidente da Braztoa, e das pesquisadoras Anastasiya Golets e Jéssica Farias, da UnB. O diálogo integra uma série de seminários virtuais da Braztoa, que discute o turismo no pós-pandemia. O projeto reúne diversos especialistas nacionais e internacionais do ramo para avaliar o atual momento de dificuldades e projetar cenários futuros em relação ao mercado de viagens.


RESULTADOS
Segundo a Braztoa, que consultou operadores entre 8 e 15 de maio, as vendas realizadas por 80% das empresas que conseguiram comercializar serviços em abril equivalem a, no máximo, 10% do registrado no mesmo mês de 2019.

Os dados também revelam que apenas 24% delas contrataram viagens com embarque até julho deste ano. O quadro indica perdas de 90% no faturamento do ramo no período, o equivalente a cerca de R$ 1 bilhão.