Em 20/08/2023
Um estudo publicado neste ano na revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria, afirma que o número de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro do autismo (TEA) cresceu cinco vezes nos Estados Unidos, entre 2000 e 2016.
O dado corresponde a crianças sem deficiência intelectual avaliadas aos oito anos de idade, em uma região populosa de Nova York e Nova Jersey, durante o período.
Já o número de crianças autistas com deficiência intelectual dobrou nos 16 anos analisados.
As razões exatas para o crescimento ainda são desconhecidas, mas a medicina tem levantado algumas hipóteses, como maior conhecimento dos médicos sobre o TEA, mais acesso da população a diagnóstico, aumento de pais em idade avançada (o que é um fator de risco), até um “afrouxamento” da definição de autismo, que estaria levando a uma inflação diagnóstica.
O Brasil ainda carece de estatísticas sobre o tema, mas o neurologista Erasmo Barbante Casella (Foto abaixo), do Hospital Albert Einstein, disse à Gazeta do Povo que tem observado na prática “muito mais casos de autismo no dia a dia, no consultório”.
Ele cita outra estatística americana, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC): “o último dado foi de um caso para 36 (pessoas). Dois anos antes, era um caso para 44, e, 15 ou 20 anos atrás, era um caso para cada 250. Então, trata-se de um aumento exponencial”.
O autismo tem relação com o desenvolvimento do cérebro, o órgão mais complexo do corpo humano. Desse ponto de vista, não é surpresa que uma miríade de fatores diferentes possa influenciar esse desenvolvimento na direção do que se convencionou chamar de “neuroatipicidade”, ou desenvolvimentos cerebrais que são diferentes do comum e levam a padrões diferentes de comportamento e expressão mental.
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