Acidente mata 13 na PB-391

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Da redação do Bê-á-bá do Sertão

Sousa(PB) – Um grave acidente automobilístico, ocorrido por volta das 18h00s da noite da última terça-feira(23Maio2006), na rodovia PB-391, entre os municípios de Sousa e Uiraúna, matou 13 pessoas e deixando outras 15 feridas, quando um ônibus de propriedade da Prefeitura Municipal de Vieirópolis que trafegava com estudantes colidiu lateralmente com um caminhão F-4000 que vinha em sentido contrário também conduzindo estudantes, provocando uma tragédia, que chocou toda a sociedade do alto sertão da Paraíba.


De acordo com informações da Polícia Militar, os mortos eram na maioria estudantes com idade entre 11 e 20 anos. O motorista do ônibus Joceano Tavares de Oliveira, 28 anos, casado, que reside no município de Vieirópolis e o carroceiro que foi identificado com Cícero Costa de Oliveira, 27 anos, residente na rua Josefa Estrela de Oliveira, bairro alto do cruzeiro em Sousa, fugiram do local logo após o acidente.


O caminhão Ford F-4000 acidentado, de placas MNL-4384(PB), era conduzido pelo motorista José Dionísio Ramalho, o qual prestava serviço de transporte escolar para cerca de 30 estudantes alunos que estudavam na rede de ensino estadual, residentes nos sítios Macacos e Logradouro e Malhada da Pedra, para escolas públicas que funcionam na cidade de Sousa. Já o ônibus de marca Mercedes Benz, pertencente à Prefeitura do Municipal de Vieirópolis, de placas MNO-0388(PB), que transportava cerca de 40 pessoas, era conduzido pelo motorista Joceano Tavares de Oliveira.


A tragédia
Segundo boletim informativo fornecido pela 2ª Cia de Polícia Militar de Sousa, o motorista do ônibus, ao tentar ultrapassar uma carroça de tração animal, carregada de lenha, abalroaria frontalmente com o caminhão que vinha em sentido contrário, porém o atingiu na lateral, já que o motorista do caminhão ainda tentou desviar-se para a direita. Na colisão morreram 13 dos 14 passageiros que vinham viajando no lado esquerdo da carroceria.

O trágico acidente ficou marcado como uma das maiores tragédias já registradas na região do alto sertão, decorrente de acidente de trânsito, que além das vitimas fatais deixou dezenas de feridos.

No acidente saíram feridos: Ana Flávia, Leidimar Antunes, Natalia Roque Gadelha, Aldir Silva Leandro, Verismar de Sousa Silva, Ravênia Fernandes Ramalho, Ayla Maria da Silva, Melky Fabrício Fernandes, Maria Antônia Andrade, Verônica de Sousa Silva, Tarciana da Silva Anacleto, Elizabete Maria Matias da Silva, Fernando Rafael, todos ocupantes do caminhão F-4000.

Socorro às vítimas
Segundo informações, o ônibus que vinha de Vieirópolis em direção a Sousa tentou desviar uma carroça de tração animal que vinha beirando o acostamento da estrada, se chocando com o caminhão. Com o impacto o ônibus arrancou a lateral esquerda da carroceria, onde viajavam 14 pessoas, das quais 13 vieram a óbito ainda no local, enquanto que os passageiros do ônibus não sofreram maiores conseqüências.


Após poucos minutos ambulâncias do SAMU, dos hospitais da região da grande Sousa, de várias Prefeituras de municípios circunvizinhos, viaturas da Polícia Militar e Polícia Civil, além de veículos de particulares se encarregaram de fazer socorro das vitimas para os Hospitais Regional e Santa Terezinha, na cidade de Sousa.

