Ergotismo: a doença do fogo sagrado que atormenta a humanidade há um milênio

Em 17/05/2023

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A doença do fogo sagrado, também conhecida como fogo de Santo Antônio ou ergotismo, é uma condição médica que causa uma sensação de queimação nos membros e, se não for tratada, pode causar gangrena (morte dos tecidos) e convulsões.

É causada pela ingestão de grãos de cereais, como o centeio, que foram infectados pelo fungo Claviceps purpurea.

O fungo libera substâncias alcaloides nos grãos, que estimulam os receptores dos hormônios serotonina, dopamina e epinefrina quando consumidos, fazendo com que os vasos sanguíneos se contraiam.

Isso reduz o fluxo sanguíneo para os órgãos e membros, causando a morte dos tecidos.

As primeiras referências históricas à doença datam de 857 DC, mas sua causa não foi identificada até o século XVII.

No final do século 19, as práticas agrícolas, implementadas para prevenir a infecção fúngica e remover os grãos infectados, eliminaram quase totalmente a doença em humanos.

Já em 1500, as parteiras perceberam que o consumo de grãos infectados pelo fungo do ergot poderia induzir o parto em mulheres grávidas e, na década de 1750, eles eram estocados em farmácias como tratamento para o trabalho de parto parado.

No entanto, consumir grãos infectados dificultou a administração de doses precisas e a prática tornou-se associada a natimortos.

O ingrediente ativo – ergometrina – foi purificado em 1935, permitindo que o medicamento fosse prescrito com mais precisão e permaneceu como um método popular para induzir o parto, até ser substituído por alternativas mais seguras como a ocitocina.

Hoje, a ergometrina ainda é usada clinicamente para prevenir sangramento após o parto, bem como para tratar enxaquecas graves.

Em casos raros, esses medicamentos à base de ergot podem causar a doença do fogo sagrado, especialmente se o medicamento for combinado com outros medicamentos.

Por exemplo, um caso de ergotismo foi relatado em 2020 como resultado da combinação de um tratamento de enxaqueca com ergometrina com medicação para HIV, fazendo com que a ergometrina se acumule no corpo a níveis perigosos.


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