Em 16/03/2023
Gleise Graciela Firmiano tinha 30 anos; família tenta ajuda para fazer translado do corpo.
Uma modelo brasileira de 30 anos que estava morando nos Estados Unidos foi morta a tiros pela polícia na Califórnia. As circunstâncias da execução ainda não foram totalmente esclarecidas para a família que, há um mês, tenta trazer o corpo dela de volta ao Brasil.
Gleise Graciela Firmiano residia nos EUA há 8 anos e tinha planos de voltar ao Brasil em abril. Ela foi executada a tiros pela polícia no condado de San Bernadino, no dia 30 de janeiro deste ano. No entanto, o corpo ainda não foi repatriado para o Brasil e a família não conseguiu se despedir de Gleise.
Segundo as primeiras informações dadas à família dez dias depois do ocorrido, a modelo teria fugido de casa com uma arma e com um cachorro após discutir com o namorado, que é norte-americano, e que acionou a polícia.
A brasileira foi encontrada pelos agentes pouco depois da discussão em uma trilha e, em um confronto ainda não esclarecido, acabou morta a tiros.
O porta-voz dos investigadores disse, inicialmente, que não havia evidências de que a mulher tenha atirado contra os agentes. O namorado não foi reconhecer o corpo e não mantém contato com a família da modelo.
Irmã questiona versão
Cleane Firmiano, irmã de Gleise, explicou sobre a versão que recebeu da polícia norte-americana sobre a morte da irmã. Ela revelou que, após uma briga com o namorado, Gleise saiu de casa com o carro, levando consigo o cachorro do casal e uma arma que pertencia ao namorado, e seguiu em direção a uma trilha próxima da casa em que morava. O namorado de Gleise chamou a polícia por estar preocupado que ela fizesse algo perigoso com a arma.
Então, segundo relato dos familiares, a polícia foi até o local e encontrou a vítima sentada debaixo de uma árvore, com a arma ao seu lado. No momento do susto da abordagem, Gleise teria tocado na arma e a polícia reagido imediatamente, disparando tiros contra ela.
No entanto, Cleane Firmiano, irmã de Gleise, afirma que após a repercussão do caso, há uma segunda versão dada pelos policiais. As autoridades de Los Angeles argumentam que a modelo atirou contra os policiais, que eles teriam revidado inicialmente utilizando apenas uma Taser (arma de choque) contra Gleise, e depois, com armas de fogo.
Translado do corpo
Cleane Firmiano, afirma ainda que as autoridades norte-americanas só informaram a família sobre a morte de Gleise em 9 de fevereiro e afirmam que a responsabilidade pelo transporte do corpo seria do Brasil, através do Ministério das Relações Exteriores. No entanto, o ministério informou que a transferência deveria ser realizada pelo Consulado de Los Angeles.
Desde então, a família da modelo tenta trazer o corpo dela para o Brasil, mas o translado pode custar até R$ 75 mil. A família, que vive em Aracaju (SE), diz que não pode arcar com os custos e tenta ajuda das autoridades.
Uma solução para este impasse seria contratar o serviço de transporte do corpo de forma privada, o que custaria em torno de 80 mil reais, uma quantia impossível para a família. “Não sabemos a quem recorrer, não sabemos para quem pedir ajuda. A dor da perda afeta todos, mas a dor de não poder velar e se despedir é uma dor que vem em doses. Cada dia é uma dor diferente”, desabafou Cleane.
O Itamaraty, no entanto, informa que presta a “assistência cabível” à família, o que não incluiria a responsabilidade pelo translado do corpo. “Em caso de falecimento de cidadão brasileiro no exterior, os consulados brasileiros poderão prestar orientações gerais aos familiares, apoiar seus contatos com autoridades locais e cuidar da expedição de documentos, como o atestado consular de óbito. Não há previsão regular e orçamentária para o pagamento do translado com recursos públicos“, declarou em nota.
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