O saldo final contabilizou 13 vítimas fatais que foram identificadas como sendo:

GERALDA ISAURA MARIA DE MELO, brasileira, casada, funcionária pública municipal, com 42 anos de idade, nascida aos 3 de maio de 1964, natural de Sousa(PB), filho de Alexandre Joaquim do Nascimento e Isaura Alves do Nascimento, residente no Sitio Macacos, zona rural, Sousa(PB);

MARIA DO SOCORRO DA SILVA MELO, brasileira, solteira, estudante, com 14 anos de idade, natural de Sousa(PB), filha de Carlos Roberto da Silva Melo e Geralda Isaura da Silva Melo, residente no Sitio Macacos, zona rural, Sousa(PB);

FRANCIANA MARIA LEANDRO, brasileira, solteira, estudante, com 15 anos de idade, nascida aos 12 de setembro de 1990, natural de Sousa(PB), filha de Gergino Leandro e Maria dos Remédios Abrantes Leandro, residente no Sítio Macacos, zona rural, município de Sousa(PB);

ALDENI PEREIRA ALEXANDRE, brasileira, casada, agricultora, com 39 anos de idade, nascida aos 14 de novembro de 1966, natural de Sousa(PB), filha de Augusto Pereira e Laice de Lima Pereira, residente no Sítio Macacos, zona rural, município de Sousa(PB);

MARCOS ANTONIO RAMALHO, brasileiro, solteiro, guarda municipal, com 21 anos de idade, nascido aos 26 de novembro de 1984, natural de Osasco(SP), filho de Milton Dionísio Ramalho e Geralda Maria Duarte, residente no Sítio Macacos, zona rural do município de Sousa(PB);

FRANCISCA MARIA DA SILVA, brasileira, solteira, estudante, com 20 anos de idade, nascida aos 7 de outubro de 1985, residente no Sítio Macacos, zona rural, município de Sousa(PB);

PEDRO VICENTE DE SOUSA SILVA, brasileiro, solteiro, estudante, com 13 anos de idade, residente no Sítio Logradouro, zona rural, Sousa(PB);

VERISSIMO SOUSA SILVA, brasileiro, solteiro, estudante, com 20 anos de idade, residente no Sítio Macacos, zona rural, Sousa(PB);

VALCILENE MARIA DA SILVA, brasileira, solteira, estudante, com 20 anos de idade, nascida aos 18 de junho de 1985, natural de Sousa(PB), filha de Luiz Severino da Silva e Maria Helena da Silva, residente no Sítio Macacos, zona rural, município de Sousa(PB);

MARIA NAYARA SILVA, brasileira, solteira, estudante, com 16 anos de idade, nascida aos 11 de Novembro de 1989, natural de Sousa(PB), filha de Francisco Vicente da Silva e Francisca Isaura da Silva, residente no Sítio Macacos, zona rural, município de Sousa(PB);

MARIA DO SOCORRO SILVA ANACLETO, brasileira, solteira, estudante, com 15 anos de idade, natural de Sousa(PB), filha de Isab Anacleto Sobrinho e Maria de Fátima da Silva Anacleto, residente no Sítio Macacos, zona rural, Sousa(PB);

GEOVANIO JUCELIO DA SILVA, brasileiro, solteiro, estudante, com 11 anos de idade, nascido aos 09 de novembro de 1994, natural de Sousa(PB), filho de Jucélio Jacinto da Silva e Elianna Neves da Silva, residente no Sítio Logradouro, zona rural, Sousa(PB); e

ANDREA PEREIRA ALEXANDRE, brasileira, solteira, estudante, com 12 anos de idade, nascida aos 02 de Junho de 1993, natural de Sousa(PB), filha de Joaquim Alexandre do Nascimento e Aldeni Pereira Alexandre, residente no Sítio Macacos, zona rural, município de Sousa(PB).

Repercussão nacional
Todos os mortos e feridos do acidente foram transportados levados para os Hospitais Regional e Santa Terezinha da cidade de Sousa. Entre eles, membros de uma mesma família. Os parentes choraram muito, lamentando o ocorrido. Na quarta-feira(24Maio2006), a cidade parou para assistir a missa e o sepultamento das vítimas fatais. As aulas nas escolas estaduais e municipais foram suspensas.

Em visita de solidariedade, o governador do Estado da Paraíba Cássio Cunha Lima cancelou todos os compromissos agendados e compareceu aos velórios visitando as famílias. Ante a tragédia Cássio compromete-se em prestar toda a assistência necessária, revelando que adotará providencias no sentido de que o Estado indenize todas as famílias das vítimas.

O grave acidente repercutiu intensamente no Estado e no País. Emissoras de rádio e TV, além de grandes jornais estaduais e nacionais, deram destaque ao acidente, que expôs a realidade nacional do transporte escolar.

