Em 08/07/2023
Uma expedição internacional de exploradores tentará resolver essa disputa que dura décadas, navegando em barcos ecológicos pelo rio que banha a maior floresta tropical do planeta.
Em três barcos movidos a energia solar e pedais, a expedição “Rio Amazonas: do gelo ao mar” pretende partir em abril de 2024 dos Andes peruanos e percorrer em seis meses quase 7.000 km, passando por Colômbia e Brasil, até sua foz no Oceano Atlântico.
“A ideia principal é mapear todo o rio (…), documentando a biodiversidade” para fins científicos e realizar um documentário, disse o explorador brasileiro Yuri Sanada, coordenador do projeto.
Explorador brasileiro Yuri Sanada, coordenador do projeto, com sua esposa, Vera Sanada.
Até agora, apenas algumas pessoas se aventuraram a percorrer todo o Amazonas de caiaque, mas ninguém o fez com esses objetivos, afirmou Sanada, que dirige a produtora audiovisual Aventuras Produções junto com sua esposa, Vera Sanada.
O rio Amazonas é mais longo do que o rio Nilo? Equipe de pesquisadores espera descobrir.
Apesar de ser reconhecido como o rio mais caudaloso do planeta, a extensão do Amazonas tem sido motivo de disputa há décadas, seja devido a variações metodológicas ou à falta de consenso sobre algo básico: onde o rio começa e onde termina.
O Livro Guinness dos Recordes atribui o primeiro lugar no pódio ao rio africano.
De acordo com a Enciclopédia Britânica, o rio sul-americano tem cerca de 6.400 km de extensão, de sua suposta nascente no rio Apurímac, no sul do Peru, enquanto o Nilo possui 6.650 km.
O rio Nilo é um dos rios mais longos de toda África Oriental e também de todo o mundo.
Em 2014, o neurocientista e explorador americano James Contos elaborou uma teoria alternativa, segundo a qual o Amazonas poderia ter sua nascente no rio Mantaro, localizado mais ao norte, nas montanhas do norte do Peru.
Se a expedição considerar esse ponto como a origem e uma “foz mais ao sul” do delta, isso poderia resultar em uma extensão maior para o Amazonas em relação ao Nilo, explicou Contos.
Pesquisadores e exploradores planejam seguir o rio Amazonas desde sua nascente no Peru.
A expedição de Sanada rastreará as fontes Apurimac e Mantaro. Um grupo, guiado por Contos, descerá o Mantaro em rafting. O outro percorrerá as margens do Apurimac a cavalo com a exploradora francesa Celine Cousteau (Foto abaixo), neta do lendário oceanógrafo Jacques Cousteau.
Céline S. Cousteau é uma defensora socioambiental e figura pública. Ela é conhecida por seu trabalho como diretora de documentários, produtora, exploradora, artista, oradora, embaixadora da marca e designer, e é palestrante frequente nas Nações Unidas em Nova York.
No ponto onde os rios convergem, Sanada e mais dois exploradores embarcarão na etapa mais longa da jornada, viajando em três canoas motorizadas feitas sob medida, movidas a painéis solares e pedais, equipadas com um sensor para medir a distância. “Poderemos fazer uma medição muito mais precisa”, diz Sanada.
O rio Nilo começa no distrito de Jinja, localizado em Uganda, fluindo pela Etiópia e para o Sudão.
Os exploradores planejam transferir a tecnologia do motor sustentável para grupos indígenas locais, acrescenta. A expedição é apoiada por grupos internacionais, incluindo The Explorers Club e a coleção de mapas de Harvard.
Os aventureiros vão percorrer terrenos habitados por sucuris, jacarés e onças – mas nada disso assusta Sanada, diz. “Tenho mais medo de traficantes de drogas e garimpeiros ilegais”, diz ele.
Os barcos serão equipados com cabine à prova de balas, e a equipe está negociando com as autoridades para conseguir uma escolta armada para as zonas mais perigosas. Se a expedição for bem-sucedida, ela pode ser replicada no Nilo.
O rio Nilo na província de Qena, no sul do Egito, ao norte de Luxor.
Sanada diz que o debate sobre o maior rio do mundo pode nunca ser resolvido. Mas ele está feliz que a “corrida” esteja chamando a atenção para as riquezas naturais da floresta amazônica e para a necessidade de protegê-la como um dos principais amortecedores do planeta contra as mudanças climáticas.
Explorador brasileiro Yuri Sanada, coordenador do projeto.
“A Amazônia está (aqui), mas as consequências de destruí-la e o dever de preservá-la são de todos”, diz.
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