Em 29/09/2011
Após transferir suposto mandante da morte de juíza, comandante da PM do Rio é exonerado.
São Gonçalo(RJ) – A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou na noite desta quarta-feira(28Setembro2011) que o coronel Mário Sérgio Duarte, à frente da Polícia Militar desde 2009, foi exonerado do comando da corporação. O pedido de afastamento foi feito pelo próprio coronel "em caráter irrevogável" para o secretário José Mariano Beltrame, que, em nota, lamentou a saída do ex-comandante da PM. Ainda não há nomes cogitados para o cargo.
A permanência de Duarte no comando da Polícia Militar ficou comprometida em razão das investigações sobre o assassinato da juíza Patrícia Acioli. Segundo a Divisão de Homicídios, o mandante do crime foi o ex-comandante do 7º BPM(São Gonçalo), tenente-coronel Cláudio Oliveira, que, após a morte da magistrada, foi redirecionado pelo próprio Mário Sérgio para o 22º BPM(Maré).
Questionado sobre a transferência de Oliveira para um batalhão que possui mais visibilidade, Beltrame argumentou que se tratava de um procedimento de rotina. O ex-comandante da PM se encontra atualmente em licença médica por conta da necessidade de uma cirurgia no coração. Segundo a Secretaria de Segurança, ele "reconheceu o equívoco" e está "ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha".
Execução da juíza foi ideia do líder do GAT
A execução da juíza Patrícia Acioli foi tramada depois que o trabalho da magistrada passou a ameaçar policiais que roubavam armas, drogas e dinheiro de criminosos durante operações em favelas de São Gonçalo, região metropolitana do Rio. Desde maio, os líderes de um grupo de nove agentes do 7º Batalhão da PM demonstravam "preocupação de que a juíza poderia prejudicar os policiais".
Detalhes do plano para matar Patrícia foram relatados por um cabo que participou da execução. Dizendo-se "arrependido", ele delatou os demais integrantes da quadrilha para obter proteção e redução de sua pena.
De acordo com o militar, foi o tenente Daniel Benítez, líder do Grupo de Ações Táticas(GAT) do batalhão, "quem trouxe para dentro da equipe a ideia de matar a juíza". Patrícia Acioli combatia a ação de milícias na região de São Gonçalo. Ela também acusava agentes do 7º BPM de forjar autos de resistência(mortes em confronto com a polícia) para encobrir assassinatos.
Inicialmente, os policiais pretendiam contratar uma milícia para matar Patrícia. O serviço seria pago com as armas e o dinheiro roubados pelos policiais durante ações de combate ao crime em São Gonçalo – o chamado "espólio". Depois que Benítez perdeu contato com os milicianos, o grupo decidiu planejar a execução por conta própria.
Desde então, houve duas tentativas frustradas de matar a juíza. Na primeira, o policial responsável pela campana em frente ao fórum onde Patrícia trabalhava se distraiu e não viu a magistrada sair do prédio. A segunda tentativa, na véspera da execução, parte dos policiais foi convocada para a reconstituição de um outro crime.
O cabo também revelou que foi um dos autores dos disparos e que, logo após o assassinato, ateou fogo ao carro usado na execução. As armas usadas no crime também teriam sido destruídas.
O militar indicou que Benítez tinha uma relação "muito próxima" com o então comandante do 7º Batalhão, o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, acusado de ser o mandante do crime. O policial não confirmou se a ordem de matar a magistrada teria partido dele.
Oliveira, no entanto, é apontado como beneficiário do grupo que desviava o material apreendido nas operações policiais. Cotado para assumir o comando do 14º BPM, em Bangu, ele teria pedido que os nove policiais do GAT o acompanhassem para o novo local de trabalho, "onde o referido espólio seria maior".
Vídeos:
PM chora e se diz arrependido sobre morte de juíza no Rio
Juízes que sofrem ameaças vivem sob escolta 24 horas por dia
Deixe um comentário