Comoção no sepultamento
Uma cidade totalmente parada, com ruas desertas, como se vivesse um grande pesadelo, milhares de pessoas de Sousa e cidades circunvizinhas compareceram para prestar o último adeus as 13 vítimas do trágico acidente. Lágrimas, desespero, revolta compuseram o quadro durante a missa e o sepultamento das vítimas do acidente.

Antevendo o cenário, logo cedo a cidade amanheceu à quarta-feira(24maio2006), como que vivendo um longo triste pesadelo, levando a crer que a tragédia ficará na memória da população de Sousa, uma cidade do interior do Estado da Paraíba, distante 430 quilometros da capital.

Após o velório realizado pelas famílias durante toda a noite, manha e parte da tarde da quarta-feira(24) os corpos foram conduzidos até a Igreja matriz de Nossa Senhora dos Remédios onde por volta das 16h00s aconteceu uma missa de corpo presente celebrada por Padre Milton Alexandre.

Após a cerimônia religiosa aconteceu o cortejo coletivo que foi acompanhado pelos familiares das vítimas e um grande número de alunos de toda a rede de ensino, especialmente por aqueles que estudavam com as vítimas.

Com luto oficial decretado no município, entidades representativas do comércio local entenderam por fechar as portas do comércio às 16h00s em sinal de luto. O sepultamento dos corpos aconteceu no Cemitério Municipal São João Batista. Em meio a muita consternação, especialmente dos colegas e dos familiares dos estudantes mortos.

Após o sepultamento a cidade de Sousa ficou praticamente deserta. Professores e alunos inconformados lamentavam conclamando pais de alunos e a sociedade como um todo a fazerem abaixo-assinado e cobrar das autoridades transporte digno para os alunos. Muitos pediram a intervenção do Ministério Público de Sousa para que obrigue as prefeituras da região e governo estadual a colocar veículos que obedeçam à legislação prevista no Código Nacional de Trânsito, garantido segurança a quem precisa usar o transporte escolar.

Muitas homenagens foram feitas aos estudantes por toda a rede escolar, Universidade, Maçonaria, Loja Maçônica, diversas entidades públicas e civis. Em Vieirópolis o prefeito em exercício Antônio César Braga, também assinou decreto de luto de três dias em seu município.

Pensão especial
O governador Cássio Cunha Lima anunciou, durante visita ao município de Sousa, na tarde da quarta-feira(24Maio2006), que o Governo do Estado vai conceder pensão especial a todas as famílias que tiveram vítimas fatais no acidente envolvendo veículos de transporte escolar, ocorrido no início da noite da terça-feira(23Maio2006).

A notícia foi confirmada pelo secretário de Comunicação do Estado, Solon Benevides. Segundo ele, Cássio determinou à Secretaria de Educação e Cultura e à Procuradoria Geral do Estado, providências no sentido de agilizar os procedimentos para a concessão da pensão especial.

Foi decisão do governador, também, segundo Benevides, que o Governo do Estado dê ampla assistência financeira e jurídica às famílias dos feridos por conta da fatalidade que envolveu um ônibus e um caminhão que conduziam alunos da zona rural de Sousa, que colidiram, causando a morte de 13 pessoas.

Tendo cancelado compromissos em João Pessoa, na manhã da quarta-feira(24), o governador Cássio embarcou, em companhia da Secretária Estadual de Educação Maria América, para Sousa, onde chegou no início da tarde, acompanhado pelo deputado Lindolfo Pires. Na oportunidade, Cássio visitou feridos no Hospital Regional de Sousa e famílias das vítimas fatais.

Inquérito policial
Um inquérito policial foi aberto junto a 2ª Delegacia de Polícia Civil de Sousa, sob a responsabilidade do Delegado Sílvio Bardasson Filho, o qual logo nos primeiros momentos da tragédia esteve no local realizando os primeiros levantamentos. Os corpos das vítimas fatais foram examinados por uma equipe de médicos legistas do IML/Pb, cujo resultado está sendo aguardado pelo Delegado juntamente com à perícia realizada no local do acidentes por peritos.

Ao longo da semana o Delegado Sílvio Bardasson ouviu o depoimento do carroceiro Cícero Costa de Oliveira, do motorista do ônibus, Joceano Tavares de Oliveira e do motorista do caminhão José Dionísio Ramalho.

