Ministro afasta número 3 da Abin e PF prende 2 servidores em operação

Em 20/10/2023

Tempo de leitura: 1 minuto

O esquema de rastreamento ilegal de celulares pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), alvo da operação deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (20Outubro2023), inclui um uso “sistemático” da ferramenta durante o período eleitoral e um “cerco ao STF”.

As informações foram passadas à imprensa por investigadores ligados ao caso. Segundo um desses interlocutores, durante meses, a espionagem eletrônica rastreou “centenas de celulares” de quem frequentava o STF.

Além dos servidores do tribunal, foram monitorados a geolocalização de celulares de advogados, policiais, jornalistas e os próprios ministros. A investigação identificou 33 mil acessos da localização telefônica dos mais diversos alvos.

Segundo a PF, a suspeita é que servidores da agência teriam usado o software de monitoramento para invadir “reiteradas vezes” a rede de telefonia e acessar os dados de localização dos alvos.

Um processo administrativo disciplinar chegou a ser aberto internamente para apurar a conduta desses servidores.

Segundo a PF, dois dos investigados teriam “utilizado o conhecimento sobre o uso indevido do sistema como meio de coerção indireta para evitar a demissão“.

Para não deixar vestígios, a “gangue Abin de rastreamento” – como vem sendo chamado o grupo pelos investigadores – apagou dos computadores a grande maioria dos acessos.

Até o momento, a Polícia Federal conseguiu levantar apenas cerca de 1,8 mil dos 33 mil acessos ilegais.

A lista inclui um homônimo do ministro do STF Alexandre de Moraes – o que, segundo os investigadores, reforça a desconfiança de que o ministro tenha sido alvo do esquema ilegal.

O sistema First Mile usado pela Abin permite saber apenas a localização dos celulares, e não o conteúdo no aparelho ou as mensagens enviadas.

Os investigadores tentam descobrir, no entanto, se outros sistemas sofisticados podem ter sido usados em conjunto para acessar esses conteúdos.

Até o momento, não há indícios de que o grupo tenha, de fato, acessado trocas de mensagens ou qualquer material nos celulares monitorados.

A desconfiança é grande, no entanto, em razão da articulação do esquema criminoso identificado até aqui.

São cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

 

 

 


Tags: ABIN, acessos ilegais, Advogados, Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre de Moraes, cerco ao STF, espionagem eletrônica, esquema ilegal, geolocalização de celulares, Jornalistas, localização telefônica, Ministro do STF, Ministros, Operação, período eleitoral, Polícia federal, policiais, rastreamento ilegal de celulares, servidores do tribunal, Sistema First Mile, stf

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *