Em 03/08/2020
Operadoras reduzem reajustes na renovação dos contratos para manter os negócios.
Entre março e maio deste ano, os primeiros meses da pandemia no país, 283,6 mil pessoas perderam o plano de saúde e 518,7 mil deixaram de ter convênio odontológico.
A maior parte dessa perda refere-se a funcionários que foram demitidos por causa da crise e perderam, assim, o benefício. A expectativa é que esse movimento de cancelamento de planos continue pelo menos até agosto.
Trata-se de uma queda histórica considerando um período tão curto. A crise anterior do setor, reflexo da mais grave recessão enfrentada pelo país, começou em 2015 e se estendeu até 2017 – nesse período 3 milhões de pessoas ficaram sem planos de saúde.
Na época, a cada mês, em média, 83 mil pessoas perdiam o convênio médico. Agora na pandemia esse número cresceu para 142 mil por mês.
Neste ano, o mercado de planos dentais, historicamente mais resiliente do que o de convênios médicos, também é afetado. Além das demissões, muitos trabalhadores que tiveram redução de salário cortaram o benefício para ajustar o orçamento.

A OdontoPrev, maior operadora dental do país, perdeu 274 mil usuários no segundo trimestre o que foi classificado pela companhia como uma queda sem precedentes.
Nesse cenário, as operadoras de planos de saúde estão abrindo mão do reajuste e até concedendo descontos, para não perder clientes mesmo com uma inflação médica que bateu em 13,86% em 2019.
Esse percentual está 3,5 pontos percentuais acima do registrado em 2018 e 2017, segundo levantamento realizado pela consultoria Arquitetos da Saúde que analisou as despesas médicas e hospitalares dos 47 milhões de usuários de planos de saúde no país.
É a primeira vez que um estudo desse tipo considera toda a base de pessoas com convênio.
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