Em 22/08/2023
Apresentador foi incluído na fila única de transplantes, de acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein.
Internado desde o dia 5 de agosto para tratamento de insuficiência cardíaca, o apresentador, comediante e radialista Fausto Corrêa da Silva, popularmente conhecido como Faustão, 73 anos, teve piora no seu estado de saúde, segundo boletim médico divulgado neste domingo (20Agosto2023), pelo Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo.
Fausto Corrêa da Silva, popularmente conhecido como Faustão, apresentador ancora do programa de auditório “Domingão do Faustão”, exibido ininterruptamente pela TV Globo de 1989 a 2021, sendo um dos mais longevos programas da televisão brasileira. E mais recente na apresentação do programa Faustão na Band, na TV Bandeirantes entre os anos de 2022 a 2023.
“Em virtude do agravamento do quadro, há indicação para transplante cardíaco. O paciente está em diálise e necessitando de medicamentos para ajudar na força de bombeamento do coração”, diz nota enviada pelo Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo.
Ainda de acordo com o hospital, o apresentador já foi incluído na fila única de transplantes, que, segundo a instituição, é “regida pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, que leva em consideração, para definição da priorização, o tempo de espera, a tipagem sanguínea e a gravidade do caso”.
Faustão grava vídeo
No último sábado (19Agosto2023), Faustão publicou um vídeo em suas redes sociais no qual afirmou estar em tratamento à espera de uma definição sobre a qual tipo de cirurgia seria submetido.
“Eu estou ainda [em] tratamento, e eles [médicos] vão decidir que tipo de cirurgia podem fazer. Eu peço que quem goste de mim, reze por mim”, disse Faustão. “Minha família é maravilhosa, uma mulher extraordinária e, com tudo isso, quem decide é o chefe lá em cima”, completou o apresentador.
Faustão também elogiou a equipe médica que o acompanha no hospital na capital paulista.
Fausto Corrêa da Silva, popularmente conhecido como Faustão, é um apresentador, comediante e radialista brasileiro.
No relato, o apresentador fez questão de citar a equipe médica que o acompanha: “Tenho o maior cirurgião do mundo, Fabio Gaiotto. Fernando Bacal, professor, um dos mais conceituados cardiologistas do mundo. Eles fazem pelo SUS também esse tipo de cirurgia, seja cardíaca ou outras coisas. Eu tô ainda nesse tratamento, eles vão decidir que tipo de cirurgia podem fazer”.
• Vai precisar de transplante
O Hospital Israelita Albert Einstein é um hospital brasileiro, localizado no distrito do Morumbi, zona sul do município de São Paulo. Tem mais de 10 mil médicos cadastrados, sendo o hospital privado mais moderno da América Latina.
Segundo o hospital, a condição do apresentador vem sendo acompanhada desde 2020.
Ele está sob cuidados intensivos e, em virtude do agravamento do quadro, há indicação para a realização de um transplante de coração.
• O que diz o boletim médico
O Hospital Israelita Albert Einstein foi fundado pela comunidade judaica da cidade de São Paulo em 4 de junho de 1955. É uma das unidades de saúde mais conhecidas do Brasil pela qualidade de atendimento e pelos equipamentos e especialidades médicas de que dispõe para tratar os principais tipos de patologias.
“O paciente está em diálise e necessitando de medicamentos para ajudar na força de bombeamento do coração. Fausto Silva já foi incluído na fila única de transplantes, regida pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, que leva em consideração, para definição da priorização, o tempo de espera, a tipagem sanguínea e a gravidade do caso“, afirmou a unidade hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo.
• Recado para os fãs
No sábado (19Agosto2023), Faustão deixou um recado para os fãs em um vídeo publicado nas redes sociais do filho, João Guilherme Silva. “Rezem por mim“, ele pediu.
Fausto Corrêa da Silva, popularmente conhecido como Faustão, é um apresentador, comediante e radialista brasileiro. Com uma vasta carreira no rádio iniciada na década de 1960, voltada especialmente para a editoria de esporte, Fausto estreou na televisão em 1984 com o programa de auditório “Perdidos na Noite” na TV Gazeta, que depois foi para a TV Record e TV Bandeirantes.
Na postagem, Fausto aparece em um quarto de hospital, aparentemente bem humorado e tranquilo, falando com os seguidores.
Ele também disse que está “preparado para as coisas da vida” e que tem “muita noção, uma família maravilhosa, uma mulher extraordinária e, com tudo isso, quem decide é o chefe lá em cima“.
• O que é insuficiência cardíaca
Também chamada de “doença do coração fraco“, a insuficiência cardíaca é uma síndrome em que o coração tem dificuldades para bombear adequadamente, podendo prejudicar outros órgãos, como os pulmões.
A insuficiência cardíaca está entre as principais causas de mortes relacionadas ao aparelho circulatório, superando até o infarto agudo do miocárdio.
Apresentador é prioritário
O apresentador Fausto Silva que aguarda por um coração na lista de transplantes, tem prioridade na fila. Isso porque pacientes que estão internados e fazendo uso de medicação para bombear o coração são considerados mais urgentes.
Além disso, outros fatores como tipo sanguíneo, compatibilidade genética, peso e tamanho da caixa torácica influenciam na decisão de quem receberá o coração.
O motivo é que paciente e doador precisam ser compatíveis para que o corpo receptor não rejeite o órgão.
