Em 12/03/2023
A família de Begoleã Fernandes falou sobre depressão e que a mãe queria que ele voltasse ao Brasil para fazer tratamento.
A mãe do brasileiro preso com carne humana na Europa, Carla Pimentel, disse que aconselhou o filho a voltar ao Brasil para fazer tratamento psicológico.
Segundo o que a família de Begoleã Fernandes, 26 anos, relatou em entrevista ao Fantástico – exibida neste domingo (05Março2023) , o brasileiro contou histórias sem sentido antes de supostamente matar Alan Lopes (Foto abaixo), 21 anos, em Amsterdã, na Holanda.
Carla disse que Begoleã declarou ter ido para casa de uma pessoa, levado injeção no peito e “acordou zonzinho”. “Depois, disse que não podia falar porque seria difícil explicar. Eu comecei a falar com ele: ‘Meu filho vai para o aeroporto agora que eu compro a passagem, vem fazer tratamento‘”, afirmou.
A família de Begoleã contou que o jovem preso em Portugal com carne humana na mala passou por período depressivo durante a adolescência. “Só ficava deitado, olhando internet, telefone, coisa que toda vida eu tentei tirar. Coloquei ele na academia, não queria malhar. Coloquei na aula de dança, não quis dançar. Um dia, foi fazer treino de boxe e apaixonou”, afirmou Carla.
Begoleã Fernandes (Foto acima) estava no 4º período da faculdade de odontologia em Matipó (MG) quando decidiu mudar-se para Amsterdã com objetivo de tentar uma carreira no esporte.
Entenda o caso
Begoleã foi preso no aeroporto de Lisboa quando tentava viajar para Belo Horizonte. A sua roupa tinha vestígios de sangue. O IML concluiu que a carne em sua mala era de origem humana, mas não tem relação com a morte de Alan, segundo informação da polícia holandesa e da família da vítima, que disse que o “corpo estava inteiro”.
À imprensa portuguesa, Carla Pimentel, mãe do brasileiro preso, repetiu a versão apresentada pelo filho e disse ter aconselhado Fernandes a fugir para o Brasil.
Begoleã Fernandes (Foto acima) é suspeito de matar o brasiliense Alan Lopes, 21 anos, que trabalhava como açougueiro em Amsterdã, na Holanda, onde o crime aconteceu em 26 de fevereiro. Alan vivia na Holanda havia sete anos e sua família é do Distrito Federal. Já Begoleã, 26, é natural de Matipó, na Zona da Mata mineira.
O suspeito enviou um áudio a um amigo confessando o crime e pedindo ajuda após o crime. Na gravação, Begoleã Fernandes diz: “Reagi e passei ele, tá? Me ajuda aí mano, pelo amor de Deus”.
No áudio, o brasileiro conta ainda que a atitude dele teria sido uma reação a um suposto ataque da vítima, que, segundo ele, seria canibal. No entanto, não há provas dessa afirmação. Ainda de acordo com Begoleã, a vítima tentou “pegar ele”.
Begoleã é descrito pelas autoridades holandesas como “perigoso, psicótico e com treino de artes marciais”. A avaliação consta em documento encaminhado para a Justiça de Portugal.
Após ser preso, ele disse que trabalhava clandestinamente há três anos como motoboy na Bélgica e não tinha residência fixa. Nas redes sociais, Begoleã Fernandes (Foto acima) se define como “2% gênio e 98% louco”, que gosta de MMA, história e toca guitarra.
Versão da mãe
Ao portal G1, a mãe do brasileiro preso – Carla Pimental – confirmou que a voz do áudio é do filho. Segundo a mulher, ela já procurou o Consulado Brasileiro e o Itamaraty, mas que não conseguiu ajuda de nenhum órgão. “Eu preciso ir pra aquele país e ver se meu filho precisa de ajuda psicológica”, afirmou.
“Oh Messias, ora por mim meu irmão, que eu tô beleza, graças a Deus. Mas o que eu passei não foi brincadeira. Ele é canibal. Já tem muito tempo que a galerinha dele sabe, entendeu? […] Só que é uma parada tão bizarra, mas tão, mas tão bizarra que ninguém acredita. […] Eu fui lá e os meninos tinham me avisado que era uma armadilha para ele me pegar, tá ligado? […] Aí na hora que ele tentou me pegar, eu estava com a faca, eu fui e reagi e passei ele, ta ligado? Me ajuda ai mano, pelo amor de Deus!”, disse Begoleã, na gravação.
A defesa do brasileiro afirma que Begoleã (Foto acima) agiu em legítima defesa e que transportou carne humana e documentos na mala para provar sua inocência e fazer a identificação dos envolvidos.
“[A legítima defesa é] comprovada através do agarrar a lâmina com a mão direita para impedir que fosse morto, e a prova continua bem visível na mão direita. Só tentou fugir da Holanda, mais uma vez, para evitar ser morto”, afirmou o advogado contratado pela família de Begoleã.
Segundo Carla, o filho foi vítima de “brasileiros corruptos“, sem especificar quem seriam estas pessoas, desabafou em um grupo privado nas redes sociais, Ela disse que tudo “será devidamente esclarecido com o desenrolar da justiça” e que o filho é “trabalhador, querreiro, honesto, gentil, leal“.
