Como o mel pode ajudar a combater doenças cardiometabólicas ?

Em 21/03/2023

Tempo de leitura: 9 minutos

Pesquisa canadense aponta que mel ajuda a combater obesidade, diabete do tipo 2 e hipertensão arterial.

 

O mel contribui para o controle de doenças cardiometabólicas, como obesidade, diabete do tipo 2 e hipertensão arterial, de acordo com um estudo realizado por cientistas canadenses.

O alimento foi capaz de proporcionar melhorias em peso corporal, inflamação, perfil lipídico e controle glicêmico em animais e humanos.

Apesar das evidências sugerindo que a ingestão de mel pode ter efeitos benéficos para a saúde, os autores do estudo publicado na Nutrition Review, ligada à Universidade de Oxford, indicam que mais pesquisas são necessárias para confirmar essas descobertas e determinar como o efeito do alimento pode ser diferente de acordo com o tipo, a fonte floral e o preparo (cru ou processado).

O que são doenças cardiometabólicas?

As doenças cardiometabólicas são um grupo de condições médicas relacionadas entre si que incluem obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardíacas e estão associadas a fatores de risco como dieta inadequada, sedentarismo e tabagismo.

Esse grupo de enfermidades é grave porque elas podem estar relacionadas e levar a problemas de saúde como ataques cardíacos, derrames e insuficiência cardíaca.

A hipertensão, por exemplo, pode causar danos nos vasos sanguíneos e problemas cardiovasculares.

A diabete pode prejudicar a função de vasos sanguíneos e nervos, aumentando o risco de doenças cardíacas e derrames. A obesidade e a dislipidemia, por sua vez, podem causar problemas cardiovasculares, como aterosclerose, e outras complicações de saúde.

Como o mel pode auxiliar no combate a doenças cardiometabólicas?

O estudo apontou que a ingestão diária de mel durante oito semanas reduziu os níveis de glicose no sangue durante o jejum e de colesterol ruim (LDL), além de contribuir para o aumento do colesterol bom (HDL) e de proteínas produzidas pelo sistema imunológico para combater inflamações.

A relação de causa e efeito do mel com a melhoria desses indicadores de saúde ainda não está nítida para os cientistas, mas a pesquisa indicou que os benefícios foram diferentes de acordo com as flores usadas pelas abelhas para produzir o alimento.

Outros benefícios do mel para a saúde

O mel é rico em antioxidantes e compostos anti-inflamatórios que podem ajudar a proteger o coração e os vasos sanguíneos, bem como melhorar a saúde da pele e do sono. Contudo, como o alimento é altamente calórico, o consumo deve ser moderado e combinado com dieta saudável e atividade física regular.

Os flavonoides presentes no alimento têm propriedades antioxidantes que contribuem para proteger as células do coração contra o dano celular causado pelos radicais livres. Além disso, o mel é rico em vitamina C, que tem papel importante na formação de colágeno, na absorção de ferro e no estímulo ao sistema imunológico.

Como apicultores podem se beneficiar das qualidades do mel?

Apicultores devem garantir as qualidades saudáveis do mel por meio de boas práticas de produção. As colmeias devem ser mantidas limpas e livres de contaminantes.

Na extração e no armazenamento, a adição de substâncias indesejadas deve ser evitada, a fim de garantir a qualidade nutricional do alimento.

O mel é rico em nutrientes, como vitaminas e minerais, e apicultores podem destacar esses benefícios ao vender o produto, sobretudo para realizar parcerias com farmácias e lojas de saúde para oferecer o item diretamente a consumidores interessados em produtos naturais.

Alguns tipos de mel têm propriedades medicinais únicas e são vendidos a preços mais elevados do que o produto convencional.

Apicultores podem se especializar na produção de determinada variedade para aproveitar essa demanda.

Propriedades do Mel

O mel  – plural: meles ou méis – é um alimento, geralmente encontrado em estado líquido viscoso e açucarado, que é produzido pelas abelhas a partir do néctar recolhido de flores e processado pelas enzimas digestivas desses insetos, sendo armazenado em favos em suas colmeias para servir-lhes de alimento.

O mel sempre foi utilizado como alimento pelo homem, obtido inicialmente de forma extrativa e, muitas vezes, de maneira danosa às colmeias. Com o passar dos séculos, o homem aprendeu a capturar enxames e instalá-los em “colmeias artificiais“.

Por meio do desenvolvimento e aprimoramento das técnicas de manejo, conseguiu aumentar a produção de mel e extraí-lo sem danificar a colmeia. Com a “domesticação” das abelhas para a produção de mel, temos então o início da apicultura.

Atualmente, além do mel, podemos obter diversos produtos como o pólen apícola, o Pão de abelha, a Própolis, a geleia real, a apitoxina e a cera.

Além da produção e comercialização de rainhas e em alguns casos de enxames e crias.

Formação do Mel

A formação do mel está intimamente relacionada ao processo de polinização das flores através da atração aromática exercida por elas, dentre os insetos atraídos pelas flores temos as abelhas, sendo estas geralmente atraídas por flores de aromas agradáveis ao ser humano.

A capacidade olfativa das abelhas se devem a inúmeras estruturas localizadas em seu par de antenas, que também possuem estruturas para tato e audição.

