Em 22/02/2023
O diálogo com as autoridades está sendo intensificado para demonstrar todas as informações e o pronto restabelecimento do comércio da carne brasileira.
A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) confirmou hoje (22Fevereiro2023) um caso de mal da vaca louca na cidade de Marabá, interior do Estado.
O órgão informando apenas que o caso ocorreu numa pequena propriedade com 160 cabeças de gado, localizada no sudeste paraense.
Segundo a agência, a propriedade já foi isolada, inspecionada e interditada preventivamente. Amostras foram enviadas a um laboratório no Canadá para verificar se a ocorrência se trata de um caso clássico, em que há transmissão de um animal para outro, ou atípico, em que a doença se desenvolve de forma espontânea na natureza, geralmente em animais idosos.
Em comunicado, a Adepará destacou que trabalha com a hipótese de caso atípico, sem risco de disseminação ao rebanho e ao ser humano.
O órgão informou estar em contato permanente com o Ministério da Agricultura e Pecuária e que trata do tema com transparência e responsabilidade.
Na segunda-feira (20Fevereiro2023), o Ministério da Agricultura informou que estava investigando um caso suspeito de vaca louca no Brasil. Na ocasião, a pasta não informou o local.
A morte em pasto aumenta as chances de que o suposto caso de vaca louca tenha se originado de forma “atípica”, espontaneamente na natureza, em vez de ser transmitido pela ingestão de ração animal contaminada. Isso, em tese, reduziria as chances de imposições de barreiras comerciais.
Exportações suspensas
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou na noite desta 4ª feira (22Fevereiro2023) que suspendeu temporariamente as exportações de carne bovina para a China após a confirmação de um caso do mal da “vaca louca” em Marabá (PA).
A medida vale a partir de 5ª feira (23Fevereiro2023) e, de acordo com a pasta, é parte do protocolo sanitário oficial. O ministério afirmou também ter comunicado a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e enviado amostras do animal, um boi de 9 anos, para laboratório referência em Alberta, no Canadá, onde será confirmado se o caso é atípico.
Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, diz não ser possível saber quando será possível retomar as exportações de carne para o país asiático.
“Não podemos prever quantos dias, mas os protocolos são seguidos. Quero crer que antes da visita do [presidente] Lula à China, [prevista] em março, o caso será solucionado”, pontuou.
No comunicado do ministério, Fávaro afirmou que “todas as providências estão sendo adotadas imediatamente” para “garantir aos consumidores brasileiros e mundiais a qualidade reconhecida” da carne brasileira.
Sem casos transmissíveis
Os últimos casos de vaca louca registrados no Brasil ocorreram em 2021, em Minas Gerais e no Mato Grosso. Na ocasião, os casos também foram atípicos, mas a China, maior comprador de carne do Brasil, suspendeu a compra de carne bovina brasileira por três meses, de setembro a dezembro daquele ano.
Até hoje, o Brasil não registrou casos clássicos de vaca louca, provocado pela ingestão de carnes e pedaços de ossos contaminados.
Causado por um príon, molécula de proteína sem código genético, o mal da vaca louca é uma doença degenerativa também chamada de encefalite espongiforme bovina. As proteínas modificadas consomem o cérebro do animal, tornando-o comparável a uma esponja.
Além de bois e vacas, a doença acomete búfalos, ovelhas e cabras. A ingestão de carne e de subprodutos dos animais contaminados com os príons provoca, nos seres humanos, a encefalopatia espongiforme transmissível.
No fim dos anos 1990, houve um surto de casos de mal da vaca louca em humanos na Grã-Bretanha, que provocou a suspensão do consumo de carne bovina no país por vários meses.
Na ocasião, a doença foi transmitida aos seres humanos por meio de bois alimentados com ração animal contaminada.
Deixe um comentário