Informações chegadas ao delegado dão conta que antes do fatídico acidente, num passado recente, o motorista do ônibus passou uns dias afastado do trabalho, oportunidade em que foi feito um abaixo assinado e entregue a Secretária Municipal de Educação do Município de Vieirópolis, solicitando o afastamento do mesmo da função, razão pela qual para dirimir dúvidas, o Delegado Sílvio Bardasson convocou a Secretária para confirmar a veracidade do fato.

Pelo acidente ninguém foi preso até o momento, estando prejudicado exames que poderiam ter sido feito no motorista do ônibus, pelo fato do mesmo haver foragido do local do acidente.

Confira os depoimentos:

CARROCEIRO
INDICIADO:    CÍCERO COSTA DE OLIVEIRA, brasileiro, solteiro, agricultor, com 26 anos de idade, nascido em 19 de dezembro de 1979, natural de Lastro(PB), filho de Francisco Costa do Nascimento e Francisca das Chagas Formiga Costa, portador do RG nº xxxxxxxx, residente na Rua Projetada, s/n, por traz do Clube Popular Enéas Preto, Alto do Cruzeiro, Sousa(PB). Ciente das acusações que lhe são imputadas e informado(a) sobre os seus direito e garantias (Título II, Cap. I, Art. 5º, da CF/88), bem como ainda informado(a) do seu direito de permanecer em silêncio ao interrogatório (art. 186, do C.P.P.B.), às perguntas formuladas, respondeu o seguinte: que no dia de ontem (23-05-2006), por volta das 18h00, retornava de seu roçado, localizado no Sítio Lagoinha, numa carroça de tração animal, puxado por um cavalo, trazendo na referida carroça uma carga de lenha; que trafegava no sentido Uiraúna/Sousa, pela rodovia PB-319 – José de Paiva Gadelha, usando o acostamento da referida rodovia, bem como parte da pista da rolamento, uma vez que o acostamento é muito estreito, não sendo possível trafegar exclusivamente no citado acostamento com a carroça; que quando estava há aproximadamente 6km da cidade de Sousa, nas proximidades da entrada da Fazenda de Pedro de Zé Júlio, percebeu que um ônibus vinha no mesmo sentido do interrogado, e que no mesmo momento, no sentido contrário, se deslocava um caminhão de estudantes; que quando percebeu a aproximação dos citados veículos, tentou encostar ainda mais do lado do acostamento; que ônibus se aproximou rapidamente e, nessa aproximação, para desviar da carroça, o motorista do ônibus fez uma manobra para a contra-mão, momento em que colidiu lateralmente com o caminhão de estudantes que vinha no sentido contrário; que em momento algum, o interrogado não percebeu nenhum barulho de buzina ou frenagem dos veículos envolvidos; que após a colisão, vários corpos começaram a cair no chão, momento em que o interrogado, muito assustado com o que via, correu do local, abandonando a carroça no citado local; que não sabe informar a exata velocidade que os veículos desenvolviam, porém teve a impressão de que o caminhão vinha mais rápido; que normalmente, costuma ir para a roça de bicicleta, no entanto, no dia do fato, foi na carroça pois precisava trazer lenha para casa, bem como alguns produtos da roça.

