Com comandante do Exército, Lula demitiu 80 militares do governo em cinco dias

Em 22/01/2023

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A desconfiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com setores das Forças Armadas, que teve episódios ainda durante a campanha eleitoral e se intensificou após os atos de 8 de janeiro, culminou neste sábado, com a demissão do comandante do Exército, o general Júlio César de Arruda.

Júlio César de Arruda – General de Exército do Brasil.

Ao todo, em um período de cinco dias – de terça-feira (17Janeiro2023) até aqui -, Lula demitiu ao menos 80 militares que tinham cargos no governo federal.

Quatro dias depois da invasão e dos atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes, o petista já havia dado um recado de sua insatisfação, ao afirmar, durante café da manhã com jornalistas no Planalto, que a porta do palácio presidencial havia sido “aberta para essa gente entrar”, em referência aos vândalos.

Na ocasião o presidente deixou claro o entendimento de que a entrada dos invasores foi facilitada e disse que havia “gente das Forças Armadas aqui dentro conivente” com a depredação do local.

O Palácio da Alvorada é um edifício localizado em Brasília, capital do Brasil.

A primeira atitude em grande escala foi tomada na última terça-feira (17Janeiro2023), quando o petista dispensou 45 militares lotados em setores responsáveis pela residência oficial da Presidência.

O Palácio da Alvorada – Brasília (DF), residência oficial do Presidente do Brasil.

A grande maioria, 40, atuava no Palácio da Alvorada, para onde Lula e a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, se mudarão no mês que vem.

O Palácio da Alvorada é um edifício localizado em Brasília, capital do Brasil. O palácio é designado como a residência oficial do Presidente do Brasil. Situa-se às margens do Lago Paranoá, tendo sido o primeiro edifício inaugurado na Capital Federal, em 30 de junho de 1958.

Na mesma leva outros 11 oficiais do Gabinete de Segurança Institucional foram desligados, em um total de 56 nomes em um dia.

O movimento prosseguiu ao longo da semana. Na quarta-feira (18Janeiro2023), mais 13 membros das Forças Armadas foram desligados, o que se repetiu no dia seguinte, com outras nove demissões, todas na pasta que cuida da Segurança Institucional. Na sexta (20Janeiro2023), mais um militar do GSI deixou o governo, totalizando 23 em três dias.

O último nome, já neste sábado (21Janeiro2023), foi justamente o do general Júlio César de Arruda, em meio a uma falta de alinhamento do general com Lula e ao comportamento do militar diante de acampamentos que se instalaram em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília.

José Múcio Monteiro Filho – Ministro da Defesa do Brasil.

A desconfiança com Arruda já vinha, inclusive, antes da confirmação de sua permanência no cargo. O general era visto como o mais bolsonarista entre os mais antigos da força e aliados de Lula chegaram a tentar demover o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, da ideia de colocá-lo à frente do Exército, mas sem sucesso.

 

* O Globo.

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