Queria meu filho comigo, e há algum tempo, já havia um povo orando a meu pedido, porque eu não aguentava mais ver as humilhações e extorsões que ele vinha passando em meio alguns. Isto tudo não é pelos holandeses, e sim por brasileiros corruptos. Infelizmente tudo aconteceu desta forma. Infelizmente carregará essa tristeza pela vida. Porém, mais entristecedor é ver pessoas que estão se promovendo em cima de tal fato.
Carla Pimentel, mãe de Begoleã.
A mãe de Begoleã diz lamentar pela família da vítima e que a mensagem é “em respeito” àqueles que foram solidários com sua família. “Sinto a dor pela mãe de Alan“.
Begoleã precisou passar por cirurgia após ter os “nervos da mão rompidos” e ferimentos na barriga, segundo a família.
Carne humana
De acordo com informações divulgadas pelo jornal português Correio da Manhã, Begoleã pretendia viajar para o Brasil transportando a carne humana. O destino seria Belo Horizonte (MG). No entanto, ele foi preso quando tentava embarcar, em Lisboa. O rapaz apresentou um cartão de identidade italiano e portava outros documentos em nome de terceiros, o que levantou suspeitas no aeroporto da capital portuguesa.
Diante da suspeita, a carne foi enviada para análise. Porém, o resultado oficial ainda não foi divulgado.
Carla reproduziu o que seria a versão do filho para o homicídio. Ela disse que Begoleã foi dormir na casa de Alan e teria estranhado a carne servida na hora da refeição. Seria uma carne escura e de gosto estranho. Ao ser questionado sobre a aparência do alimento, Alan teria falado que era “carne de gente”.
Além disso, depois da refeição, Alan teria mostrado vídeos de execuções para Begoleã. Ainda assim, ele teria aceitado dormir na casa de Alan.
Segundo a versão do suposto assassino, ele foi acordado com Alan sobre ele, tentando matá-lo. Begoleã (Foto acima) teria então passado uma faca no pescoço do amigo, que caiu no chão ainda se mexendo. Um golpe final teria sido dado no peito.
Segundo Carla Pimentel, o filho teria contado para amigos o que aconteceu. Inicialmente, a intenção dele seria ligar para a polícia e explicar a história toda, mas ele teria decidido fugir. A carne humana na mala, segundo a versão da mãe, seria a mesma servida por Alan.
“Meu irmão não era canibal“
Kamila Lopes, 25, irmã mais velha de Alan, negou que ele fosse canibal. “No dia do crime, eu, minha outra irmã e meus pais estávamos viajando para Paris e meu irmão se encontrava sozinho em casa. As acusações de Begoleã não têm o menor sentido […] Meu irmão conhecia esse rapaz há mais de 3 anos. Era uma pessoa frequente na minha casa”.
Alan trabalhava em um açougue. Os áudios enviados por Bagoleã diziam ainda que a vítima teria consentimento da família para matar pessoas no trabalho. “A perícia está aí para isso. Do jeito que meu irmão entrava, ele saía. Era o chefe do açougue recebendo e trancando a loja”, rebateu a irmã da vítima.
“Não sei se em algum momento ele [Begoleã Fernandes] estava com alguma alteração psicológica e criou isso na cabeça dele, acreditou. A gente não sabe, de verdade, como, quando, onde e porque isso de fato aconteceu, o que ele criou na mente dele para acreditar em uma história dessa”, acrescentou Kamila.
Antônia dos Anjos Lima, de 45 anos, disse que o filho Alan Lopes (Foto acima) tinha um coração gigante e era amado por todos. Alan nasceu no Distrito Federal e foi morar em Amsterdã, com a mãe, em 2016, aos 14 anos. “Vim morar aqui para tentar uma vida melhor”, afirmou Antônia , que trabalha na limpeza de uma escola no centro de Amsterdã.
De acordo com ela, o filho terminou o ensino médio no país e trabalhava como açougueiro. Fluente em quatro idiomas, Alan sempre estava alegre e conseguia fazer todo mundo sorrir, segundo a mãe.
“Quem se aproximava de Alan sempre estava rindo. Ele tinha um coração gigante e queria ajudar todo mundo. Meu filho chegou a fazer vaquinha para ajudar as pessoas que estavam na Turquia e sofreram com os desastres”, afirmou Antônia.
Alan Lopes ajudava Begoleã
Amigos e familiares de Alan Lopes, o brasileiro encontrado morto esfaqueado em sua casa na cidade holandesa de Amsterdã no último domingo (26Fevereiro2023), relataram que ele ajudava, com abrigo, roupas e dinheiro, o principal suspeito do assassinato, Begoleã Fernandes, que passava por dificuldades financeiras e não tinha residência fixa.
Ao jornal holandês Het Parool, um dos amigos de Alan Lopes (Foto acima), Marco Cunha, disse que Begoleã teria se envolvido com drogas e trabalhava como entregador de aplicativo.
“Ele (Begoleã) passava por dificuldades, a carreira nas artes marciais não engrenou e ele enlouqueceu em pouco tempo. Ele estava drogado e isso o deixou louco. Seu cérebro simplesmente parou de funcionar”, disse Marcos Cunha.
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