MOTORISTA DO ÔNIBUS
INDICIADO: JOCEANO TAVARES DE OLIVEIRA, brasileiro, casado, pai de uma filha, motorista, com 28 anos de idade, nascido em 15-09-1977, natural de Sousa(PB), filho de Manoel Tavares de Oliveira e Maria Antunes de Oliveira, portador do RG nº xxxxxxxx e da CNH xxxxxxxxx, categoria AD, válida até 20-10-2008, residente no Sítio Pompéia, zona rural, Vierópolis(PB). Ciente das acusações que lhe são imputadas e informado(a) sobre os seus direito e garantias(Título II, Cap. I, Art. 5º, da CF/88), bem como ainda informado(a) do seu direito de permanecer em silêncio ao interrogatório(art. 186, do C.P.P.B.), às perguntas formuladas, respondeu o seguinte: que no dia do fato, como de costume, estava trabalhando como motorista do ônibus escolar da cidade de Vieirópolis, iniciando o percurso a partir do Sítio Cachoeira dos Alves, saindo de lá por volta das 16h30, passando em seguida pela sede do município, seguindo pelas comunidades de Pompéia, Campo Alegre, Riacho dos Xavier, e depois seguindo viagem com destino à cidade de Sousa(PB); que há aproximadamente 03(três) anos é motorista do ônibus escolar, no período da noite, e sempre faz esse percurso; que quando deixou a estrada de terra, pegando a PB José de Paiva Gadelha, já estava escuro, pois já era por volta das 18h00; que nas imediações da Fazenda do senhor Pedro de Zé Júlio, há aproximadamente 2km da cidade de Sousa, avistou um veículo que vinha no sentido contrário, com luz alta, sendo que o interrogado vinha com luz baixa; que quando ia se aproximando cada vez mais do veículo que vinha no sentido contrário, de repente, percebeu que na sua mão de direção seguia uma carroça de tração animal, e, como a carroça estava na pista de rolamento, o interrogado tentou frear o ônibus, porém como percebeu que não dava tempo, deu um corta-luz e fez uma manobra para a contra-mão, momento em que o veículo se aproximou e aconteceu a colisão; que esclarece que a colisão aconteceu no momento em que o interrogado já havia desviado da carroça e já estava praticamente na sua mão de direção, razão pela qual a colisão se deu lateralmente, quando o lado do motorista do ônibus colidiu com a lateral do veículo; que só depois que aconteceu a colisão, viu que se tratava de um caminhão que transportava estudantes; que perguntado se quando viu o veículo no sentido contrário ao do interrogado, com farol alto, por que não diminuiu a velocidade do ônibus, já que transportava estudantes, respondeu que já vinha com baixa velocidade, aproximadamente 60km/h, e não imaginava que houvesse alguma coisa em sua frente; que ao se aproximar da carroça, percebeu que, além de estar carregada de lenha, havia mais de duas pessoas, não sabendo informar qual o número exato de ocupantes da carroça; que após a colisão, o interrogado desceu do ônibus e viu muitos corpos na pista, já sem vida, e outras pessoas com vida, razão pela qual evadiu-se do local, com medo de haver algum parente das vítimas do acidente; que perguntado por que não procurou imediatamente a Delegacia de Polícia ou a Companhia da Polícia Militar, ou outra autoridade, para se apresentar, disse que foi primeiro se informar dos direitos; que o ônibus tinha todos os seus assentos ocupados e que havia aproximadamente dez estudantes em pé; que perguntado se sofreu alguma lesão em decorrência do acidente, respondeu afirmativamente, exibindo escoriação leve à altura do joelho e ferimento na panturrilha esquerda, afirmando ainda que não saiu mais lesionado ou que mesmo não foi atingido fatalmente, porque, no momento da colisão, como já estava retornando para a sua mão de direção, estava com o corpo inclinado para a direita, fazendo o giro de retorno à sua mão de direção; que não conhecia nenhuma das vítimas, sendo que só conhecia o motorista do caminhão apenas de “vista”; que nunca se envolveu em nenhum outro acidente automobilístico anteriormente; que nunca foi preso nem processado.

