Em 18/07/2012
Brasília(DF) – O policial federal que atuou na Operação Monte Carlo e foi assassinado na terça-feira(17Julho2012) em Brasília havia dado queixa de ameaça à corregedoria da corporação. A polícia apura a ocorrência registrada por Wilton Tapajós Macedo, na qual ele relatou que se sentia ameaçado e que foi perseguido por outro carro na saída de um shopping. Os investigadores já descartam a hipótese inicial do crime, de roubo seguido de morte. As informações são do Jornal Nacional.
Tapajós trabalhava no núcleo de inteligência da PF e atuou na Monte Carlo, que resultou na prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira, desde o início da operação, em 2009. Ele visitava o túmulo dos pais, no cemitério Campo da Esperança, quando foi morto. Uma fonte revelou que a polícia trabalha com a hipótese de execução. Um jardineiro do cemitério disse que viu dois homens em um carro prata circulando lá dentro, antes do crime. "Eu, em nenhum momento, vi eles descendo do carro. Eles pareciam que estavam procurando alguma coisa. Nunca descia nem perguntava nada pra ninguém", afirmou o funcionário.
Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito(CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres(GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.
Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito(CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz(PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo(PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral(PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.
Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.
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