Masturbação feminina: quando o excesso pode ser prejudicial para sua vida?

Em 14/10/2020

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A atual quarta onda do feminismo trouxe como prioridade máxima o empoderamento – através, principalmente, de expressões de encorajamento como “meu corpo, minhas regras“. Por essa razão, nunca se falou tanto em masturbação, assunto que por séculos e séculos era associado somente aos homens. Ela vem sendo cada vez mais valorizada como uma ferramenta importante não só de prazer da mulher, mas de autoconhecimento e liberdade.

Em tempos de isolamento social devido à pandemia do coronavírus, a masturbação também tem sido bastante recomendada por especialistas em saúde e sexualidade como uma forma de driblar a ansiedade e garantir o bem-estar.

A masturbação, em geral, é uma boa prática. Faz parte do aprendizado sexual e da descoberta sobre os estímulos e toques que prefere. No entanto, o excesso pode ser um problema quando vai se tornando uma possível compulsão, fazendo com que a pessoa deixe de fazer certas atividades para se estimular.

E quando perceber excessos? A prática pode viciar? Uma mulher que se masturba todos os dias pode ser considerada compulsiva?

Exageros merecem, sim, ser olhados com cuidado, mas não é a frequência que determina uma compulsão. Se uma mulher se masturba diariamente, mesmo que mais de uma vez por dia, mas isso não traz impactos à vida dela, não é algo que se considere um hábito compulsivo. O excesso acontece quando causa impacto e/ou prejuízos na vida acadêmica, profissional, amorosa e social da pessoa.

A compulsão é determinada pela busca frenética e incessante de obter alívio e distração das tensões emocionais, sempre através de algum prazer imediato. A pessoa compulsiva não consegue se satisfazer ao findar o ato de se masturbar, mesmo que tenha atingido o orgasmo. Na sequência, costuma experimentar um sentimento de vazio.

A compulsão pode ser definida como uma alteração no sistema de recompensa emocional, dentro do processo mental da aprendizagem. Ela também é entendida como uma procura por repetir uma experiência alegre, eufórica e intensamente gravada na memória como positiva, que se impõe às escolhas da pessoa, gerando ansiedade e excitação pela possibilidade de “reprisar” a vivência.

Outros sintomas

O vício pela masturbação ocorre acompanhado de outras características comportamentais:

01. Necessidade de aumentar a frequência da ação para atingir o mesmo prazer que tinha como referência na memória, sentir desconforto emocional ao não poder se masturbar no momento em que desejar;

02. faltar em compromissos sociais para poder praticar ou realizar o ato em lugares impróprios;

03. Gastar muito tempo e energia durante o dia, planejando, realizando ou se recuperando do ato de se masturbar;

04. Perceber, sim, os danos da prática, mas sem conseguir reduzir ou parar com o hábito;

05. Outra situação comum é a pessoa começar a fazer uso excessivo da pornografia como forma de complementar a prática masturbatória e passar a gastar muito dinheiro com coisas ligadas a sexo.

O fato de masturbação substituir de forma exclusiva o contato com outra pessoa também é um indicador de compulsão, mas deve ser diagnosticado por um profissional por estar associado ao medo do encontro e da interação com parceiros reais.

É possível se dar conta de que o comportamento que caminha para o excessivo no aumento da frequência do ato e no incômodo sentido pelo vazio emocional. Quanto mais compromissos sociais uma pessoa tem em sua agenda diária, mais parâmetros terá para avaliar o grau de disfunção e prejuízo que o ato compulsivo exercerá sobre sua rotina. Nesse sentido, as pessoas em época de quarentena ficam mais fragilizadas e perdem os parâmetros para definir um abuso. Por essa razão, o excesso pode ser sentido quando a mulher começa a se ferir no ato.

Parar ou não por conta própria é possível, mas trata-se algo muito difícil. Procurar ajuda profissional é sempre a melhor decisão quando um comportamento sexual passa a afetar a vida como um todo. As pessoas costumam ser surpreendentes e podem, sem qualquer aviso prévio, mudar uma rotina de comportamento previamente estabelecida. Porém, entende-se que não é compulsivo quem quer, mas quem pode ser.

A compulsão invariavelmente é originada por uma soma de características, começando pela genética, fatores biológicos e psicológicos, traços específicos da personalidade e contexto cultural. Passar por um profissional de saúde, médico ou psicólogo pode propiciar um diagnóstico preciso, descobrir comorbidades, além de oferecer alternativas variadas de apoio e de recursos para o enfrentamento do problema.


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