MOTORISTA DO CAMINHÃO 
INDICIADO: JOSÉ DIONÍSIO RAMALHOZé Dionísio – brasileiro, casado, pai de duas filhas, motorista, com 51 anos de idade, nascido em 16 de Janeiro de 1955, natural de Sousa(PB), filho de Antonio Dioniso Ramalho e Severina Dutra Ramalho, portador do RG nº xxxxxxxx, do CPF nº xxxxxxxxxx e da CNH nº xxxxxxxx, categoria AC, válida até 10-02-2009, residente no Sítio Macacos, zona rural, Sousa(PB). Ciente das acusações que lhe são imputadas e informado(a) sobre os seus direito e garantias (Título II, Cap. I, Art. 5º, da CF/88), bem como ainda informado(a) do seu direito de permanecer em silêncio ao interrogatório (art. 186, do C.P.P.B.), às perguntas formuladas, respondeu o seguinte: que no dia do acidente saiu das proximidades do CAPS, transportando em seu veículo F4000, placa MNL 4384 – PB, aproximadamente 25 (vinte e cinco) estudantes e mais duas pessoas como passageiras, saindo com destino às comunidades de Logradouro e Macacos, localizadas na zona rural deste município; que saiu com estudantes por volta das 17h45, seguindo viagem pela PB José de Paiva Gadelha; que quando se aproximava da fazenda do sr. Pedro de Zé Júlio, isso por volta das 17h55, viu á sua frente, no sentido contrário à sua mão de direção, uma carroça de tração animal, e mais atrás da carroça, na mesma mão desta, vinha também um ônibus; que o interrogado conduzia o caminhão a uma velocidade aproximada de 40km/h, acreditando que o ônibus desenvolvia uma velocidade superior à do caminhão, sendo que, ao se aproximar da carroça, o motorista do ônibus jogou o veículo “de uma vez” para a contra-mão, momento em que o ônibus colidiu na lateral do caminhão, atingindo inicialmente a porta do motorista e, em seguida, a lateral da carroceria, arrancando a grade da mesma; que com a colisão, várias pessoas que estavam na carroceria foram arremessados para o solo, enquanto outras pessoas, que estavam do lado oposto ao da colisão, conseguiram ficar em cima do caminhão; que com o impacto, o caminhão jogou-se para o acostamento, do lado direito, momento em que o interrogado, com muito esforço, conseguiu segurar a direção do veículo e mantê-lo na pista de rolamento; que após isso, parou o veículo e desceu para tentar socorrer as vítimas, conseguindo ainda pegar três pessoas que tinham sido arremessadas para o matagal, sendo “Melque Fabrício Ramalho” e mais duas pessoas que, no momento, não se recorda o nome, sendo que essas três pessoas que o interrogado conseguiu socorrer, sobreviveram ao acidente; que quando foi prestar socorro á quarta pessoa, o interrogado, em estado de choque, começou a passar mal, desmaiando em seguida, sendo socorrido posteriormente, por uma equipe do SAMU; que quando parou o caminhão e desceu para socorrer as vítimas não viu mais o motorista do ônibus, o qual tinha fugido do local; que não chegou a ver o condutor da carroça no local; que a carroça vinha na mesma mão de direção do ônibus, sentido contrário ao do interrogado, tendo visto que a carroça se deslocava próximo ao acostamento; que o caminhão conduzido pelo interrogado estava com luz de farol baixa, visto que, naquele momento era por volta das 17h55, e ainda estava um pouco claro; que o ônibus não chegou a ultrapassar a carroça, sendo que, no momento em que o motorista do ônibus entrou na contra-mão e colidiu no caminhão, o ônibus estava passando ao lado da carroça; que não conhecia o motorista do ônibus; que todas as vítimas e pessoas sobreviventes que transportava no caminhão eram das comunidades de Logradouro e Macacos, todos conhecidos do interrogado, inclusive parentes seu, a exemplo de Marcos Ramalho, vítima fatal, que era sobrinho do interrogado; que há aproximadamente oito anos transporta estudantes das comunidades de Macacos e Logradouro para a cidade de Sousa; que sempre andava com velocidade de média a baixa, tendo em vista que no percurso quase sempre aparecia animal na pista; que nunca tinha se envolvido em nenhum acidente; que nunca foi preso nem processado. Nada mais disse, nem lhe foi perguntado, mandou a autoridade policial encerrar o presente interrogatório.

Missa de 7º Dia
Decorridos 7 dias do fatídico acidente, foi celebrada no final da tarde desta segunda-feira(29Maio2006) uma missa em memória das vítimas, na comunidade rural dos Macacos, reunindo familiares, amigos e políticos de Sousa e região.

A celebração aconteceu com a presença do Bispo Diocesano Dom José Gonzalez Alonso, titular da Diocese de Cajazeiras que esteve acompanhado pelos padres Milton Alexandre e Mangueira Rolim, ambos das paróquias de Sousa.

Mais uma vez ficou constatado a presença de veículos(camionetas e caminhões leves) em estilo “pau-de-arara”, os quais estavam transportando para o local da missa os familiares e residentes das comunidades, revelando ser este o tipo de transporte largamente utilizado pela população da zona rural. A própria celebração aconteceu em cima de um caminhão que serviu também de transporte.

