Jovem, Gay e popular: novo premiê da França é aposta de Macron para sair de crise

Em 14/01/2024

Tempo de leitura: 3 minutos

Gabriel Attal foi nomeado o próximo primeiro-ministro da França, em uma movimentação feita pelo presidente Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron já com vistas a um possível novo governo.

Gabriel Attal, Primeiro Ministro da França.

Aos 34 anos, Attal é o primeiro-ministro mais jovem da história moderna da França, superando até mesmo o socialista Laurent Fabius, que tinha 37 anos quando foi nomeado por François Mitterrand, em 1984.

Attal substitui Élisabeth Borne, que renunciou após 20 meses no cargo – que, na França, tem as funções de coordenar as atividades e os cargos do governo abaixo do presidente.

Élisabeth Borne é uma política francesa, que foi primeira-ministra entre maio de 2022 e janeiro de 2024.

 

Ao longo desse tempo, ela enfrentou dificuldades com a falta de maioria no Parlamento. Attal, que atualmente é ministro da Educação, certamente é uma nomeação que chama a atenção.

Ele terá agora a tarefa de liderar o governo francês nas importantes eleições para o Parlamento Europeu, em junho.

Jovem, Gay e popular: novo premiê da França é aposta de Macron para sair de crise

Gabriel Attal, Primeiro Ministro da França.

Sua ascensão foi rápida. Há dez anos, ele era um conselheiro obscuro no Ministério da Saúde e membro de carteirinha dos socialistas.

Ele também será o primeiro ocupante assumidamente gay do Hôtel Matignon – residência oficial do primeiro-ministro francês.

Gabriel Attal, Primeiro Ministro da França.

Ele tem uma parceria civil com outro “garoto prodígio” de Macron, o eurodeputado Stéphane Sejourné.

Mas, dadas as dificuldades do segundo mandato do presidente e a ascensão cada vez mais intensa da direita nacionalista, será que “atrair a atenção” por si só será suficiente?

Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron, Presidente da França.

Como muitos empreendedores da sua geração, Attal foi inspirado pela ideia de Emmanuel Macron de romper a velha divisão entre esquerda e direita e “refundar” a política francesa.

Na sequência da eleição de Macron em 2017, Attal tornou-se membro do Parlamento, e foi aí que o seu brilhantismo como debatedor chamou a atenção do presidente.

Aos 29 anos, ele tornou-se o ministro mais jovem na Quinta República, com um posto júnior na Educação. A partir de 2020, foi porta-voz do governo e seu rosto começou a ser reconhecido pelos eleitores.

Após a reeleição do Presidente Macron, ele foi brevemente ministro do Orçamento e depois assumiu o cargo de ministro da Educação em julho de 2023.

Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron, Presidente da França.

Foi nesse posto que Attal confirmou seu prestígio junto ao presidente, agindo com uma determinação para pôr fim à disputa sobre as vestes abaya muçulmanas, simplesmente proibindo-as nas escolas.

A decisão foi muito contestada por grupos islâmicos e outros setores da sociedade civil.

Ele liderou uma campanha contra o bullying – ele próprio conta ter sido uma vítima – na no colégio de elite École Alsacienne, em Paris, e chacoalhou o sistema de ensino com sua proposta de impor uniformes escolares.

Popularidade e problemas

Attal conseguiu contrariar as tendências, tornando-se realmente popular entre o eleitorado.

As pesquisas mostram que ele é, de longe, o integrante mais admirado do governo Macron – competindo no mesmo nível que o principal inimigo do presidente, a nacionalista Marine Le Pen e o seu jovem colega Jordan Bardella.

E aí, é claro, está o centro da questão. Ao retirar Gabriel Attal do seu grupo de ministros, Macron está usando um ás para vencer a dama e o seu valete. Mas vai funcionar?

Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron, Presidente da França.

O demorado processo de nomeação – todos sabiam que uma remodelação estava para acontecer, mas demorou uma eternidade – mostra que, enquanto Macron está bem consciente da fraqueza da sua posição atual, também tem estado em profunda incerteza sobre como lidar com a questão, enquanto tenta dar um novo sentido à sua Presidência.

Mas, do jeito que as coisas estão, Attal enfrentará exatamente os mesmos problemas que a sua antecessora, Élisabeth Borne.

 

 

 

 

 


Tags: Attal, Élisabeth Borne, Emmanuel Macron, François Mitterrand, Gabriel Attal, Hôtel Matignon, Laurent Fabius, Ministro da Educação, Parlamento Europeu, política francesa, primeiro-ministro, Quinta República

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