São considerados ainda mais urgentes casos de pacientes que recebem medicação para o funcionamento do coração há mais de seis meses, ou aqueles que dependem de dispositivos mecânicos para sobreviver.
Dessa forma, além da ordem cronológica, há diversos fatores que podem influenciar a fila de espera no Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde.
Atualmente, 386 pessoas estão na fila, segundo informações da Central Nacional de Transplantes (CNT).
No primeiro semestre desse ano, foram realizados 244 transplantes cardíacos no Brasil. A depender da gravidade do caso, a espera pode se estender por até dois anos.
Fila de transplantes
No Brasil, todos os transplantes de órgãos respeitam o SNT, sejam eles custeados pelo SUS, por planos de saúde ou pagos pelo paciente.
O paciente só entra na lista após ter seu estado de saúde avaliado pela equipe médica. Se ele e a família concordarem, o médico pode inseri-lo no SNT.
Cada estado ou região organiza a sua própria lista e todas são monitoradas pelo sistema e outros órgãos de controle federais.
A fiscalização é feita para que nenhuma pessoa conste em duas listas diferentes e que nenhuma norma legal seja desrespeitada.
A fila funciona por ordem cronológica de inscrição, mas é balizada por outros fatores, como gravidade e compatibilidade sanguínea e genética entre doador e receptor.
Porém, no caso de transplantes cardíacos, têm prioridade os casos em que o paciente necessita de assistência circulatória, ou seja, precisa de equipamentos que cumpram a função do coração ou de suas partes para sobreviver.
Tempo de espera
A fila por um transplante cardíaco pode variar conforme seu estado de saúde do receptor, explica o presidente do InCor, Roberto Kalil Filho (Foto abaixo).
Roberto Kalil Filho é um médico cardiologista brasileiro, formado pela Universidade de Santo Amaro. Desde 2011, é professor titular da disciplina de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e também diretor clínico do Instituto do Coração da FMUSP.
O cardiologista afirmou na segunda-feira (21Agosto2023) que um paciente internado em estado grave pode esperar por meses até que o SNT encontre um coração compatível.
No caso de pacientes que estão em casa com tratamento ambulatorial, a fila pode se estender por até dois anos.
No Brasil, a lista do cadastro técnico de espera por transplantes chegou ao número recorde de 54.964 em 2021, considerando todos os órgãos e tecidos. Esse foi último ano em que dados foram disponibilizados pelo Ministério da Saúde.
Na época, eram aguardados 392 corações em todo o território nacional. Os líderes da lista eram o rim (31.764), a córnea (20.134) e o fígado (1.963).
Conforme explicou Kalil, o Brasil conta com vários centros capacitados para a realização de transplantes cardíacos.
O problema, no entanto, é a falta de doadores, que acaba alongando a fila de espera.
“O Brasil tem muito menos doadores do que o necessário. A fila é controlada pela secretaria da saúde e depende do paciente ter prioridade ou não para o transplante. Os número de brasileiros está muito aquém pra diminuir as filas não só do transplante cardíaco, mas dos transplantes de uma maneira geral”, afirmou.
Intercorrências
Como toda cirurgia de grande porte, um transplante de órgãos traz uma série de riscos calculados pela equipe médica no momento da opção por esse tipo de tratamento.
O principal risco é a rejeição do órgão transplantado, pois pode fazer com que o paciente precise receber um novo transplante.
Ele também pode rejeitar o órgão tardiamente, o que demanda tratamento com medicamentos que diminuem a atividade do sistema imunológico.
O uso de imunossupressores – necessários para evitar a rejeição – também pode causar infecções e outros efeitos colaterais listados pelo SNT, como hipertensão arterial, linfomas, tumores de pele e toxicidade do sistema nervoso, por exemplo.
Expectativa de vida
De acordo com o cardiologista Lázaro Miranda de MIranda (Foto abaixo), atualmente, um paciente transplantado pode viver entre 15 e 20 anos após a cirurgia.
“Evidentemente essa sobrevida estará condicionada às comorbidades, individualmente, presentes no transplantado”, ressalta o médico.
Os dados do SNT apontam que o índice médio de sobrevida, depois de um ano, é de 70% para o enxerto e para o paciente.
Doadores e órgãos
A legislação brasileira não exige que um paciente registre em documentos ou cartórios a vontade de ser um doar órgãos. O mais importante, conforme o SNT, é que o potencial doador avise sua família e amigos.
Um dos principais motivos para que um órgão não seja doado no Brasil é a negativa familiar, já que cerca de metade das famílias entrevistadas negam a autorização para a retirada de órgãos e transplantes do potencial doador.
Em vida, um doador pode doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou parte da medula óssea.
Um doador falecido após morte encefálica que não tenha sofrido parada cardiorrespiratória pode doar coração, bem como pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, vasos, pele, ossos e tendões.
No caso de o doador ter morrido por parada cardiorrespiratória, será possível doar apenas tecidos para transplante, como córnea, vasos, pele, ossos e tendões.
Um coração pode demorar no máximo quatro horas para ser transplantado após a retirada do corpo do doador.
Em contrapartida, um pulmão pode esperar até seis horas. No caso do fígado e do pâncreas, o tempo máximo sobre para 12 horas. Os rins, por sua vez, podem demorar até 48 horas.
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