Em 25/08/2009
Seqüestro em Itaporanga: família não quer, mas polícia está no caso
Itaporanga(PB) – Crimes antes só vistos nos grandes centros urbanos do país passaram a integrar o cotidiano de microrregiões interioranas, a exemplo do Vale, onde, nos últimos oito dias, a população foi surpreendida com a notícia de um seqüestro em Itaporanga e de uma vítima de bala perdida em Piancó.
Na manhã da quarta-feira(19Agosto2009), o empresário têxtil Djalma Dantas foi seqüestrado por elementos no momento em que fazia caminhada na rodovia PB-386, que liga Itaporanga a Boa Ventura.
Quando passava pelo sítio Malhada Grande, nas proximidades da Cita, Djalma foi abordado por dois homens em duas motos. Armados com revólver e encapuzados, eles obrigaram o empresário a subir em uma das motocicletas e, em seguida, levaram-no para uma localidade rural, no meio da caatinga.
Djalma reside em Itaporanga e costumava fazer caminhadas matinais na via. O seqüestro foi uma terrível surpresa para ele e para sua família, que está abalada. “No começo, quando eles(os seqüestradores) ligaram, a gente não acreditou: pensava que era trote, mas depois de notar que Djalma estava desaparecido, foi então que a gente viu que a coisa era séria mesmo”, comenta Dilma Dantas, ex-presidente da CDL e irmã da vítima.

O primeiro contato telefônico dos seqüestrados ocorreu por volta das 6 horas da manhã, uma hora depois do seqüestro. Quem negociou a libertação de Djalma foi o irmão dele, o também empresário têxtil Divaldo Dantas. Os contatos seguiram-se por todo o dia até o final da noite, quando o resgate foi pago.
Inicialmente, os seqüestradores pediram 600 mil reais, mas no curso das negociações, baixaram o valor do resgate, que foi deixado por Divaldo em um local indicado pelos elementos e não revelado pela família, mas supostamente na direção de Igaracy.
Momentos depois, Djalma deixou o cativeiro, mas precisou andar por horas perdido no mato até avistar a caixa d’água da fábrica da irmã, que fica no sítio Vaca Morta e tem boa altitude. Ele orientou-se pela torre que sustenta a caixa, e já era manhã de quinta-feira(20Agosto2009) quando conseguiu chegar até a fábrica, onde reencontrou os familiares.
Como permaneceu durante todo o tempo amarrado e com os olhos vendados, o empresário não sabe identificar o local onde passou as piores 24 horas de sua vida, mas suspeita que pode ter sido no sítio Riachão, localidade rural que fica próxima aos sítios Vaca Morta, onde foi resgatado, e Malhada Grande, onde ocorreu o seqüestro. “Ele disse que não foi agredido fisicamente, mas sofreu muitos ferimentos devido à caminhada à noite no meio de mato e pedra, mas está sendo tratado e está bem”, informa Dilma, e desabafa: “a gente mora em um lugar onde se for pobre demais não dá pra viver e se tiver um tostãozinho, perde a tranqüilidade”.
A família de Djalma não prestou queixa à polícia nem quer o envolvimento policial no caso por temer represália dos bandidos. “Djalma sofreu muito: foi torturado psicologicamente e ameaçado. Em alguns momentos, eles disseram que os irmãos não gostavam de Djalma porque estavam demorando a pagar o resgate e que ele seria ser morto se o dinheiro não fosse entregue. Também fizeram ameaça contra nossa família se o seqüestro fosse denunciado à polícia”, conta Dilma, mas ressalva que há investigadores particulares trabalhando no caso.
Polícia está no caso
Esta é a primeira vez que um seqüestro é registrado na região. Essa nova modalidade de crime tem deixado a população do Vale preocupada. Para o delegado de Itaporanga, Elcenho Leite, diante da ameaça dos seqüestradores é compreensível que a família não tenha procurado a polícia. “Mas como se trata de um crime de ação pública, nós somos obrigados a investigá-lo, e já estamos fazendo algumas diligências”, comenta o Dr. Elcenho.
Conforme o delegado, ainda não há pistas que possam levar a polícia à identificação dos seqüestradores. “Mas nos casos de seqüestro, os mentores e executores são sempre pessoas que conhecem a rotina da vítima”, avalia.
Início das investigações
Decorridos mais de uma semana do sequestro do empresário Djalma Dantas, o Delegado de Polícia Civil de Itaporanga Elcenho Leite, abriu inquérito para apurar o caso.
Por força de lei, foi baixada um portaria abrindo inquérito policial, estando o delegado Titular da Polícia Civil de Itaporanga, Elcenho Leite responsável pelas investigações e coleta de depoimentos. Para a manhã desta terça-feira(01Setembro2009), foram intimados para oitiva na sede da delegacia, testemunhas e familiares do empresário, com vistas a elucidação da situação.
* Redação com reportagem transcrita da Edição nº 155(Ano VIII – De 05 à 25 de Agosto de 2009) do Jornal Folha do Vale. O jornal de maior circulação na região do Vale do Piancó, no sertão do Estado da Paraíba.
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