CNBB critica médicos e condena aborto legal

Em 21/08/2020

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Nota em que bispos se posicionam contra interrupção de gravidez de menina de 10 anos estuprada pelo tio terá que ser lida em igrejas de quatro estados.

O Conselho Episcopal Regional Nordeste 2(Conser), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB), emitiu ontem uma nota criticando a interrupção da gravidez em uma criança de 10 anos, que foi estuprada por quatro anos pelo próprio tio, e convidando fiéis católicos a fazer em uma reflexão “sobre a vida e sobre os valores que a regem”. O documento deverá ser lido em todas as igrejas de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte no domingo(23Agosto2020).

O procedimento foi amparado pela legislação e autorizado pela Justiça do Espírito Santo, onde médicos alegaram não haver condições técnicas para sua realização. Além de expor a criança a trauma, a gravidez punha sua vida em risco. O aborto virou motivo de tumulto quando grupos religiosos se concentraram em frente ao Cisam, no domingo(16Agosto2020), e tentaram impedir a entrada dos médicos. Alguns chamaram a criança de assassina. A menina já recebeu alta e voltou para seu estado.

No texto, os bispos reafirmam que acompanharam “com o coração inquieto e perplexo o caso”. Dizem ter ciência de casos excepcionais para a prática do aborto, como o da criança em questão, mas acreditam que “isso não altera o juízo ético sobre o aborto. Embora casos reais como este apresentem dificuldades reais e dramáticas de escolha, o valor da vida humana inocente não deve ser diminuído”.

Os bispos também ressaltaram que “os profissionais da saúde, apelando para o legítimo direito de objeção de consciência, devem lembrar do solene juramento de Hipócrates: ‘A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal, nenhum conselho que induza à perda. Do mesmo modo, não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva’”.

A Conferência Nacional também não nega os problemas psicológicos que podem ser causados após uma gravidez gerada por meio de violência, porém aposta em “meios terapêuticos” para sanar os traumas, “seja praticando as terapias disponíveis, seja monitorando de perto o progresso da gravidez, ou até mesmo antecipando o parto, assim que houvesse esperança de que a criança sobrevivesse”.

Em outro trecho da nota lê-se: “A referida criança, embora concebida em circunstâncias dramáticas, era inocente e sua vida deveria ser protegida como a de qualquer outro ser humano. A criança-mãe sofreu violência sexual, mas o aborto provocado não era a única solução”.


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