PF deflagra operação Carta Marcada em Sousa

Em 12/05/2006

Tempo de leitura: 7 minutos
Da redação do Bê-á-bá do Sertão
 
Sousa(PB) – Numa operação conjunta envolvendo a Polícia Federal, Receita Federal e a Previdência Social foi deflagrada no início da manhã da última sexta-feira(12Maio2006), a Operação “Carta Marcada”, envolvendo um efetivo de 180 policiais federais dos Estados da Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte e Pernambuco em conjunto com 35 auditores da Receita Federal da Paraíba, Ceará, São Paulo e Pernambuco, além de 9 auditores da Receita Previdenciária.


A Operação que tem aval da Juíza Cristina Maria Costa Garcez da 3ª vara Federal de João Pessoa é resultado de três anos de investigações através de suspeitas em documentos, os quais geraram a ação de campanas, escutas telefônicas, e outros procedimentos que terminou por desvendar um suposto esquema que atuava de forma sistemática em licitações simuladas, locação de razão social, utilização de “Laranjas” e vendas de notas fiscais que geravam desvio de dinheiro público, fraudes em licitações e sonegação fiscal em esquema que envolve 54 Prefeituras do Estado e empresas montadas para fraudar licitações, estimando-se segundo cálculos de auditores da Receita federal que os desvios possam atingir cerca de R$ 30 milhões.

 
 
Divididos em equipes os policiais passaram a realizar o cumprimento de 12 mandados de prisão e 31 de busca e apreensão de documentos e arquivos de informática em empresas ligadas a atividades relacionadas à construção civil, Licitações, fornecimento de bens e serviços e de fomento mercantil nos Estados da Paraíba e do Rio de Janeiro, culminando na acusação dem crimes de formação de quadrilha, fraudes em procedimentos licitatórios, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção ativa/passiva, crimes contra a ordem tributária, falsidade ideológica e crimes contra o sistema financeiro nacional.
 
 
Operação em Sousa
Logo nas primeiras horas da manhã da sexta-feira(12Maio2006), cerca de 30 policiais federais iniciaram em Sousa os trabalhos de isolamento do prédio da Prefeitura Municipal dando início a operação na cidade.

 
Os policiais cercaram o prédio da prefeitura com uma fita de cores amarela e preta, adentrando no setor de contabilidade da edilidade e na sala da Comissão de Licitação, de onde realizaram o levantamento de documentos e Back Up de HD´s dos computadores. Paralelamente outros policiais cercaram a residência do pai do engenheiro Bertrand Pires Gadelha(ex-Secretário de Obras da Prefeitura Municipal de Sousa) onde o mesmo se encontrava e o prédio da sede da Secretaria Municipal de Saúde de Sousa.

Na seqüência foi preso o engenheiro Bertrand Pires Gadelha em cumprimento a mandado de prisão. Junto a Polícia Federal conduziu o seu pai o advogado Espedito Pordeus Gadelha que por ocasião da prisão do engenheiro Bertrand, teve sua residência revistada onde os policiais encontraram três armas, fruto de herança, caracterizando a posse de arma, muito embora o advogado não esteja sendo alvo de investigação e nem suspeito de pertencer ao esquema de fraudes.

 
 
Prisões
Durante a realização da Operação “Carta Marcada” aconteceu à apreensão de documentos e cumprimento de mandatos de prisão contra políticos, empresários e técnicos da área contábil.
 
Fontes revelaram que os auditores da Receita Federal estimam que o esquema de sonegação pode contar com a participação de mais operadores, deixando em aberto que possa haver novas prisões de pelo menos treze com o desenrolar das investigações.
 
Na lista das 54 prefeituras investigadas estão as de Cruz do Espírito Santo e a de Sousa. As outras 52, segundo revelou a assessoria de imprensa da PF, não podem ter seus nomes divulgados até que se conclua sobre o envolvimento das mesmas no esquema.
 

 

 
 
Empresas laranjas
Segundo restou apurado doze empresas supostamente atuavam no esquema para fraudar licitações em prefeituras paraibanas. A lista foi divulgada pela Polícia Federal, após a deflagração da Operação “Carta Marcada” que cumpriu 12 mandados de prisão e 31 apreensões. A Polícia Federal não apresentou a lista de Prefeituras envolvidas mas relacionou o nome das empresas e pessoas envolvidas que tiveram seqüestrados documentos e CPU’s que serão investigados na caça de dados das operações fraudulentas.
 
Os mandados de prisão têm duração de cinco dias, os quais findos podem ser prorrogados ou liberados mediante pedido da própria PF que mantém os presos no Centro de Ensino da Polícia Militar na Capital. Em Sousa os Policiais Federais recolheram documentação e outros materias que são usados nas atividades administrativa que servirão para dar continuidade as investigações.
 
 
Segredo de Justiça
A deflagração da Operação Carta marcada na cidade de Sousa chamou a atenção da população da cidade, que assistiu as cenas da ocupação da sede da Prefeitura, da Secretária de Saúde e da residência do cunhado do prefeito Salomão Gadelha.
 
Logo nas primeiras horas da manhã uma multidão começou a se aglomerar nas imediações da Prefeitura e na frente da residência onde se encontrava o engenheiro Bertrand Pires.
 
Equipes de jornalistas dos mais diversos recantos iniciaram os trabalhos de transmissão de flash´s e coleta de informações não se conhecendo nem tendo acesso ao conteúdo do processo promovido pela Policia Federal por determinação judicial.
 
Abordados pelas equipes, nenhum policial quis prestar informações, mantendo-se toda a equipe no mais completo silêncio.
 
 
Prefeito acusa oposição
Enquanto a oposição comemorava, o Prefeito Salomão falando por telefone no Programa Radar Líder da Rádio Líder FM de Sousa, partiu em defesa do cunhado e do sogro. Mostrando-se bastante contrariado Salomão revelou que respeitava a posição da Polícia Federal à qual segundo ele, deve cumprir o papel de investigar todas as denuncias encaminhadas.
 
Revelando-se insatisfeito com a situação, mas dizendo-se confiante em Deus, o Prefeito de Sousa considerou o episódio como causador de um momento de “Constrangimento, humilhação e sofrimento”, causado pela conquista da DAESA em Sousa. Completando a fala disparou acusando os adversários pela devassa na Prefeitura: “Essas pessoas são preguiçosas, que nos combatem, não tem espírito público, então como elas se justificam, acusando, denunciando, agora garanto uma coisa: não tenho 1% dos defeitos que essa canalha tem… Não tenho medo dessa canalha nem do patrão deles… Tenho medo de Deus… A caravana passa, os cães ladram, mas não tenho medo… com a graça de Deus e do divino Espírito Santo…” noutro trecho da entrevista Salomão mostrou-se seguro e disposto a continuar, convocando “a luta continua”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *