Em 08/01/2023
Milhares de manifestantes invadiram o Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal em Brasília (DF).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretou, na tarde deste domingo (08Janeiro2023), intervenção federal no Distrito Federal contra as manifestações e os atos que considerou como “terroristas” que ocorrem em Brasília (DF).
Milhares de pessoas invadiram o Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal nesta tarde. Lula classificou o ocorrido como “barbárie”.
A intervenção começa já neste domingo (08Janeiro2023), e está prevista para durar até o dia 31 de janeiro. O interventor será Ricardo Garcia, secretário-executivo do Ministério da Justiça.
“O objetivo da intervenção é pôr termo a grave comprometimento da ordem pública no Estado no Distrito Federal, marcada por atos de violência e invasão a prédios públicos“, diz o decreto, assinado por Lula.
Decreto assinado por Lula para intervenção federal no Distrito Federal. #EquipeLula pic.twitter.com/1gHjIuDGLf
— Lula (@LulaOficial) January 8, 2023
O presidente está em Araraquara, no interior de São Paulo, junto da primeira-dama, Janja da Silva, onde foi para avaliar os danos causados pelas fortes chuvas que recaíram sobre o município no fim de dezembro de 2022. Em uma coletiva, neste domingo(08Janeiro2023), o chefe do Executivo chamou os criminosos de “fascistas” e “vândalos”.
Ele acredita que houve falta de segurança para impedir a invasão de milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que pedem por “intervenção militar”, “Lula preso” e pela liberação do código fonte utilizado na apuração de votos pelo TSE.
“Nós achamos que houve falta de segurança, e eu queria dizer para vocês que todas essas pessoas que fizeram isso serão encontradas e serão punidas. Eles vão perceber que a democracia garante o direito de liberdade, de livre comunicação e expressão, mas ela também exige que as pessoas respeitem as instituições que foram criadas para atender a democracia”, afirmou Lula.
Além disso, o presidente também classificou os criminosos de “nazistas fanáticos”, e “stalinistas fanáticos”. “Essas pessoas fizeram o que nunca foi feito na história desse país. Importante lembrar que a esquerda brasileira teve gente torturada, já teve gente morta, desaparecida, e nunca, nunca, vocês leram alguma notícia de algum partido de esquerda ou movimento de esquerda invadindo o Congresso Nacional, a Suprema Corte e o Palácio do Planalto”, declarou.
A intervenção
O decreto que prevê a intervenção na área de segurança pública do Governo do Distrito Federal (GDF), tem o prazo até 31 de janeiro de 2023.
“Essa intervenção está limitada à área de segurança pública, com o objetivo de conter o grave comprometimento da ordem pública no DF, marcado pela violência contra prédios públicos”, disse Lula durante viagem que faz a Araraquara (SP).
A intervenção será comandada pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, subordinado diretamente à Presidência da República. “O interventor poderá requisitar recursos financeiros, tecnológicos, estruturais necessários a quaisquer órgãos”, acrescentou Lula.
Segundo o decreto, leis que não tiverem relação com segurança pública permanecem sob responsabilidade do governo local.
Antes de assinar o decreto, o presidente condenou os atos antidemocráticos que tomaram conta da Praça dos Três Poderes e disse ter havido falha de segurança.
O presidente prometeu que todas as pessoas que participaram da depredação serão punidas pela lei e chamou de irresponsáveis os atos antidemocráticos.
“Essa gente tem de ser punida, inclusive vamos descobrir quem são os financiadores desses vândalos que foram a Brasília, e todos eles pagarão com a força da lei pelo gesto de irresponsabilidade, esse gesto antidemocrático e esse gesto de vândalos e de fascistas”, declarou o presidente, que classificou de barbárie a invasão das sedes dos Três Poderes.
A Polícia Militar do Distrito Federal informou que todas ações da PMDF têm, por base, orientações que são determinadas pelas autoridades de segurança do Governo do Distrito Federal, e responsabilizou eventuais falhas de planejamento nas ações de proteção à Praça dos Três Poderes à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
A secretaria tinha à frente o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Anderson Torres, que foi exonerado há pouco pelo governador Ibaneis Rocha.
Interventor federal
Pelo Twitter, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse que o secretário Ricardo Cappelli já se deslocou para assumir a intervenção na Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. “E seguimos com as operações cabíveis visando ao restabelecimento da ordem pública“, completou o ministro.

Nomeado pelo presidente, o jornalista Ricardo Capelli(esquerda) é braço-direito do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (direita).
De acordo com informações do ministério, Cappelli é jornalista, especialista em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e atua, há 22 anos na administração pública. Ele já atuou como secretário municipal, secretário estadual e secretário nacional em áreas diversas no estado do Maranhão.
Nomeado interventor pelo decreto assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou, neste domingo (08Janeiro2023), intervenção federal na área de segurança pública no Distrito Federal, o secretário executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Garcia Cappelli, imediatamente começou a trabalhar.
Capelli teve como primeira missão estabelecer a ordem pública na capital federal, diante dos atos de violência que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes da República.
“Estou em campo, andando no asfalto, comandando pessoalmente as forças de segurança, cumprindo a missão que recebi do presidente da República. Ninguém ficará impune. O Estado Democrático de Direito não será emparedado por criminosos”, postou Capelli em seu perfil no Twitter.
Estou em campo, andando no asfalto, comandando pessoalmente as forças de segurança, cumprindo a missão que recebi do presidente da República. Ninguém ficará impune. O Estado Democrático de Direito não será emparedado por criminosos
— Ricardo Cappelli (@RicardoCappelli) January 8, 2023
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