Em 19/07/2009
Itaporanga(PB) – Crimes sexuais contra crianças são cada vez mais freqüentes na região, mas quando envolvem gente conhecida e de elevado status social, o peso da repercussão é ainda maior. Foi o que aconteceu há duas semanas quando o Conselho Tutelar de Itaporanga e uma patrulha da Polícia Militar flagraram o advogado e sargento reformado da PM, Valdemir Neco de Sousa, de 68 anos, praticando atos libidinosos com uma menina(L.G.N.) de apenas dez.
O fato ocorreu na noite de São Pedro, 28 de junho. Um conselheiro tutelar viu quando a menina entrou no carro do advogado. O veículo seguiu em direção a Piancó e estacionou nas proximidades da subestação da Energisa. Minutos depois, a Polícia Militar chegou ao local e fez o flagrante. Conduzido até a delegacia, o advogado foi autuado por atentado violento ao pudor pelo delegado Glêberson Fernandes e depois levado para a carceragem da Companhia de Polícia Militar, onde permanece. A prisão especial é em virtude do acusado ter curso superior e ser militar.
Perguntado pelo delegado se teria alguma coisa para falar em sua defesa, Valdemir Neco preferiu o silêncio: disse que estava muito abalado e que só se pronunciaria em juízo. “O fato comprometeu a imagem de duas instituições importantes: a Polícia Militar e a OAB(Ordem dos Advogados do Brasil)”, comenta Dr. Glêberson, que no dia seguinte à prisão encaminhou ofício a OAB noticiando a prisão do advogado, que deverá ter seu registro cassado e, se for condenado pela Justiça, poderá pegar uma pena de até dez anos de reclusão.
Conforme ainda o delegado, não foi preciso submeter a menor a exame médico porque não houve conjunção carnal. A criança confessou os abusos sexuais sofridos, embora não tenha havido penetração, o que não ameniza a potencialidade do crime, segundo a autoridade policial.
A criança revelou ainda ao delegado que foi convencida a entrar no carro do advogado por um menor de onze anos, a quem o idoso teria prometido dez reais “se conseguisse sair com a menina”. O aliciamento ocorreu nas proximidades do terminal rodoviário e foi presenciado pelo conselheiro tutelar Cícero Filho, mais conhecido por Júnior, que desconfiou ao ver as duas crianças ao lado do carro do homem, que já vinha sendo investigado pela prática de pedofilia.
Um outro conselheiro(Léo) seguiu o carro e acionou a Polícia Militar. A menina e o menor, que ficou na cidade à espera da recompensa financeira, foram liberados depois de ouvidos pelo delegado. O Conselho Tutelar e a Polícia Civil estão investigando o envolvimento de outros homens da cidade com a criança, que reside na Rua Marta Batista de Moura, é de família humilde e vive perambulando pelas ruas.
Em trecho do relatório encaminhado à Justiça, o delegado Glêberson Fernandes diz que “Trata-se de um crime horrendo, que merece toda repulsa social, pois atacar a liberdade sexual de uma criança configura-se um ato bestial”.
Famílias constrangidas
O advogado Valdemir Neco, que no final do ano passado recebeu o Título de Cidadão Itaporanguense ofertado pela Câmara Municipal, tem uma família respeitada e conhecida na cidade. Sua esposa e filhos estão muito abalados emocionalmente.
Constrangimento também para o acusado, que há mais de quatro décadas reside e trabalha em Itaporanga: ele é natural de Sousa. Mas, além da questão moral, Valdemir vive dias difíceis na prisão em virtude de graves problemas de saúde: o militar reformado tem distúrbios cardíacos e nesse curto perído de prisão já foi internado em hospitais de Patos e Itaporanga.
Constrangimento e perplexidade também para a família da menor, apesar da pouca preocupação que demonstra ter com a criança, que vive constantemente nas ruas e não estuda, tornando-se presa fácil para a prostituição e marginalidade. Problemas cuja causa primária é a miséria, que embrutece e degenera muitos grupos familiares.
Liberdade provisória
Procurado pela reportagem da Folha, o advogado José Valeriano, que atua na defesa do acusado, informou que já pediu à Justiça a liberdade provisória de Valdemir em virtude dele ser um homem sem antecedentes criminais, ter endereço fixo e não representar nenhum risco para a sociedade nem para o andamento do processo. “Ele também é um homem doente, já com uma idade avançada, e creio ser justo que responda ao processo em liberdade”, argumenta dr. Zé Valeriano, ao comentar que “Não se pode condenar antecipadamente um homem sem que a Justiça o tenha feito, e, por enquanto, ele é apenas acusado: a Justiça ainda vai investigar o caso e, posteriormente, se pronunciar por sua inocência ou culpa”.
Piancó: suspeita não confirmada
A Polícia Civil de Piancó instaurou inquérito para apurar suposto abuso sexual praticado pelo aposentado Francisco Galdino, de 67 anos, contra uma menor de apenas 12, mas o idoso deverá ser inocentado, ou seja, tudo indica que não procede a suspeita de que ele teria praticado ato sexual com a criança.
O caso chegou ao conhecimento policial através de uma vizinha de Chico Galdino, como é conhecido e que reside na Rua Francisco Passos da Silva. Ela acionou a Polícia Militar na noite da quarta-feira, 24 de junho, depois que, supostamente, viu a menina entrando na casa do aposentado.
Quando os policiais chegaram ao local, minutos depois, encontraram a criança sozinha em um beco vizinho à casa de Francisco, que é solteiro e mora com uma irmã, que também não é casada. Chico, que é irmão do exprefeito Gil Galdino, foi conduzido até a delegacia onde prestou esclarecimentos e foi liberado. Em seu depoimento, ele negou que a menor tivesse entrado em sua casa e assegurou que nunca teve qualquer tipo de relação íntima com a garota.
A própria menor, também ouvida pelo delegado Édson Vasconcelos, confirmou que não havia entrado na casa do idoso, mas admitiu que sempre recebia dinheiro dele, embora negue que já tenha mantido algum tipo de relação sexual com o aposentado. “Nós vamos ouvir algumas testemunhas para podermos concluir o inquérito, mas, até o momento, não há nada que evidencie a prática de abuso sexual, inclusive a menina foi submetida a exame de conjunção carnal e constatou-se que ela não sofreu violência sexual”, comenta o delegado.
Caso em Coremas
No final de maio passado, o catador de material reciclável Francisco José Pereira da Silva, de 31 anos, foi preso e autuado em flagrante minutos depois de abusar sexualmente de uma criança de apenas cinco anos. A menina reside com a mãe no bairro Pombalzinho. O fato ocorreu na casa de uma vizinha onde ela costumava brincar. O local também era freqüentado pelo acusado. Foi a própria mãe da criança que presenciou o homem praticando atos libidinosos com a menina e acionou a Polícia Militar.
* Matéria transcrita da Edição nº 153(Ano VIII – De 24 de Junho à 14 de Julho de 2009) do Jornal Folha do Vale. O jornal de maior circulação na região do Vale do Piancó, no sertão do Estado da Paraíba.
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