A TRAGÉDIA DOS 13
 
* Arimatea Barbosa
 
"Indubitavelmente esta foi uma das maiores tragédias que se têm registro no Estado da Paraíba. Quem viu as cenas de corpos mutilados e decepados jamais esquecerá o 24 de maio. Não se tratava de vítimas de combates armados ou desastres naturais; eram crianças, adolescentes e adultos que morreram de forma terrível quando viajavam num veículo do tipo "pau de arara" – modalidade de transporte arcaica e ultrapassada, que por "conveniências" ou "interesses" ainda é adotado e usado na condução de estudantes que residem principalmente na zona rural.
 
 
Eles estavam fazendo o seu "dever de casa" ao buscar saber e conhecimento, e na condição de pessoas simples e humildes aceitavam sem reclamar o tratamento que lhes era dispensado. Porém, justamente por serem "pessoas do povo" terminaram por pagar com o preço da própria vida para que esse estado de coisa viesse á tona. Agora, me ponho a perguntar se não teríamos parcela de contribuição para que tal tragédia acontecesse. Sim, pois ao presenciarmos esse tratamento dado aos discentes, pecamos no mínimo por omissão.
 
 
Tentar, como quer algumas "cabeças pensantes" de nossa cidade culpar unicamente o homem, o burro e a carroça pelo terrível sinistro, é adotar uma postula hipócrita, uma visão mesquinha e politiqueira do episódio. Ora bolas, se esses estudantes estivessem em veículo compatível com sua dignidade como ser humano, certamente o número de mortos, se houvesse, seria bem inferior, de forma que, eu, você, os poderes constituídos, a igreja e demais sociedades organizadas, temos sim, nossa parcela de culpa, seja por não exigir, fiscalizar ou reivindicar a devida e correta aplicação de verbas destinadas não só a educação, como também em outras áreas igualmente necessitadas, ou por nos acomodarmos e aceitarmos tranquilamente essa realidade, afinal, é bem mais cômodo, pois na verdade não é o seu, nem o meu filho que estava naquele caminhão.
 
 
Até quando teremos que aceitar tamanha desigualdade e descaso? Até quando os políticos vão fazer de conta que governam e nos que somos governados? Necessita-se urgentemente transformar essa mentalidade. Urge a adoção de novas políticas que realmente dignifiquem o homem. Lembram-se quando falei no artigo "O PCC nosso de cada dia" da tricípite aliança: saúde, educação e segurança? Pois é, 13 vidas se foram de forma trágica e banal, e não me venham com essa história de predestinação, pois na minha concepção só existe um ser predestinado, o diabo, que destinado está á perdição eterna.
 
 
Espero piamente que essas 13 almas não tenham sido sacrificadas em vão, e que a partir de agora, por peso na consciência, remorso ou obrigação (se é que ainda existem), os nossos políticos possam pelo menos oferecer transporte digno aos nossos estudantes, e finalmente, as carroças da corrupção e incompetência possam desobstruir as estradas da vida, deixando que nossos queridos alunos viajem para um futuro melhor e promissor."

AS IMAGENS
As cenas que o internauta pode conferir agora pajeiam a ficção. São parte de uma triste realidade jamais testemunhada por nossa equipe. São destroços de veículos em meio ao socorro prestado aos feridos e remoção dos corpos das vítimas fatais. A responsabilidade é sua: Recomendamos as pessoas que caso não se sintam bem, evitem acessar a Galeria 1.

Galeria 1: Confira na parte inicial da galeria os primeiros momentos do acidente, nossa chegada ao local, o socorro aos feridos e a remoção das vítimas fatais. A chegada ao Hospital, o atendimento médico aos feridos, momentos de aflição de familiares, autoridades e da equipe médica, a identificação e colocação dos corpos nos caixões.


Galeria 2
:
Confira cenas do Velório com a visita do governador Cássio Cunha Lima à sede da Prefeitura Municipal de Sousa.

Galeria 3: Confira cenas da missa realizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, o cortejo pelas ruas de Sousa, seguido do sepultamento no cemitériomunicipal São João Batista em Sousa.

Galeria 4: Confira as cenas do local do acidente, no horário diurno, fotos das comunidades rural de Logradouro e Macacos, pais e familiares das vítimas, foto de páginas do diário e crônicas da adolescente Nayara, encerrando com cenas do término da missa de 7º dia, celebrada na segunda-feira(29Maio2006) e visitas do Bispo Dom José Gonzalez à residencias.

 

 

 


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