Em 28/07/2022
Marina dos Santos é uma mulher inspiradora. Com 63 anos, durante sua infância, ela precisou abandonar seus estudos ainda na quarta série e trabalhou como empregada doméstica. Agora, ela se formou como advogada em Bauru, São Paulo.
“Meu pai morreu, eu tinha nove anos. Fui trabalhar como empregada doméstica por quatro anos e meio para ajudar em casa. Então, me casei e passei a trabalhar em fábricas de doces, depois tive meus filhos e virei dona de casa”, contou.
Marina tem dois filhos e três netos, sendo que uma é advogada. Marina decidiu retomar seus estudos, interrompidos no ensino fundamental, em 2011, e concluiu o ensino médio em 2013, por meio da modalidade Educação para Jovens e Adultos (EJA). Então, em 2014, com ajuda de um financiamento estudantil, ela ingressou no curso de direito.
“Eu era a única pessoa com mais de 50 anos da sala. Eu era também a única mulher negra. Na formatura, minha neta, que é advogada, perguntou se eu tinha ideia da minha representatividade”.
Assim sendo, na cerimônia, Marina foi ovacionada pelo público e homenageada pelos colegas e familiares. “Nunca é tarde, e eu posso dizer isso com toda a certeza. Eu tirei minha carteira de habilitação para dirigir automóveis aos 45 anos e aquilo foi só o começo”, disse Marina.
Luta
No entanto, nada veio com facilidade para a idosa. Após a quarta tentativa, Marina recebeu a tão esperada aprovação no exame da OAB. De estagiária de um escritório de advocacia, ela passou a assinar suas próprias petições.
Marina conta que escolheu a área de criminal para atuar, visto que acredita poder ajudar mais pessoas nesse ramo. Tanto que seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi sobre inquérito policial e a nota foi 9, por unanimidade da banca.
Os planos da advogada vão ainda mais além, já que ela pretende fazer uma pós-graduação. “Preciso só de um tempinho para terminar de pagar a faculdade, mas, no segundo semestre de 2023, eu pretendo estar matriculada em uma especialização”, planeja a idosa.
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