Mais votos não garantem a vitória. Como é eleito o Presidente dos EUA?

Em 31/10/2020

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No dia 3 de novembro, os americanos vão às urnas. No entanto, os cidadãos não estão a votar no presidente, mas sim nos “Grandes Eleitores” que os representam. O vencedor das eleições não é necessariamente quem tem mais votos, como demonstrou Trump em 2016

As eleições americanas vão acontecer daqui a menos de duas semanas, no dia 3 de novembro. No entanto, é apenas no dia 14 de dezembro que é oficialmente eleito o próximo presidente dos EUA – o dia em que os “Grandes Eleitores” se reúnem.

O sistema eleitoral americano foi criado pelos pais fundadores dos EUA e nasceu de um acordo entre duas fações diferentes. De um lado, estavam aqueles que defendiam um voto direto popular – como acontece atualmente nas eleições presidenciais portuguesas. Do outro lado, os que queriam que fosse o Congresso Americano a escolher o líder. O “meio termo” desta disputa foi a implementação do sistema do Colégio Eleitoral, que permanece vivo até aos dias de hoje.

Os Grandes Eleitores

Quando os americanos preenchem o seu boletim de voto, não estão a votar em Donald Trump ou em Joe Biden(foto acima), mas sim a eleger os representantes do Partido Republicano ou Democrata. Estes representantes são os Grandes Eleitores – e são eles quem decidem o rumo das eleições presidenciais do dia 3 de novembro.

O número de Grandes Eleitores de cada Estado é definido consoante o seu número de representantes no Congresso Americano. Ao todo, há 538 Grandes Eleitores. Por isso, é necessária uma maioria de 270 votos para assegurar a vitória no Colégio Eleitoral e chegar à Casa Branca.

O modelo de eleição que vigora na maior parte dos Estados americanos é o do “vencedor leva tudo”. Por outras palavras, por muito baixa que seja a margem de vitória num determinado Estado, o partido garante sempre todos os Grandes Eleitores. Por exemplo, em 2016, Donald Trump(Foto abaixo) ganhou a Florida por 1.2% dos votos, mas levou todos os 29 votos eleitorais do Estado. Por esta razão, vitórias por margens mínimas em certos Estados podem alterar o curso das eleições.

Os Grandes Eleitores são escolhidos de forma diferente entre os Estados. Normalmente, os Partidos escolhem-nos nas suas convenções nacionais, ou através de uma votação no comité central do Partido. Assim, o voto do Grande Eleitor é um ato meramente simbólico, pois já está definido à partida.

A distribuição desproporcional dos Grandes Eleitores

Em regra geral, o número de Grandes Eleitores de um Estado reflete a sua população. Por exemplo, os 55 votos eleitorais da Califórnia (o Estado mais populoso do país) contrastam com os 3 votos do Wyoming (o Estado menos populoso).

No entanto, há uma representação desproporcional entre os Estados, justificada pela obrigatoriedade de cada Estado ter, pelo menos, três Grandes Eleitores. Isso leva a que um Estado como o Wyoming sejam sobre-representados, enquanto a Califórnia é sub-representada.

Vejamos os números. Enquanto a Califórnia tem o equivalente a um voto no Colégio Eleitoral por cada 712 mil pessoas, o Wyoming conta com um voto por cada 195 mil pessoas. Assim, um voto no Wyoming vale 3.6 vezes mais que um voto na Califórnia.

Esta desproporcionalidade entre os eleitores de diferentes Estados tem levado a um crescente criticismo do sistema do Colégio Eleitoral. De acordo com uma sondagem realizado pelo POLITICO em 2019, 50% dos americanos prefere um sistema de eleição direta do presidente e apenas 34% defende o sistema do Colégio Eleitoral.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou diferentes opiniões sobre o sistema do Colégio Eleitoral. Apesar de, em 2012, lhe ter chamado “um desastre para a democracia”, em 2016 disse que o sistema era “de génio”(depois de ter ganho as eleições graças ao mesmo).

Mais votos não significam uma vitória

Em 2000, o candidato Democrata Al Gore teve mais 500 mil votos que o seu opositor Republicano George W. Bush, a nível nacional. No entanto, Bush venceu o Estado da Florida por uma margem mínima de 537 votos (num universo de 5.8 milhões de votos), o que lhe permitiu levar todos os 25 Grandes Eleitores deste Estado e vencer no Colégio Eleitoral.

Em 2016, aconteceu o mesmo fenómeno. Hillary Clinton teve mais 2.87 milhões de votos que Donald Trump. No entanto, o candidato do Partido Republicano garantiu 57% dos Grandes Eleitores através de vitórias em “Estados-chave”, como a Florida, o Iowa ou o Michigan.

As sondagens para as eleições presidenciais americanas indicam que Joe Biden está à frente. No entanto não basta ter mais votos para assegurar a vitória contra Donald Trump: terá de garantir a maioria dos 270 Grandes Eleitores.

Recentemente, a FiveThirtyEight desenvolveu uma plataforma interativa que demonstra como é que cada candidato pode vencer as eleições, através de uma simulação dos resultados em cada Estado. Vitórias em Estados como o Michigan, o Wisconsin e a Pensilvânia poderão ser decisivas para assegurar a eleição de Biden ou Trump.


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