Qual a melhor dieta para manter um cabelo saudável?

Em 18/01/2024

Tempo de leitura: 4 minutos

Tudo o que comemos causa impactos diretos sobre a nossa saúde em todos os níveis, desde o estado físico ou psicológico até o rendimento cognitivo.

Mas a nossa alimentação também pode influenciar em algo aparentemente mais trivial – como o brilho da pele ou dos cabelos.

Qual a melhor dieta para manter um cabelo saudável?

Cabelos

Não se trata de uma preocupação fútil. A queda anormal dos nossos cabelos pode ser um dos primeiros sinais de que algo não vai bem no nosso corpo. Não podemos desprezar este sintoma.

A queda dos cabelos pode ser desencadeada por diversas razões, como o estresse crônico, predisposição genética, alterações hormonais ou certos tratamentos farmacológicos.

Cabelos

Iremos nos concentrar a seguir nos fatores nutricionais capazes de comprometer o bem-estar dos nossos cabelos e que podem ser controlados de forma relativamente simples.

O controle das inflamações

Sabemos que certos nutrientes são fundamentais para a saúde dos cabelos, como os ricos em proteínas, vitaminas do complexo B, oligoelementos ou certos minerais, como o ferro e o zinco.

Anorexia

De fato, os transtornos alimentares, como a anorexia ou a bulimia, causam considerável restrição de calorias e vitaminas e estão fortemente associados à queda de cabelos.

O que talvez nem todos conheçam são os componentes específicos da alimentação que podem provocar a queda e o empobrecimento capilar.

Alimentos com alto teor de açúcar ou gorduras saturadas, por exemplo, não só estão associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como também “estressam” e inflamam as nossas células.

Doenças cardiovasculares.

Este estado faz com que o nosso organismo fique mais susceptível ao desenvolvimento de uma ampla variedade de patologias – entre elas, a queda de cabelo.

Por isso, muitos dos remédios existentes no mercado para prevenir a queda de cabelos se concentram nos efeitos anti-inflamatórios de alguns compostos.

Azeite de Oliva

Seguindo este raciocínio, priorizar alimentos com estas propriedades, como o azeite de oliva extravirgem e os peixes ricos em óleo, e evitar o consumo de alimentos que promovem estados inflamatórios são ações que ajudariam a manter o vigor dos cabelos.

Diversos estudos confirmam esta afirmação. E alguns deles demonstram, por exemplo, que a dieta mediterrânea – o protótipo de um menu rico em alimentos com propriedades anti-inflamatórias – pode exercer efeito protetor para a saúde capilar.

O estresse, outro grande inimigo

As situações estressantes que se apresentam no nosso dia a dia aumentam os níveis do hormônio cortisol como mecanismo de defesa.

E se essa situação “de emergência” persistir por muito tempo? Bem, é aí que começam os problemas.

O Cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, localizadas acima dos rins, que desempenha um papel central na resposta do organismo ao estresse, bem como em muitos outros processos importantes.

Produzido pela glândula suprarrenal, o cortisol está diretamente relacionado com a queda de cabelo. E, obviamente, reduzir os fatores que desencadeiam o estresse é a primeira medida que nos vem à cabeça para manter esse composto orgânico nos seus valores normais.

Podemos ajudar a regular o estresse com a alimentação? Claro que sim.

Determinados alimentos como o abacate, os peixes oleosos e certos tipos de sementes, ricos em ácidos graxos ômega-3 e diversas vitaminas e sais minerais, podem frear a produção de cortisol.

O fator microbiota

Por fim, já se comprovou que os alimentos fermentados apresentam efeitos protetores contra a queda dos cabelos. Eles regulam as bactérias intestinais e suas propriedades inflamatórias.

É aqui que entra em jogo a microbiota intestinal – o conjunto de micro-organismos que habitam o nosso sistema digestivo.

Este ecossistema microscópico está diretamente associado à saúde e às doenças, por meio de sua interação com os nutrientes que ingerimos. Tanto é assim que nossa microbiota será diferente, em função da nossa alimentação.

Muitos estudos identificaram a perda de diversidade bacteriana em pessoas com excesso de peso ou obesas, o que posiciona o microbioma intestinal como um alvo crucial para novas terapias contra a obesidade.

Os nutrientes são metabolizados ou absorvidos de forma diferente, conforme nossa população bacteriana. Por isso, eles irão gerar diferentes sinais químicos e metabólicos.

Isso pode alterar as funções fisiológicas, como a reação ao estresse, que é importante para a saúde dos cabelos, como vimos mais acima.

Quando mais rica e variada for a nossa alimentação, melhor será a comunidade de bactérias que abrigamos no intestino.

Podemos dar uma mão para as bactérias consumindo probióticos, como iogurte, kefir e outros alimentos fermentados. Eles estão associados à melhor saúde mental e digestiva e os nossos cabelos também irão agradecer.

 

* Pilar Argente Arizón é professora e pesquisadora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade San Jorge, na Espanha.

 

 

 

 


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