Quem é Tadashi Kadomoto, o guru que se tornou réu por estupro

Em 14/10/2020

Tempo de leitura: 6 minutos

Além de milhares de seguidores nas redes sociais, o terapeuta é um dos mais famosos palestrantes da área motivacional do Brasil, além de ter publicado diversos livros de autoajuda.

O terapeuta e influenciador digital Tadashi Kadomoto é réu em um processo que tramita na Justiça de São Paulo por estupro de vulnerável. Com mais de 1,6 milhão de seguidores no Instagram e 220 mil inscritos no canal quem mantém no Youtube, o terapeuta teve a fama ampliada no início da pandemia por oferecer lives diárias de meditação para que as pessoas pudessem lidar com os impactos emocionais do isolamento social.

Tadashi Kadomoto

O terapeuta e influenciador digital Tadashi Kadomoto é réu em um processo que tramita na Justiça de São Paulo por estupro de vulnerável. Com mais de 1,6 milhão de seguidores no Instagram e 220 mil inscritos no canal quem mantém no Youtube, o terapeuta teve a fama ampliada no início da pandemia por oferecer lives diárias de meditação para que as pessoas pudessem lidar com os impactos emocionais do isolamento social.

De acordo com reportagem da Globo News, a vítima é uma ex-aluna do Instituto Tadashi Kadomoto. Ela procurou o Ministério Público no fim do ano passado para oferecer denúncia formal, aceita na última semana. Durante a investigação do MP, a mulher contou que procurou a organização para tratar distúrbios alimentares e acabou se tornando aluna e estagiária do local, além de paciente.

Entre trabalho, treinamento e tratamentos, ela passou sete anos frequentando o instituto, período durante o qual os abusos sexuais ocorreram. Apenas contra essa paciente, Kadomoto foi denunciado por cinco estupros. A promotoria também o acusou de lesão corporal grave pelos danos psiquiátricos causados à mesma vítima. O advogado da denunciante, Luiz Flávio D’urso, disse que o terapeuta se aproveitou da relação de confiança e da vulnerabilidade da mulher.

Ao invés de ela melhorar, ela piora. Piora a sua anorexia, piora psicologicamente, ela não encontra o conforto buscado e vai ao longo do tempo encontrando uma angústia que se amplia. Ela não tinha escolha, ela não via nada. Ela estava completamente envolvida por ele e, em razão disso, foi sendo vítima de abusos sexuais, inclusive enquanto grávida, o que é gravíssimo. Ele a manipulou. Isso tudo aconteceu sem nenhuma consciência dela e sem nenhuma capacidade de resistência”, disse ao canal de tevê.

Outros casos

Além do depoimento dessa vítima, o Ministério Público ouviu também outras mulheres que passaram por situação semelhante nas mãos do terapeuta. Em alguns casos, não poderá ser aberta investigação porque o crime já prescreveu. “O Tadashi era o meu porto seguro”, disse uma das vítimas à Globo News. Ela narrou que a primeira abordagem imprópria de Kadomoto contra ela aconteceu em 2007, durante a exibição de um filme motivacional na sede do instituto.

No relato, a mulher conta que começou a perceber que o contato era impróprio quando o homem se deitou no colo dela e começou a acariciá-la nas pernas chegando até a virilha. “Quando eu era estagiária, ele tinha essas abordagens assim, absurdamente abusivas, de passar a mão nas partes íntimas”, lembrou a mulher.

Defesa

Procurado pela produção da Globo News, Kadomoto não se manifestou. Em nota, o advogado que o representa disse que ele atua há 30 anos na área de terapia comportamental e que a defesa ainda não recebeu nenhuma comunicação formal sobre a denúncia. Nas redes sociais do acusado também não havia sido postado nada sobre o assunto.

Sessão de Meditação

Os seguidores de Tadashi Kadomoto se surpreenderam ao não o encontrar on-line para a sessão de meditação guiada às 20h00m deste domingo (11Outubro2020). O terapeuta oferece diariamente duas lives de treinamento mental, a primeira é sempre às 06h00m, e até agora não havia faltado ao compromisso com os seguidores. Entretanto, depois que a Globo News divulgou que ele se tornou réu em um processo que investiga múltiplos estupros, Kadomoto ficou em completo silêncio nas redes sociais até o fim da noite de domingo, quanto publicou um vídeo se defendendo e anunciando um afastamento temporário de todas as atividades.

Com mais de 1,6 milhão de seguidores no Instagram, 223 mil no Youtube e quase 39 mil no Facebook, Tadashi Kadomoto publicou vídeos, textos e outros conteúdos em que fala sobre equilíbrio emocional, resiliência, como cultivar a gratidão e formas de melhorar as relações com o próximo. Depois que a acusação de estupro foi divulgada, tanto o canal do YouTube pessoal do terapeuta quanto o do instituto que leva o nome dele foram retirados do ar.

As outras redes sociais, entretanto, permaneciam ativas até a publicação dessa reportagem.

Apesar disso, e das cobranças de seguidores que surgem nos diferentes canais, Kadomoto não se manifestou sobre a denúncia. No Facebook, o último vídeo publicado por ele foi postado às 07h00m deste domingo (11Outubro2020). Em um ambiente rural, ao som de grilos e com uma paisagem verde de fundo, Kadomoto recitou uma de suas costumeiras lições.

Mais de 30 anos de atuação

Antes mesmo da popularidade alavancada pelas redes sociais e da onda de cursos de Coaching no Brasil, Kadomoto já dava cursos e palestras motivacionais em várias regiões do país. Segundo informações publicadas no site do instituto criado por ele, o terapeuta começou a dar treinamentos na área comercial em 1982 e fundou a organização em 2001.

Quem é Tadashi Kadomoto, o guru que se tornou réu por estupro

Tadashi Kadomoto

Apesar de se chamar de terapeuta, Tadashi Kadomoto não é psicólogo. A formação alegada por ele é em Programação neurolinguística (PNL) – abordagem criada por Richard Bandler e John Grinder na California, Estados Unidos na década de 1970. Mas ele também cita preceitos do budismo, além de dizer-se pós graduado em técnicas de hipnose, também nos Estados Unidos, terapia de vidas passadas, técnicas xamânicas e física quântica.

A sede do Instituto Tadashi Kadomoto é em São Paulo, mas também há uma clínica em Campinas – que recebe clientes para diversos tipos de terapia, individual, de casal ou voltada a crianças e adolescentes. Já workshops, palestras e cursos não ficam limitados aos espaços físicos no estado. Tanto Kadomoto quanto outros terapeutas do instituto viajam o Brasil dando palestras sobre como quebrar crenças limitantes e aumentar a autoestima.

Com a pandemia em 2020, Kadomoto passou a oferecer também cursos online, não só no próprio site, mas também em plataformas de eventos virtuais. Ele também tem muitos livros publicados pela Editora Gente, com títulos comuns ao mercado de autoajuda como Ninguém Tropeça em Montanha, Da Razão ao Coração e O Mestre do Impossível – mude suas crenças e conquiste o seu futuro.

Em uma entrevista no fim de 2018, Kadomoto resumiu a filosofia que passava nos cursos, vídeos e livros que produzia: “nós acreditamos que eu só posso cuidar do outro se eu sei cuidar de mim. Então se eu não sei lidar com as minhas questões não tem como ajudar o outro a lidar com aquelas questões que eu não sei cuidar na minha vida ainda”.


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