Justiça decreta prisão de agropecuarista acusado de matar rendeiro

Em 14/10/2009

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Conceição(PB) – A falta de um pedaço de terra para plantar tem submetido muitos pais de família a situações humilhantes, exploração e até a morte. Conforme a Pastoral da Terra, dezenas de trabalhadores do campo morrem todo ano no Brasil em virtude de conflitos relacionados à posse ou cultivo de terras.

Há pouco mais de uma semana, a Justiça de Conceição decretou a prisão preventiva do agropecuarista Expedito Luiz de Barros, solteiro, de 31 anos, acusado de matar seu próprio rendeiro, o agricultor José Lourenço da Silva, de 41 anos e pai de dois filhos menores, por questões relacionadas à divisão de uma renda agrícola, conforme o delegado Cristiano Santana, que apura o caso.

O fato ocorreu no final da tarde do dia 14 de setembro no sítio Alto das Areias, município de Conceição, onde vítima e acusado residiam. Há cinco anos, José Lourenço plantava na terra de Expedito, que ficava com um terço ou um quarto de tudo o que era produzido pelo agricultor, dependendo do acerto entre os dois.

Este ano José Lourenço planejava colher pelo menos dez sacos de milho, conforme a viúva, em depoimento ao delegado, mas parte da plantação foi devorada pelos animais do dono da terra, e a produção do agricultor caiu pela metade.

Apesar disso, o proprietário queria dois dos cinco sacos de milho colhidos pelo agricultor, que se recusou a dar mais de um saco ao dono da propriedade, gerando uma desavença entre os dois.

No final da tarde do dia 14, como de costume, José Lourenço foi com a família assistir televisão na casa da sogra, já que a casa do agricultor não tem energia elétrica. Por lá apareceu Expedito para cobrar, novamente, a renda a que dizia ter direito, mas dessa vez estava armado.

A discussão entre o dono da terra e Lourenço ficou tensa e acirrou-se ainda mais quando a mulher do agricultor entrou na conversa. Tomado pela fúria, Expedito Luiz sacou o revólver e atirou duas vezes contra Lourenço, que morreu diante dos olhos perplexos da esposa e dos filhos.

Após o crime, o acusado fugiu, mas está com sua prisão preventiva decretada pela Justiça a pedido do delegado. “É lamentável e absurdo que um homem trabalhador e pai de família perca a vida por causa de um saco de milho, que custa 17 reais”, comenta o delegado Cristiano Santana.

* Matéria transcrita da Edição nº 157(Ano VIII – De 16 de setembro a 06 de outubro de 2009) do Jornal Folha do Vale. O jornal de maior circulação na região do Vale do Piancó, no sertão do Estado da Paraíba.


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