Afya adquire integralidade da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba

Em 21/08/2020

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A Afya, grupo educacional especializado em cursos de saúde e medicina que tem suas ações negociadas na Nasdaq, em Nova York, anunciou na noite desta quinta-feira(20Agosto2020), a aquisição integral da Faculdade de Ciências Médicas, localizada em João Pessoa (PB), pelo valor de R$ 380 milhões.

A transação será efetuada em duas parcelas: 50% na finalização do acordo e os outros 50% em quatro parcelas que serão quitadas até 2024, ajustadas com a taxa CDI.

Estamos felizes que adquirimos outra operadora de cursos médicos bem atrativa”, diz Virgilio Gibbon, CEO da Afya. “Expandir nossos negócios via aquisições é um componente bem importante da nossa estratégia de crescimento articulada com o IPO no ano passado. Já adicionamos mais de 570 vagas, ou 57% do nosso objetivo de adicionar mil novas matrículas em um período de três anos”, continua o executivo, elogiando que todas as aquisições feitas adicionaram crescimento de receita e expansão na margem da empresa.

A Afya ressalta que a Faculdade de Ciências Médicas tem projeção de receita líquida de R$ 107 milhões em 2024, quando a instituição vai chegar a um ponto de maturidade, representando uma sinergia de 6,3 vezes o valor sobre o Ebitda.

Plano de expansão

Criada a partir da fusão da NRE Educacional, maior grupo de faculdade de medicina do país, com a Medcel, marca de cursos digitais preparatórios para provas de residência médica, em 2019, a Afya tem se consolidado no setor de educação médica no Brasil.

A empresa abriu capital nos EUA no ano passado, numa oferta de ações que levantou US$ 300 milhões na Nasdaq. O CEO do grupo, Virgilio Gibbon, pontuou que a empresa está preparada para enfrentar a crise. O lucro líquido ajustado cresceu 132% no primeiro trimestre, para R$ 124 milhões.

A crise ampliou o uso da nossa plataforma de ensino online, que já existia, mas ampliamos a quantidade de cursos para atender à nova realidade, como o curso de condutas para emergências em Covid-19. São iniciativas gratuitas”, disse a companhia. “Nosso modelo de negócio é bastante resiliente”.

Ele explicou que o aumento da receita no primeiro trimestre, de 27%, foi apoiado no processo de “maturação” dos cursos. Ou seja, cursos que existem há pouco tempo, passaram uma oferta de vagas no primeiro ano e, agora, no segundo ano, mais um vestibular, o que aumenta a base de alunos – crescimento orgânico.

O executivo afirmou que o grupo deu um financiamento sem custo, parcelando as mensalidades, para os alunos cujas famílias estão com dificuldades financeiras por causa da crise. O tíquete médio da Afya, de acordo com Gibbon, é entre R$ 7 mil e R$ 8 mil.

A gente gostaria de estar presentes com uma cobertura nacional. Nossa estratégia de expansão inorgânica vai em ativos que podem complementar nosso posicionamento na região. A gente gosta de atuar em pequenas e médias cidades no interior do Brasil. O Brasil hoje não tem falta de médicos, tem concentração de médicos”, disse.

Hoje, a Afya está em 18 cidades e em 8 estados: Pará, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Tocantins e Rondônia. São 21 unidades, sendo 13 faculdades e 6 centros universitários.

O grupo também tem uma plataforma online da Medcel que oferece a alunos de todo o país cursos preparatórios para prova de residência médica, títulos e especializações. Ao todo, a Afya tem mais de 36 mil alunos apenas na graduação.

Desde 2016, o fundo Crescera, anteriormente chamado Bozano, é sócio da NRE Educacional e da Medcel. O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez parte do quadro executivo do Crescera até dezembro de 2018, mas deixou a sociedade na gestora para fazer parte do governo, antes do IPO da Afya.


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