As abelhas sugam o néctar da flor, depositando-o no papo ou vesícula nectífera, onde enzimas irão decompor o açúcar do néctar em dois açúcares mais simples, a frutose e a glicose, durante o transporte diversas secreções são acrescentadas ao néctar, sendo adicionadas enzimas como a invertase, diastase, glicose oxidase, catalase e fosfatase.

Ao retornar a colmeia, a abelha deposita o néctar em favos onde este perderá grande parte de sua água e se transformando em mel.

É importante salientar que, a despeito de o mel utilizado atualmente em maior escala na alimentação humana provir da produção das abelhas melíferas, notadamente do gênero Apis, cerca de 20 mil insetos também o produzem em menor quantidade e não são explorados economicamente.

Variedades de mel

Existem dezenas de variedades de mel de abelhas e marimbondos que podemos obter segundo a floração, os terrenos de obtenção, as técnicas de preparação, além da espécie de abelha melífera.

Dessa forma variam em cor, aroma e sabor. Diferenciam-se, assim, na cor, indo do branco incolor, amarelo ao castanho principalmente.

A sua cor e sabor estão diretamente relacionadas com a predominância da florada utilizada para a sua produção. Os méis de coloração clara apresentam sabor e aroma mais suaves, como, por exemplo, os produzidos em pomares de laranjeiras, que têm alta cotação no mercado. No entanto, os méis de coloração escura são mais nutritivos, ricos em proteínas e sais minerais.

Outra característica marcante em alguns méis é a consistência líquida ou endurecida que poderá apresentar quando armazenado em recipiente, sendo de igual qualidade sob esse aspecto.

No que diz respeito ao néctar, pode provir de uma única flor (mel monofloral) ou de várias (mel plurifloral). A obtenção de méis monoflorais depende das características edafo-climáticas da região, bem como das variações de temperatura e pluviosidade, dentre outros fatores, além da adoção de técnicas pelo apicultor, a presença de outro néctar em pequena quantidade não influi apreciavelmente no seu aroma, cor e sabor.

Cristalização do mel

Por se tratar de uma solução saturada de açúcares, o mel tende a cristalizar-se de forma espontânea, adquirindo uma consistência sólida, esse efeito nada mais é do que a condensação, a aglutinação, das partículas de glicose.

A cristalização do mel é uma garantia da sua qualidade e de sua pureza, quando cristalizado ele mantém todas as suas propriedades nutricionais e energéticas, além de manter o aroma e sabor.

Geralmente, os méis puros acabam por cristalizar com o passar do tempo, se um mel não cristaliza é possível que tenha sido submetido ao aquecimento durante o processo de extração, ou, talvez, antes do envasilhamento.

A temperatura habitualmente praticada em tais processos (acima dos 40 °C) destrói as inibinas do mel, que são substâncias termolábeis e fotolábeis (destruídas com o calor e com a luz), que conferem capacidade bactericida ao mel. Os cristais do mel retornam ao estado liquido quando colocados em banho-maria a uma temperatura de 40 °C, o que não ocorre com mel fraudado por conter, em sua maioria, açúcar de cana.

Composição do Mel

De um modo geral, o mel é constituído, na sua maior parte (cerca de 75%), por hidratos de carbono, nomeadamente por açúcares simples (glicose e frutose).

O mel é também composto por água (cerca de 20%), por minerais (cálcio, cobre, ferro, magnésio, fósforo, potássio, entre outros), por cerca de metade dos aminoácidos existentes, por ácidos orgânicos (ácido acético, ácido cítrico, entre outros) e por vitaminas do complexo B, por vitamina C, D e E. O mel possui ainda um teor considerável de antioxidantes (flavonoides e fenólicos).

Segundo a legislação brasileira, as concentrações permitidas são de, no mínimo, 65 g/100 g para açúcares totais e 6 g/100 g, no máximo, para teores de sacarose, além do teor de água não poder ultrapassar os 20%.

Produção de mel no Brasil

Potes de mel produzido em Imbaú, no Paraná.

Diversos fatores favorecem a produção de mel no país, dentre eles podemos citar as favoráveis condições climáticas em quase todo o seu território, além de extensas áreas ocupadas com cobertura vegetal natural diversificada, ou por culturas agrícolas que tendem a diversificar e aumentar a qualidade do mel. Temos ainda uma maior tolerância às pragas e doenças por parte de nossas abelhas africanizadas.

A produção do mel no Brasil vem alcançando altos índices de crescimento: entre 2009 e 2010, o crescimento foi de 30%, já entre o ano de 2010 e 2011 o crescimento foi de 24%.

Esse efeito se deve à melhoria da genética das abelhas utilizadas na produção de nosso país, bem como à melhoria da qualidade do mel produzido que foi impulsionado devido ao embargo exercido pela comunidade europeia ao nosso mel no ano de 2006.

Outro fator a ser considerado é a não utilização de medicamentos por parte dos produtores nacionais, barateando a produção e tornando-a mais competitiva e atrativa no mercado mundial.

Desta maneira, o Brasil ocupa, atualmente, a 11ª posição no ranking dos produtores mundiais, sendo o quinto maior exportador do produto.

 

 

Fonte: Nutrition Review, Agrolink, Puro Verde.


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