Índia torna-se o primeiro país a pousar módulo no polo sul lunar

Em 28/08/2023

Tempo de leitura: 4 minutos

A Índia se tornou o quarto país a pousar na Lua e o primeiro no pólo sul. Na quarta-feira (28Agosto2023), o módulo lunar Chandrayaan-3 pousou com sucesso na superfície lunar.

 

O módulo lunar da Índia, Chandrayaan-3, fez um pouso histórico em uma região quase inexplorada próxima ao polo sul da Lua na manhã da última quarta-feira (24Agosto2023).

A descida da missão espacial não-tripulada começou por volta das 09h15m (horário de Brasília) e foi concluída às 09h34m, de acordo com a Organização de Pesquisa Espacial Indiana (ISRO).

É a primeira vez que um módulo espacial terrestre pousa no polo sul lunar.

Países que já realizaram pousos na Lua.

Realizando um feito histórico, a Índia tornou-se o quarto país a pousar uma espaçonave na Lua (EUA, União Soviética e China já realizaram esse feito), e o primeiro a aterrizar no lado escuro do satélite terrestre, nos arredores do polo sul lunar.

O pouso da Missão Chandrayaan-3 coloca o país em um seleto grupo de potências geopolíticas.

A missão demonstra o elevado nível de desenvolvimento do programa espacial indiano, que vem sendo tratado como estratégico por Nova Dheli, ao longo das últimas décadas.

A partir de seu programa espacial, a Índia está desenvolvendo não só na vetores de lançamento espacial civis, como satélites e sondas, mas também aparece na vanguarda da produção de mísseis e projéteis de uso militar.

Missão espacial

A missão espacial não-tripulada foi lançada no dia 14 de julho no foguete Launch Vehicle Mark-3 (LVM3), que decolou do Centro Espacial Satish Dhawan, localizado na ilha costeira de Sriharikota.

O veículo levou à órbita terrestre o módulo de pouso Vikram e o rover Pragyan.

Foram enviadas cargas úteis, como instrumentos para medições espectrais da Terra a partir da órbita lunar; medir a condutividade térmica e a temperatura; medir a atividade sísmica ao redor do local de pouso; estimar a densidade do plasma e suas variações e equipamentos para realizar experimentos científicos.

O módulo lunar entrou na órbita lunar em 5 de agosto. Ao iniciar a descida, a Chandrayaan-3 entrou na etapa que alguns cientistas chamam de “15 minutos de terror” – a mesma etapa em que a missão indiana anterior havia falhado.

A grande dificuldade, de acordo com os cientistas, é a transição de uma posição horizontal de alta velocidade para uma posição vertical, além do desafio de pousar em uma superfície irregular, com crateras e pedregulhos.

A Chandrayaan-3 – sânscrito para “nave lunar” – possui um módulo de pouso chamado Vikram, que significa “coragem” em sânscrito, e um rover chamado Pragyan, a palavra sânscrita para “sabedoria“.

O objetivo da missão, que deve durar 14 dias, é explorar a superfície e transmitir dados e imagens de volta à Terra.

O feito indiano repete o feito da China, único país a atingir a superfície do satélite terrestre neste século, consolidando-se ainda mais como um ator de peso na nova corrida espacial.

Na África do Sul para o encontro do Brics, o primeiro-ministro indiano, Narendra Damodardas Modi (foto abaixo), interrompeu suas atividades para entrar em uma transmissão ao vivo e acompanhar o pouso do módulo lunar.

Nesta feliz ocasião, gostaria de me dirigir às pessoas do mundo. O sucesso da missão lunar da Índia não é apenas da Índia. Este sucesso pertence a toda a humanidade“. No Twitter, o premier indiano escreveu que “o céu não é o limite“.

Decolagem

A missão Chandrayaan-3 chamou a atenção do público desde a sua decolagem, há seis semanas, diante de milhares de espectadores entusiasmados.

Políticos locais realizaram rituais de oração hindus para desejar sucesso à missão e, nas escolas, os alunos assistiram aos últimos momentos do pouso, transmitidos ao vivo.

A missão, com um custo de US$ 74,6 milhões (cerca de R$ 365 milhões), confirma a ambição e o rápido desenvolvimento do programa espacial indiano, que em 2008 lançou uma sonda em órbita lunar.

Dona de um programa aeroespacial de baixo custo, em comparação com as demais potências espaciais do mundo, os sucessos recentes a aproximaram do nível da Rússia, Estados Unidos e China, os únicos que até agora conseguiram um pouso controlado na Lua.

Especialistas dizem que a Índia pode manter os custos baixos copiando e adaptando a tecnologia espacial existente e graças a uma abundância de engenheiros altamente qualificados com salários muito inferiores aos de seus colegas estrangeiros.

Correção de erros

Chandrayaan-3 levou muito mais tempo para chegar à Lua do que as missões tripuladas Apollo das décadas de 1960 e 1970, que chegaram em questão de dias.

O foguete indiano é muito menos poderoso do que o Saturn V dos EUA e orbitou a Terra cinco ou seis vezes de forma elíptica para ganhar velocidade antes de ser enviado em uma trajetória lunar de um mês.

O chefe da ISRO, Sreedhara Panicker Somanath (foto acima), afirmou que seus engenheiros estudaram cuidadosamente os dados da última missão fracassada e fizeram o possível para consertar as falhas.

Em 2014, a Índia se tornou o primeiro país asiático a colocar um satélite em órbita ao redor de Marte e, três anos depois, lançou 104 satélites em uma única missão.

Olhando para o próximo ano, o país de mais de 1,4 bilhão de pessoas quer realizar uma missão tripulada de três dias em órbita ao redor da Terra.

A Índia também está tentando aumentar sua participação, atualmente em 2%, no mercado espacial comercial mundial, graças a custos muito mais baixos do que seus concorrentes.

 

 


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